Os três J’s

Escrevo essa linda história como testemunho de que os anjos existem. Neste ano que se inicia, desejo que vocês também reconheçam e valorizem seus anjos.

Postado dia 05/01/2017 às 08:00 por Junji Abe

junji

Foto: Reprodução

Ele é um adolescente como muitos. Tem 15 anos, mora em Mogi das Cruzes, é inteligente, comunicativo, gosta de futebol e de Carnaval. Como alguns, tem um irmão chamado Johnny. Como raros, é alguém sem ascendência nipônica que ganhou um nome japonês. Como só ele, personifica uma homenagem que cala fundo na minha alma. Chama-se Junji Antunes de Almeida Lopes.

Junji é filho de Alessandra Antunes de Almeida e de João Soares Lopes. Nasceu no dia da Independência do Brasil, em 2001, ano de estreia da minha gestão como prefeito de Mogi. O que muita gente não sabe sobre a história singular do adolescente é o tanto de vida pulsante na relação entre mim e seu pai. João é meu amigo-irmão, meu parceiro de jornada, fiel escudeiro, meu anjo negro, como costumo dizer pelo que ele representa na minha própria história e em alusão a sua ascendência africana.

João trabalha comigo há 25 anos. Ele chegou em 1995 para ser meu motorista na Assembleia Legislativa. Exercia o segundo mandato como deputado estadual. De cara, gostei do rapaz simples e alto astral, sempre solícito. De quebra, tinha na bagagem a experiência de haver desempenhado a mesma função para o ex-governador paulista Paulo Egydio Martins.

Juntos, percorremos cerca de 500 cidades do Estado. Embora João seja de um profissionalismo irretocável, nossa relação nunca ficou restrita a de patrão e funcionário. Em pouco tempo, ele já havia sido acolhido como membro da minha família.

Encerramos o ciclo no Legislativo paulista. Ele continuou meu motorista na Prefeitura e ainda é. Lá, tinha a missão adicional de identificar problemas, como buracos e vazamentos de água ou esgoto. Como dirigia e não podia anotar, gravava. Os áudios eram encaminhados para providências. Ele fazia isso não como encargo, mas com o prazer de quem ajuda o amigo a administrar melhor a Cidade.

Foi o João quem me brindou com um dos momentos mais comoventes dos meus 76 anos de vida. Ele entrou na minha sala trazendo a certidão de nascimento do filho. Quando vi o nome do registro, não contive as lágrimas. Meu jovem xará representa um manifesto de amizade e de amor.

Escrevo essa linda história como testemunho de que os anjos existem. Neste ano que se inicia, desejo que vocês também reconheçam e valorizem seus anjos. São eles que nos amparam, nos protegem, nos defendem e nos guiam também nos momentos mais difíceis. São eles que nos estendem a mão quando outras se esconderam. São eles que nos acendem a luz quando todas as outras se apagaram. São eles que entoam uma canção quando o mundo se cala. São eles que dizem presente quando tudo é ausência. São eles a prova cotidiana do amor de Deus por nós. João é um dos meus anjos. Juntos, somos os três J’s: João, o pai; Junji, o filho; e Junji eu.

 

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Sobre o Autor

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Junji Abe

Junji Abe, 75 anos, mogiano, produz e comercializa flores e plantas ornamentais, e foi prefeito de Mogi das Cruzes por duas vezes seguidas (2001-2008)

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