Oscar: o circo da elite racista e machista

O Oscar sempre foi uma celebração da meritocracia realizada por uma elite branca e machista dos EUA. Tal elite que só premia quem a ela pertence

Postado dia 03/03/2016 às 09:00 por Giovanna Belluomini

rock

Foto: Divulgação/Internet

O Oscar sempre foi uma celebração da meritocracia realizada por uma elite branca e machista dos EUA. Tal elite que só premia quem a ela pertence

Esse ano, algumas atrações nos surpreenderam na premiação. Como Chris Rock falando sobre o racismo da própria academia. É claro que a academia não o fez por agora se tornar boazinha. Isso ocorreu para amenizar a polêmica da campanha de boicote por falta de negros nas indicações, promovida pela hashtag #oscarsowhite (Oscar tão branco).

Já que é tão mais fácil chamar um negro para fazer rir centenas de brancos da platéia, do que por para concorrerem brancos e negros em nível de igualdade, pois aí afetaria de verdade o ego dos brancos.

Assim como Lady Gaga catando “Til it Happens to You” foi incrível. Música que é trilha sonora do documentário “The hunting Ground” pela qual ela e Diana Warren foram indicadas ao Oscar por melhor canção original.

No documentário é relatado os milhares de casos de estupro nas universidades estadunidenses, e como as instituições de ensino são coniventes com os estupradores, para não manchar a sua reputação. Pois é, a reputação da faculdade é mais importante que a segurança de todas as alunas, visto que um estuprador tende a cometer o crime inúmeras vezes.

Conivente é uma palavra bonita para essas instituições. Por culpa delas que esse crime tem índices tão altos. Elas, com sua mão invisível, estão ajudando estupradores a estuprarem suas alunas. E claro que no Brasil a situação se repete, vide casos de estupro na USP.

Mas, voltando ao Oscar. Todos acharam lindo e comovente a apresentação de Gaga, com sobreviventes no palco (incluindo ela mesma).

Porém poucos minutos depois Jenny Beaven levou o Oscar por melhor figurino por Mad Max: estrada da fúria. E as pessoas ao invés de aplaudiram sua conquista, riram dela, riram de sua roupa, riram de sua ESCOLHA.

Sabe porquê? Porque mulher não escolhe! Mulher faz o que os outros dizem para ela fazer. Como ela não estava com a roupa a qual dizem que ela deveria estar, ela não é digna de crédito.

Assim como se uma menina na faculdade resolve ir à uma festa beber, ela não está seguindo o que ela deveria fazer: ficar dentro de casa protegida de estupradores. E então quando ela ESCOLHE não transar, ela não é digna de crédito, e por isso eu homem dou risada da cara dela e transo do mesmo jeito.

E é assim que a elite se mostra comovida na causa negra, e na luta das mulheres. A gente pensa “nossa, desse jeito em breve estará tranquilo e favorável pra mim”. Porém, até que se prove o contrário, a elite continua essa classe repleta de privilégios. A qual nos faz acreditar que um dia seremos como eles, enquanto na base, na vida real, no dia-a-dia tudo continua igual. Preto continua pobre e sem oportunidades. Mulheres continuam como uma sub-categoria da humanidade. E mulheres negras continuam como a população que mais sofre devido à intersecção de opressões sofridas.

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Giovanna Belluomini

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