Pare: Espere!

Neste meu primeiro artigo, primeiro mesmo, me proponho a tecer algum tipo de reflexão, com bases filosóficas e religiosas, que me motivam, sobre um dom que me é muito caro: a Esperança

Postado dia 21/04/2016 às 07:30 por Luiz Fernando

esperança

Foto: Reprodução/Internet

Esperança. Se a trato como um dom, é porque esperar supera o simples âmbito de sentimentalismo, mas é embebido na vivência do dia a dia, que apresenta mais dificuldades que soluções, e estas, por sua vez, tendem a nos levar a um desespero, que em alguns casos, traz resultados catastróficos e dolorosos, cujo remédio potente é a ESPERANÇA.

Mas, por que esperar?

Para esta resposta, tão desencantadora, me vem à mente a história do patriarca Abrãao, cuja figura inspira o modo de se relacionar com Deus das três grandes religiões: cristianismo, judaísmo e islamismo, bem como foi objeto de estudo de filosofia, quando podemos pensar em Kierkegaard (1813-1855).

Em relação à visão modular que a religião apresenta sobre este homem, é possível vislumbrar sua saga a partir do capítulo 12, do livro do Gênesis, que o apresentam como um senhor de idade, sem mais perspectiva de crescimento, pois tudo já lhe estava solidificado e a quem o Adonai lhe dá uma ordem: “Deixa tudo e vai” (cf. Gn 12,1) e confiantemente, este partiu rumo ao desconhecido, pois o que o motivara foi a fé conjugada à esperança. Sua jornada não foi fácil, teve duras provas, como diante do absurdo de sacrificar seu filho, de entregar ao divino àquilo que lhe era mais caro. Obedecendo, obteve consolo. Como estamos acostumados à imediatez do mundo, à forte violência com o qual nos arrebate, vemos em tudo isso um escândalo e nos esquecemos de esperar, pois como diz o velho ditado: “as coisas sempre se ajeitam” e quem as ajeita é o Pai, que espera e é a fonte da esperança. Abraão é modelo de esperança, porque pacientemente viveu as dificuldades, mas olhava um futuro além de si mesmo, de sua pobre materialidade.

Também nós, somos convidados, crentes ou não, a esperar que as coisas tomem um rumo novo e venham tempos novos, pois a esperança também nos move, já que ela é um caminhar no escuro, em que podemos nos decepcionar, mas sempre “Há uma luz no túnel dos desesperados/ Há um cais no porto pra quem precisa chegar”, como canta Hebert Vianna e é isso que impulsiona a vida humana, segundo o pensamento do filosofo dinamarquês Søren Kierkegaard, que costumava afirmar que a vida humana é uma eterna angústia e nesse processo, a esperança é uma tensão entre a racionalidade e a irracionalidade, o mundo dos homens com suas leis e o mundo de Deus. Ao homem, cabe escolher, esperar ou desistir.

Diante das precariedades que os últimos tempos nos oferecem, nos agarremos à nossa esperança, pois é ela quem vai nos redimir e ser a âncora segura, nesse náufrago da vida, cujo mar, de águas agitadas, nos carregam ao medo de um fraco, a uma corruptibilidade já em vida. É preciso usar a receita de um famoso pregador católico, que dizia: “Esperar contra toda desesperança”, pois o amanhã não o temos plenificado, não sabemos o que virar, mas é preciso vencer o medo por essa expectativa boa, de que tempos melhores, dias melhores virão. Um abraço a todos e Boa Esperança.

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Sobre o Autor

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Luiz Fernando

Professor de Filosofia na Rede Pública do Estado de São Paulo. Formado em Filosofia, em 2013

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