Onde foram parar os conversadores?

Atualmente está difícil vencer a concorrência dos celulares. Parece que as pessoas nunca estão onde seus corpos estão

Postado dia 29/11/2016 às 08:30 por Valter Mello

conversadores

Foto: Reprodução

Eu não sou um saudosista empedernido daqueles que vivem louvando “os velhos bons tempos”. Vivo muito bem no presente e vivo com intensidade. Entretanto, tenho que admitir que sinto falta daqueles tempos em que não precisávamos ter tantas preocupações com segurança, em que as pessoas pareciam mais puras, em que podíamos confiar em desconhecidos sem tanto medo de sermos passados para trás. Tempos em que a vida parecia mais simples e o tempo corria mais devagar.

Ops! Será que estou sendo saudosista?  Até acho que sim! Talvez porque eu vivi um tempo em que era possível andar de madrugada pela cidade, fazer camping selvagem em qualquer praia da Rio-Santos preocupando-me somente com a qualidade do repelente e com o limite da maré alta, encontrar gente disposta a conversar e, pasmem: com uma conversa gostosa daquelas que a gente não queria que acabasse.

Onde foram parar os conversadores?  Aliá, onde foram parar os assuntos interessantes das conversas? Atualmente está difícil vencer a concorrência dos celulares. Parece que as pessoas nunca estão onde seus corpos estão. É um tal de ver gente falando ou rindo sozinha, voando pendurada pelos fones de ouvido em suas orelhas, ou, mais recentemente, caçando monstrinhos digitais.

drummond-touro

E tem gente achando que até o Facebook está ultrapassado e que agora toda conversa pode ser resumida num Whatsapp com meia dúzia de palavras, quando muito num áudio de alguns segundos.

Paradoxalmente, somos todos indivíduos sem individualidade numa coletividade de cada um pra si.

Conversadores estão ficando raros. Não se iludam os que veem aglomerações nos botecos e acham que ainda são redutos para conversas interessantes. Quando muito são intermináveis e chatíssimas discussões sobre o time do coração, ou sobre os atributos do garoto/garota da mesa ao lado, mas com baixíssima compreensão por conta do barulho reinante.

Hoje em dia, para se achar um conversador genuíno, temos que pegar uma moto, um jipe, uma bike, e sair para o interior até sentir o cheiro de café no bule e a fumaça de um fogão à lenha (rezando pra não ser assaltado no caminho!).

E então procurar pelos indícios típicos: Um caminhar devagar, um terreiro limpinho, flores na janela, horta bem cuidada. Se tiver sorte, um banco longo debaixo do beiral.

Aí, toca aproveitar o momento. Não se preocupe com selfies ou fotos. Nem peça o cartão ou o telefone Apenas converse. Você não faz ideia da transformação que isso provocará.

 

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Valter Mello

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