A Paz na Terra e os faróis de trânsito

Quando o espírito de Natal não dura mais do que as chuvas de verão

Postado dia 17/12/2015 às 00:00 por Tania Zaccharias

vibe

Chegou a quinzena do espírito natalino…

Tá bom, eu confesso! – e confesso, novamente, que escrever isso publicamente me dá um frio na barriga, mas quem me conhece bem sabe que é verdade – eu sinto uma certa tristezinha nessa época do ano…

Não porque não tenha amor no meu coração, ou porque eu não goste de comemorações. Nada disso! Sinto isso pois acho, de certa forma, meio superficial e frívola essa “vibe coletiva pelo bem e pelo amor”. Parece que pelo fato de abraçarmos todo mundo de bar em bar e trocarmos presentes e sairmos falando “Feliz Natal” como renas-felizes-do-Papai-Noel nos fizesse SERes melhores…

Não quero acabar com sua vibe… Mas sinto-lhe informar que não, não faz!

Pode até dar aquela ludibriada na consciência, aquele “tapinha” de auto- enganação que faz a gente se sentir melhor… Um monte de gente vai se sentir mais humano, uns vão rezar por alguns dias, outros vão brindar loucamente desejando tudo de bom para os amigos, viveremos uma espécie de epifania coletiva de “good vibes”, que começa nos HH, depois nas casas, aí nas praias e férias da semana seguinte, aumenta sua intensidade com todos de branco, tem seu auge no “adeus ano velho” abraçando todos os desconhecidos na praia, e vai assim até….  A primeira chuva de verão de janeiro cair às 18 horas na capital paulista, causar um mega trânsito na cidade e apagar boa parte dos faróis.

Aí meu amigo, espírito natalino que nada, é selva de pedra mesmo! Cada um por si, como se fosse possível nos separarmos nessas situações!

Eu tenho uma teoria pessoal, que esses “caos”coletivos são grandes Mestres que vêm mostrar nossas inconsistências e pequeninezas no dia-a-dia. Confesso, novamente, que nesses dias de apocalipse urbano, acabo até me divertindo observando quanta gente quer a “Paz no Mundo” (afinal, quase todo mundo quer a Paz na Terra, não?!) mas é incapaz de dar a preferência na rotatória ou não ser um primata no cruzamento com farol quebrado.

É meu amigo… É aí que eu me pergunto: cadê o espírito natalino coletivo? Ou dentro de cada um? Aquele mesmo que quase te fez abraçar a moça do check in da TAM no dia 29 de dezembro? Cadê?

Infelizmente, a paz no mundo – e em qualquer lugar – se faz antes de tudo dentro de cada um de nós. Somente nossa capacidade de SERmos pacíficos, gentis, humanos e cordiais mesmo quando a situação do lado de fora está tensa é a ÚNICA forma de termos Paz na Terra e um verdadeiro Espírito do Natal.

Jesus, o grande Mestre desse Planeta, veio, antes de tudo, nos ensinar a primeiro SERmos para depois recebermos. Quer Paz? Seja Paz! Quer Amor? Seja Amor! É simples, e como todo simples, profundo!

Maaaas… a esperança é a última que morre, e com ela,  fica aqui um convite para que todos nós possamos pensar sobre isso. E ao invés de desejar mil coisas que nunca mudam de um ano para o outro, que possamos desejar mudar – na direção daquilo que cada um deseja para si mesmo! Com honestidade consigo mesmo e verdade com seu coração! E que isso dure, não só no Natal, mas até o outro Natal, para não ser levado pelas águas de março que fecham o verão!

Meu Feliz Natal a todos vocês!

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Sobre o Autor

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Tania Zaccharias

Ex-menina, atual mulher "porque". Entusiasta da poesia da vida real, curiosa por tudo e sempre questionadora.

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