O vaso quebrado

Nada sobrevive para sempre. Mais dia, menos dia, tudo vai embora. Pessoas, animais, plantas, pedras, minerais, mais cedo ou mais tarde, tudo deixa de existir

Postado dia 11/01/2017 às 08:30 por João Anatalino

vaso

Foto: Reprodução

Dona Mercedes é uma empresária de sucesso que ficou rica investindo com muita competência cada centavo que ganhou. Comanda muitos funcionários, tanto na empresa que possui quanto na bela casa em que mora.

O que ela mais detesta é quando alguém lhe dá algum prejuízo. Ela odeia perder ou ser privada de alguma coisa. Por conta disso já mandou embora muito empregado por ter quebrado uma máquina, motoristas por terem batido o seu carro, empregadas por terem quebrado objetos em casa, etc.

As duas coisas que Dona Mercedes mais ama são sua filha de sete anos, uma linda menina chamada Iasmine, e um vaso de porcelana Ming que ela comprou numa viagem que fez à China.
São os dois xodós dela.

Dona Mercedes ficou viúva há dois anos. Seu marido morreu num acidente de avião e ela foi obrigada a assumir todos os negócios da família.

Iasmine amava muito o pai e ficou muito triste com a morte dele. Dona Mercedes ajudou a menina a superar a sua falta fazendo-a entender que tudo, no mundo, um dia desaparece.

Nada sobrevive para sempre, disse ela à menina. Mais dia, menos dia, tudo vai embora.

Pessoas, animais, plantas, pedras, minerais, mais cedo ou mais tarde, tudo deixa de existir.

Essa é a lei da vida e nós não podemos mudar isso. A menina entendeu, e embora sinta muita saudade, conseguiu superar a falta do pai e voltou a ser uma criança alegre e feliz.

Dona Mercedes tem uma empregada meio descuidada chamada Maria. Um dia, ao espanar os móveis da sala, ela bateu com o cabo do espanador no precioso vaso Ming de Dona Mercedes. O vaso caiu e se espatifou no chão.

Ela sabia o quanto a patroa gostava daquele vaso. Sabia também que custava uma fortuna. Nem que trabalhasse cem anos conseguiria pagar o prejuízo. Sentou-se no chão e chorou.

Iasmine entrou na sala e encontrou Maria em prantos. Ela gostava muito da espevitada empregada. Perguntou o que aconteceu. Maria contou.

? Chora não ? disse a menina. ?Mamãe não vai brigar com você por causa disso. Maria não tinha certeza e continuou a chorar.

?Deixa comigo ? disse a garotinha. Em seguida pegou os casos do precioso vaso e os colocou em sua maleta de escola.

Dona Mercedes chegou em casa nessa tarde e encontrou Iasmine esperando no jardim.

? Mãe ? foi logo perguntando a menina. ? Você disse que tudo desaparece, não disse?

? Sim, filha ? tudo que existe, um dia deixa de existir ? disse Mercedes, pensando que a filha estivesse se referindo ao pai.

?Tudo mesmo, inclusive plantas, pessoas, animais, pedras, vasos, livros e tudo que existe no mundo, um dia deixam de existir?

? Sim, filha. É verdade. Tudo que existe, um dia deixa de existir. Mas porque você está me perguntando isso?

Então Iasmine abriu a sua maleta de escola e mostrou os cacos do precioso vaso Ming.

? Eu não briguei com Deus quando ele quebrou o meu pai. Você vai brigar com a Maria porque ela quebrou o seu vaso?

Dona Mercedes chorou. O que ela disse ou fez com Maria depois disso eu não sei. Mas os empregados dela dizem que ela mudou muito. Está agora bem mais simpática, amiga e tolerante. Parece bem mais saudável também.

 

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Sobre o Autor

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João Anatalino

João Anatalino Rodrigues é bacharel em Direito e Economia e Mestre em Direito Tributário e escritor com 10 publicações autorais.

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