Parque Nacional da Serra Geral

O Parque Nacional da Serra Geral, no Sul do Brasil, foi formado a partir de intensas atividades vulcânicas que aconteceram há milhões de anos, em sucessivos derrames de lava que originaram o Planalto Sulbrasileiro

Postado dia 10/05/2016 às 08:00 por Claudio Antonio

parque

Foto: Reprodução/Internet – Visão aérea do Parque Nacional da Serra Geral

O mais novo parque nacional é uma continuação do Parque Nacional dos Aparados da Serra. Seu Bioma compreende as Floresta Atlântica e Floresta com Araucária, sua área é de 17.300 hectares, cujo decreto de criação foi o de nº 53 em 20.05.1992.

Esta Unidade de Proteção Integral está localizada nos municípios de Cambará do Sul e São Francisco de Paula, no nordeste do Rio Grande do Sul, Praia Grande e Jacinto Machado, no sudeste de Santa Catarina.

Apresenta um relevo acidentado, com formação de paredões, cachoeiras e cânions, como o da Fortaleza, que tem 500 metros de altura.

A  vegetação do parque é composta por Floresta de Araucária, Floresta Atlântica e campos de altitude. Apresenta uma grande variedade de espécies vegetais, como o palmiteiro, canelas, Pinheiro-do-Paraná entre outras variedades. De sua fauna, destacam-se o lobo-guará, o veado-campeiro, o bugio, a jaguatirica, aves como o papagaio-de-cara-roxa, a siriema, o gavião-tesoura e a gralha-azul. Por ser um parque novo, ainda falta um levantamento completo de espécies vegetais e animais. O acesso é feito a partir de Porto Alegre, seguindo por asfalto (RS-020) em direção a Taquara, São Francisco de Paula, Tainhas, Cambará do Sul e, por estrada de terra, até o parque, ou ainda por Santa Catarina, pela BR-101, pouco antes da divisa com Rio Grande do Sul.

Sua administração cabe atualmente Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

parque 7

Seu relevo  sul catarinense é acentuado, com montanhas e vales profundos recortando a borda do planalto. O lado gaúcho é caracterizado por coxilhas suaves e vales rasos. Sem transição, as ondulações suaves dão lugar a paredões verticais e rochas basálticas. Com 950 m de altitude média, nos dias claros é possível avistar o oceano Atlântico, desde as bordas dos desfiladeiros, bem como diversas cidades próximas da costa, como Praia Grande ou Torres, no Rio Grande do Sul.

Formado a partir de intensas atividades vulcânicas havidas há milhões de anos, sucessivos derrames de lava vieram originar o Planalto Sulbrasileiro, coberto por campos limpos, matas de araucárias e inúmeras nascentes de rios cristalinos. Ao leste, este imenso platô é subitamente interrompido por abismos verticais que levam à região litorânea, daí originando-se o nome de Aparados da Serra. Em alguns pontos, decorrentes de desmoronamentos, falhas naturais da rocha e processos de erosão, encontram-se grandiosos desfiladeiros, dentre os quais os mais conhecidos: o Churriado, o Malacara e o Fortaleza.

O clima é mesotérmico brando super úmido sem seca. As temperaturas médias anuais estão entre 18 a 20 °C, com máxima absoluta de 34 a 36 °C e mínima absoluta de -4 a -8 °C. A pluviosidade varia entre 1 500 e 2 000 mm anuais.

Em sua flora coexistem na área a Floresta de Araucária, Campos e a Floresta Pluvial Atlântica, assim como as zonas de transição entre elas. Na Floresta de Araucária destacam-se: o pinheiro-do-paraná, a aroeira, o carvalho, a caúna e o pinheirinho-bravo. Nos Campos predominam as gramíneas. Na Floresta Pluvial Atlântica encontram-se várias espécies como: a maria-mole e a cangerana.

O interior dos cânions, que sem qualquer transição adentram o planalto rasgando os campos de altitude, é revestido de mata pluvial tropical de folhas perenes, a qual originalmente ocupava toda a encosta da Serra Geral.

Suas escarpadas e verticais encostas de basalto apresentam uma coloração de tons amarelados resultantes dos líquens e da vegetação de ervas e pequenos arbustos que alternam-se com a rocha nua. Já na borda dos cânions, encontra-se a mata nebular de altitude, crescendo sobre solo úmido e turfoso, recebendo esse nome por se encontrar em local onde é freqüente a formação de nevoeiros denominados de “viração”, que se elevam da região da planície costeira, criando condições de alta umidade. Também encontra-se neste ambiente úmido e rochoso a Gunnera manicata, espécie vegetal com folhas enormes, de até 1,5 metro de diâmetro e que, além dos Aparados da Serra, é encontrada nas florestas andinas, especialmente ao sul do Chile. Também característica da região é a flor-símbolo do Rio Grande do Sul: a “brinco-de-princesa”.

parque 10

Sua fauna local é silvestre  é rica e constituída por espécies raras e que poucos sabem existirem no Brasil, como o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), a suçuarana ou leão-baio (Felis concolor), o graxaim-do-mato e o veado-campeiro (Ozotocerus bezoarticus), além de raposas, gambás, tatus e bugios. Dentre as aves encontramos a gralha-azul (Cyanocorax caeruleus), o papagaio-charão, periquitos, perdizes, codornas e marrecas, além do típico quero-quero (Vanellus chilensis), ave-símbolo do pampa gaúcho. O gavião-pato (Spizaetus tirannus) e a águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus) podem ser eventualmente avistados em áreas de difícil acesso e se encontram ameaçados de extinção. Encontram-se também ofídios peçonhentos.

Sua visitação é possível sendo o mês de janeiro o mais quente, com médias entre 20 a 22°C; junho e julho são os meses mais frios, com a temperatura atingindo a marca de 0°C. Em função desta variação de temperatura, o visitante pode escolher a melhor época para conhecer o parque. Em função do clima de montanha as condições do tempo podem mudar rapidamente em qualquer época do ano, sendo comum temperaturas inferiores a 10°C em pleno verão.

Compartilhar:

Sobre o Autor

avatar

Claudio Antonio

Possui graduação em Tecnologia Processos de Produção Industrial pela Faculdade de Tecnologia Senador Flaquer (1982).

Obs: As postagens do autor são de plena responsabilidade do mesmo, o portal se isenta de qualquer conteúdo que possa ser ofensivo.

Veja mais posts deste autor

Leia também

Assine a nossa newsletter