O Turista Aprendiz

A obra "O Turista Aprendiz", de Mário de Andrade, foi relançada a 12 de novembro de 2015 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (apoiados pela Fundação Vale)

Postado dia 18/11/2015 às 23:49 por Leila Cabral

4123386_x720

A obra “O Turista Aprendiz”, de Mário de Andrade, relançada a 12 de novembro de 2015 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (apoiados pela Fundação Vale), é um relato de viagens que o autor modernista empreendeu, primeiramente, em companhia de Olívia Guedes Pinto, aristocrata do café e protetora dos modernistas; da sobrinha, Margarida Guedes Penteado e de Dulce do Amaral Pinto, filha de Tarsila do Amaral.

A partir de maio de 1927, quando o autor tinha 34 anos, a comitiva viajou por um período de três meses, pelos rios Amazonas, Solimões e Madeira, desde o Rio de Janeiro até Iquitos, no Peru. Em novembro de 1928, Mário de Andrade segue sozinho ao Nordeste e permanece até fevereiro do ano seguinte.

Recepcionado por Ascenso Ferreira, Jorge de Lima, Cícero Dias, Câmara Cascudo e outros, toma contato com a floresta, com o sertão, com diversos tipos humanos e manifestações culturais. Incluem-se contatos com as danças, músicas, religiosidade, folguedos, num misto de sincretismo e superstição que dão ao autor a oportunidade de contemplar a nacionalidade abrangente que se opõe às concepções regionais. A viagem ao Nordeste revela-se extremamente produtiva em termos de registro fotográfico.

No arquivo do autor (Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, série Fotografias) ganha relevo a foto que o apresenta como um fotógrafo moderno, em que maneja uma câmera Kodak de caixão, fato constatado no autorretrato datado do ano de 1928.

A subsérie Mário de Andrade -fotógrafo reúne 1.538 imagens em positivo e um número expressivo de negativos: os positivos, em preto e branco, medem, a maioria, 6,1 cm x 3,7 cm, permitem diversas ampliações de 17,5 cm x 12,5 cm, em PB, assim como em viragens sépia ou avermelhadas. Sabe-se que fez registros fotográficos e escritos sobre a paisagem, o homem e a cultura local, o trabalho no campo com a cana, café, gado; o labor de populações ribeirinhas, como o transporte de madeira e alimentos; os mercados de grupos urbanos; trocas entre citadinos e indígenas; referências aos trabalhos femininos, a exemplo da lavagem de roupas etc.

As fotos desvelam o empenho do escritor ao transmitir fidedignamente o retratado numa mixagem de informação e valor artístico, registro de imagens com títulos e legendas esclarecedoras, aliado a um trabalho de ação turistico-etnógrafico, enquanto fotógrafo-poeta.

Compartilhar:

Sobre o Autor

avatar

Leila Cabral

Especialista em língua portuguesa, é também doutora em literatura e história pela Universidade de SP.

Obs: As postagens do autor são de plena responsabilidade do mesmo, o portal se isenta de qualquer conteúdo que possa ser ofensivo.

Veja mais posts deste autor

Leia também

Assine a nossa newsletter