Peça “Passos da Paixão” tem data confirmada

O maior espetáculo ao ar livre do Alto Tietê será encenado em 25 de março e trará um paralelo entre a Paixão de Cristo e a situação dos refugiados do oriente médio pelo mundo

Postado dia 11/02/2016 às 00:00 por Cidão Fernandes

paixão

Foto: Divulgação/Intermet

Há em Poá uma apresentação de teatro que acontece há 17 anos e que leva em média 10 mil pessoas a saírem de suas casas e prestigiarem o evento. A peça de teatro é o Passos da Paixão, produzida pela Associação Cultural Opereta e a Cia Roda Mundo. Financiada predominantemente com dinheiro público, através da Prefeitura de Poá mediante um projeto de lei aprovada pela sua Câmara Municipal, o Passos da Paixão agrega cerca de 50 pessoas no elenco todos os anos, fora toda uma equipe técnica que trabalha nas mais variadas escalas de produção para viabilizar esse que já é considerado como o maior espetáculo ao ar livre do Alto Tietê.

Na minha opinião, tudo isso é apenas uma introdução para o que o Passos representa como expressão artística para o Alto Tietê. Para além dos números que norteiam esse espetáculo, os valores agregados a ele e que são apenas visíveis para seus fazedores é o poder que a arte tem em agregar pessoas das mais variadas experiências sociais em torno de passarem por uma vivência teatral única.

Muitos grupos teatrais nasceram a partir de encontros que começaram nas suas salas de ensaio, da mesma forma que várias pessoas que estavam em dúvida se poderiam levar a cabo a carreira de artista de teatro tiveram essa certeza depois de passar por todo o processo que a peça proporciona. Esse tipo de inserção vale muito. Tem um poder que não conseguimos mensurar porque se trata de alimentar uma potência criadora que poucas ações conquistam. É aquele famoso poder revolucionário que cada um de nós possui e que é despertado e alimentado de tal forma que o indivíduo não consegue mais desapegar e segue adiante como um guerreiro em sua trajetória para sua realização pessoal e também sua felicidade.

Esse ano a equipe artística decidiu fazer uma ligação da trajetória de Jesus com os refugiados que estão se deslocando em todas as partes do mundo. Se levarmos em consideração que na história contada sobre Cristo ele mesmo foi um refugiado ainda bebê, fugindo da caçada que Heródes levou a cabo, nada mais atual e humano do que lembrar esse vínculo na edição desse ano.

Todos do elenco já sabem do tema e estão criando a partir dessa levada. Estão atentos agora aos noticiários sobre tudo que se fala sobre o assunto e, para além da experiência artística estão passando por uma vivência cidadã, tornando-se pessoas conectadas com o mundo de forma mais atenta, sensitiva e crítica. Ora, se a arte não tem essa função na sociedade então eu não sei então para que ela serve.

Independente se você é cristão ou não, está nessa relação entre uma história que todos conhecem ver transformada em teatro e lidando com um tema tão atual como o de refugiados que atrai esses milhares de pessoas todos os anos.

Agora é só esperar o dia da apresentação que será 25 de março em Poá e conferir o poder que a arte possui quando lida com valores imprescindíveis para nos tornar mais tolerantes, humanos e atentos a tudo que nos cerca.

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Sobre o Autor

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Cidão Fernandes

Ator, diretor teatral e produtor artístico. Diretor Geral do Teatro da Neura, grupo com 11 anos de trabalhos sediado em Suzano. Militante cultural e curioso.

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