Olhai as cores da Bandeira Nacional

Pouco se viu de verde e amarelo nas imagens de brasileiros nas redes sociais. Faltaram pessoas em choque com a tragédia de Mariana, em Minas Gerais

Postado dia 19/11/2015 às 23:55 por Wilson ADM

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Fala-se muito sobre o atentado terrorista ocorrido em Paris, assumido pelo Estado Islâmico. Centenas de pessoas morreram de forma covarde, e é claro que isso abala o mundo inteiro; a revolta das pessoas é expressada em diferentes formas de protesto. Milhares de brasileiros, sensibilizados com a tragédia de Paris, colocaram as cores da bandeira francesa sobre suas fotos no Facebook como gesto de solidariedade. Toda liberdade de expressão deve ser respeitada.

Mariana 2Aproximadamente duas semanas atrás, o Brasil foi surpreendido por um enorme desastre ambiental. O rompimento das barragens de Fundão e Santarém, propriedades de uma mineradora chamada Samarco, devastou a cidade de Mariana, em Minas Gerais, deixando além de pessoas e animais mortos, dezenas de pessoas desaparecidas. Não se viram campanhas de solidariedade nas redes sociais, nem mesmo fotos de internautas cobertas com as cores da bandeira brasileira.

Continua um profundo silêncio, e uma aparente falta de interesse de grande parte da população, que ainda, ocupa as mídias discutindo politicagem, tentando apontar apenas um culpado pelos diversos crimes políticos cometidos no país, e brigam entre si sobre suas ideologias, razões, pensamentos e teorias.

Um tsunami de lama devastador, que trouxe desequilíbrio ao Brasil, é uma expressão da natureza sobre o que acontece com o país tupiniquim no dia a dia. Vários distritos soterrados por lama. As autoridades se mobilizam, e a Samarco já garantiu uma quantia bilionária para reestruturar a cidade e arcar com os prejuízos. Basta saber agora como serão desenvolvidas as obras. No entanto, o Brasil está passando não somente por uma crise financeira, como também enfrenta uma grave crise ambiental.

As empresas podem angariar fundos para ajudar a população, mas, dessa vez, o preço a ser pago é altíssimo, e não haverá quem pague.

O Rio Doce está completamente morto.

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Após o desastre ocorrido com o rompimento das barragens, foram realizados testes laboratoriais no Rio Doce, onde foram encontrados chumbo, alumínio, ferro, bário, cobre, boro e mercúrio. Esses metais densos foram jogados nas águas, e os danos ambientais são irreversíveis.

Cidades já começam a sofrer com a falta de água, uma delas é a de Governador Valadares, que ficou mais de uma semana sem água, e a população está com medo de beber a água que circula na cidade, os responsáveis pelo saneamento básico da cidade, disseram que fizeram testes na água, e que esta encontra-se potável e apta para o consumo, mas a população desconfiada, não acredita no que é noticiado, alegando que a água possui um cheiro forte, além de um aspecto visual ruim.

rio doceNão há dinheiro que pague pela flora e fauna perdida, pela necessidade daqueles que dependem do rio para sobreviver. Muitos animais morreram, e outros ainda vão morrer por falta de alimentos ou locais para viverem. Famílias de pescadores enfrentarão sérias dificuldades por dependerem do rio para conseguirem, pela pesca, fonte de sustento familiar. Cidades que precisam se abastecer, irão sofrer dificuldades em longo prazo.

Homens e animais lado a lado, amargando um triste destino que atinge a todos os brasileiros diretamente como um soco no estômago. Quase duas semanas depois dessa enorme tragédia, pouco se vê de mobilização pública em solidariedade com a cidade de Mariana.

Esse é o resultado do desequilíbrio ambiental.

Um Rio que banhava Minas Gerais e o Espírito Santos, que tinha a extensão de 853 km e era considerada a mais importante Bacia Hidrográfica do Sudeste, transformou-se em lagoas envenenadas com diversas substâncias nocivas.

151119033401_rio_doce_-_brazilian_river_640x360_bbc_nocreditO Brasil não vive somente uma crise econômica, vive uma crise econômica, política, ambiental, moral, social, racional e emocional. Onde as pessoas passam muito tempo preocupando-se com problemas, autoridades distantes de nós devem ter a responsabilidade de resolver, onde outros líderes devem apaziguar seus povos, onde outras culturas devem unir-se, dialogarem, debaterem de forma civilizada e humana. Claro que é necessário estar ciente do que acontece no mundo, e não é nenhum crime sensibilizar-se, mas é preciso tomar prioridades, pois o patriotismo começa rente ao chão que se pisa, o altruísmo inicia-se onde há possibilidades, e para mudar o mundo, é preciso começar por onde está mais perto e presente a maior parte do tempo, na consciência.

O Brasileiro é um expectador emotivo do quintal do vizinho, e não olha para o próprio quintal. Onde a ferida é mais forte e a dor é maior, podendo inclusive, não saber sentir a dor que deveria.

Como disse Raul Seixas: “Baby o que houve na França vai mudar nossa dança…”, mas o que houve no Brasil, vai mudar nossas vidas.

É problema nosso, e deve ser resolvido.

 

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