Os bailes de antigamente

Eu devo ter nascido na época errada. Os salões perderam o glamour e a educação deu lugar ao egoísmo

Postado dia 22/04/2016 às 10:59 por Fernando Maque

bailes

Foto: Reprodução/Internet

 

Fico pensando nos Bailes de antigamente, como deveriam ser glamourosos e maravilhosos os minutos num salão todo decorado, com uma extraordinária Big Band tocando standards e clássicos de Jazz, o trompete cortando o salão com seus solos agudos ao som de Tony Bennet ou Frank Sinatra, as pessoas elegantes, os smokings, os summers, a mulheres bem vestidas, não necessariamente em ouro e prata, mas todos educadamente dançando e se divertindo.

Com o tempo, e somente como o tempo tem a capacidade irracional de fazer, ruiu e mudou. E, em minha opinião, mudou para muito pior. O salão perdeu o glamour. Pessoas elegantes hoje precisam ser pinçadas. A educação deu lugar ao egoísmo. As músicas ainda existem, mas são poucos que as tocam. E a diversão? Ah, a diversão tornou-se um quesito opcional. O que importa é fazer-se presente, fazer-se notar.

Eu fico imaginando como eram os Bailes no Cassino da Urca, no antigo Rio de Janeiro, quando ainda era a Capital do Brasil. Sim, o Rio já foi a Capital deste País. Sim, tínhamos Cassinos fantásticos e sim, tínhamos educação. Já pensaram em como eram as as festas no Clube Itapety, em Mogi das Cruzes?

Mas daí, o tempo nos trouxe muita tecnologia. Veio a Internet. Os “gadgets” nos afastaram uns dos outros. A vida tornou-se rápida. A educação resumiu-se num “oi” e a música agora é cantada em tcherê-tchê-Tchê.

Hoje mal encontramos um Trompete, quem dirá um de seus solos. Hoje os Smokings são alugados para eventos raríssimos, os Summers muito procurarão no “Google” o que significa, os Standards são cantados pelos mais de 50 nos Bailes temáticos, os Cassinos foram fechados e deram lugar aos já extintos criminosos Bingos, as pessoas não são mais tão educadas e, assim, tornamo-nos não mais tão elegantes. A elegância não vem do que vestimos e sim, de como nos comportamos.

Hoje em dia é brega tirar uma moça pra dançar. Hoje em dia é brega ser um cavalheiro. Hoje em dia é démodé abrir a porta do carro. Nem lenço possuímos para que a moça não molhe seus pezinhos e hoje, tirá-la para dançar fica mais fácil se estiver rolando um refrão “Eu vou atrás, você na frente, tô louco pra te pegar”.

Eu sou Cantor de uma Big Band. Desculpe, corrijo: Eu sou “Crooner” de uma Big Band. Eu sou um Cantor de clássicos e Standards tão antigos e tão lindos que a minha vontade é de que todos tivessem o privilégio de entender o que as letras significam. Nos raros minutos em que hoje os Standards e clássicos são tocados, sou acionado pelo meu Maestro e direto do túnel do tempo apareço no palco e canto, movimentando a minha boca com tanto cuidado, na esperança de que cada um entenda perfeitamente as palavras de Amor, as palavras inocentes de Amor ali contidas.

É, são tempos que poderiam voltar. São tempos que ensinaram e ensinariam muitas pessoas a serem diferentes. Significando diferentes como mais educadas, mais cultas e mais sofisticadas e por fim, inocentemente, mais felizes.

 

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Sobre o Autor

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Fernando Maque

Filho de uma exímia pianista, Fernando tem a música no DNA, na veia e faz dela sua razão de viver. Um artista ímpar.

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