Papai Noel é um bom cristão

O Papai Noel é muito cristão. Presentes são provas concretas de carinho. Relembrar de Jesus menino é importante. E a somatória de tudo isso é que o Natal é a festa que, de fato, marca a virada de ano e uma mudança de ciclo

Postado dia 23/12/2016 às 09:30 por Tiago Cordeiro

 

Papai Noel

Foto: Reprodução

Natal é ritualística. Não existe uma civilização da nossa espécie que não mantenha seus próprios rituais em datas marcantes, por um motivo muito simples: precisamos marcar a passagem do tempo. Não basta crescer, ter filhos, comer, beber, fazer sexo, dormir, superar dificuldades e tristezas, morrer tentando deixar um legado. Os ciclos precisam ser celebrados, é importantíssimo para manter nossa sociedade coesa e nosso psicológico no lugar.

Parece cruel, mas não é. Rituais são deliciosos. Envolvem celebrações lindas, encontros inusitados, comida diferente (quem compra tender em abril?), abraços apertados ou constrangidos, presentes. Sim, presentes. Eles fazem parte da nossa cultura natalina ocidental há tanto tempo que focamos nos gastos exagerados e nas filas nas lojas lotadas e abafadas e esquecemos o mais simples: um presente é uma demonstração física de afeto. É uma maneira concreta de dizer “te amo”, “desejo seu bem”, “pensei em você”.

É claro que muitas dessas reuniões de família nesta época do ano são tensas – provavelmente metade dos filmes de Natal já feitos (excluindo os desenhos animados fofos) realçam o quanto famílias que se encontram uma vez por ano se veem forçadas a lavar a roupa suja, com o resultado de muitas pessoas passarem mais um ano inteiro sem se falar. Mas é sempre bom lembrar que este contato forçado não deixa de ser terapêutico. E, quem sabe, não possa, em algum momento, levar a uma reconciliação. Mesmo que ela só dure até o próximo Natal…

Sabemos que o cristianismo não conhece a data exata do nascimento de Jesus e se apropriou de uma festa pagã, que no hemisfério norte marca o início do inverno, para celebrar o nascimento do filho de Deus. O Papai Noel não está tão longe dessa tradição: ainda que sua imagem clássica tenha sido cristalizada pela Coca-Cola nos anos 1930, São Nicolau, que inspirou o velhinho caridoso, é um bispo grego de carne e osso, que viveu entre os anos 270 e 343 e hoje é o padroeiro da Rússia, da Noruega e da própria Grécia. Reverenciado pelas igrejas cristãs ortodoxas antes de adotado pelo Vaticano, o bispo milagreiro teria salvado muitas crianças e tem sua imagem diretamente ligada à do menino Jesus.

Ou seja, Papai Noel não é um invasor capitalista em uma festa cristã: ele mesmo nos lembra dos valores que tentamos reforçar no Natal: a importância dos nascimentos, o cuidado com os pequenos, a caridade, a importância do perdão.

Se tudo isso vier acompanhado de uma bela champanhe, um panetone de verdade (nada de chocotone, chocolate é na Páscoa!) e palavras de carinho para quem você ama, pode ter certeza: o Natal já valeu a pena. Na prática, ele marca a virada de ano, mais até do que o réveillon, que mais parece uma balada comum, de preferência realizada na beira da praia e que costuma transformar o primeiro dia do ano num momento desagradável de ressaca.

Feliz Natal e um 2017 melhor do que 2016!

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Sobre o Autor

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Tiago Cordeiro

Pós graduado em Literatura Brasileira. Trabalhou pelas revistas Veja, Época, Galileu, apaixonado pela área de tecnologia e religião.

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