O reducionismo americano e o expansionismo chinês

Duas figuras lamentáveis se predispõem a ocupar o Salão Oval da Casa Branca: Donald Trump e Hillary Clinton. Enquanto isso, a China ocupa o espaço vago no cenário internacional

Postado dia 27/10/2016 às 10:26 por José Iwabe

china

Foto: Reprodução

Reagan, o último grande presidente americano, em seus dois mandatos consecutivos (1981 – 1989) fez o mundo constatar a grandeza do maior país capitalista, liberal e democrático do mundo. Silenciou as vozes dissonantes dos tiranetes e rasgou a “cortina de ferro”, fazendo desmoronar a União Soviética, pondo a Rússia em seu devido lugar.

Conduziu uma política econômica sólida ao promover a desregulamentação e maior liberdade “pela oferta de produtos”, reduziu os gastos do governo e cortou impostos, o que levou o país a sair da recessão e gerou 16,5 milhões de empregos. Durante os seus mandatos, o país cresceu em média 7,93% ao ano. Em várias pesquisas e estudos, Reagan é classificado entre os 10 melhores presidentes que governaram os EUA.

Combateu o tráfico de drogas e conseguiu reduzir o seu uso. Sua esposa, Nancy, fez verdadeira cruzada por todo os EUA.

Considerou a URSS o “império do mal” e atuou incisivamente na expansão do sentimento anticomunista, apoiando governos e organizações que lutavam contra as esquerdas pelo mundo. Bombardeou a Líbia de Muhammad Kadafi e negociou a redução de armas nucleares com Leonid Brejnev, após criar um sistema de misseis balísticos intercontinentais (a “guerra nas estrelas”) e, assim, intimidar o premier soviético.

Quando o sindicato dos controladores de voo paralisou os aeroportos, demitiu 11345 grevistas e os substituiu por militares, até que estes novos controladores fossem treinados, sinalizando aos sindicatos que seu poder tinha acabado.

Os presidentes que o sucederam (George Bush, Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama) conseguiram pôr abaixo muito do que Reagan edificou, especialmente no cenário internacional. De um país admirado e temido, passou a ser uma nação grande e medíocre. Ainda ocupa o primeiro posto da economia internacional e de poder bélico, mas já não exerce a influência que fazia a nação líder do mundo.

Desde 1976, com a morte de Mao Tse-Tung, percebe-se um empenho mundial em fazer germinar uma nova liderança para o mundo. Acontece a criação de uma nação híbrida em que convivem o comunismo e o capitalismo: a China de Deng Xiaoping.

Mao, o “Grande Timoneiro”, entre perseguições políticas, execuções indiscriminadas, projetos de “revolução cultural” e programas de deslocamento de populações e agrícolas, conseguiu que quase 100 milhões de pessoas fossem mortas, quase a metade de fome. O clima de pavor e obediência fatalista ao governo assim estabelecido no país permitiu que o poder central aplicasse o regime que bem entendesse. Gestou-se uma nação totalitária com um capitalismo de Estado, com o desavergonhado apoio do capitalismo internacional.

Foi durante o governo democrata de Bill Clinton (1993 – 2001) e de Jiang Zeming, na China (1992 – 2004), que o projeto engendrado por Deng Xiaoping alcançou o seu estágio de plena realização, conforme relatado por mim, com extrema repugnância e indignação, em janeiro de 2012, na Revista Boa Dica, no Japão:

“De maneira impressionante – para não dizer estranhíssima – a China se tornou vedete da economia mundial e como que num passe de mágica passou, de exótica e miserável nação comunista, ao status do mais cobiçado parceiro comercial, sem que nada tenha oferecido para merecer tal distinção. A única justificativa foi o seu “imenso potencial como mercado consumidor”, com o seu 1,3 bilhão de habitantes.

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A China sempre desrespeitou cinicamente inúmeros pré-requisitos necessários para ser legítimo e confiável interlocutor: os direitos humanos são ignorados, não há liberdade política, de imprensa nem de ideias, O regime é totalitário e policialesco. Foi pirateando desavergonhadamente, num desprezo total à propriedade intelectual e indústria,  que ingressou no mundo capitalista.

Das razões econômicas, o que de fato estimulou a corrida por instalar-se na China foi o custo de mão-de-obra. Milhões de pessoas dispostas a trabalhar por ninharia, já que passavam penúria, e ainda sem o ônus dos encargos sociais para as empresas.

Em troca de benefícios fiscais e terras cedidas para as plantas industriais, milhares de empresas de todo o mundo lá foram, ávidas por tirar proveito da situação, fechando os olhos à realidade política e social vigente, injetaram trilhões de dólares num fluxo contínuo, transferiram tecnologia, aceitando alegremente a imposição de sócios chineses, sempre membros do governo, e criaram imensos parques industriais.

De dentro de uma nação-cárcere, onde a democracia é um ente desconhecido, surgiu o dragão comuno-capitalista, que hoje é o fiel da balança da economia global, pois tornou-se provedor universal do consumo popular e é também o principal comprador mundial de matérias primas e alimentos

No aparente empenho dos Estados Unidos pela renúncia deliberada à liderança que ainda conserva no mundo, duas figuras lamentáveis se predispõem a ocupar o Salão Oval da Casa Branca: Donald Trump e Hillary Clinton.

Pelos republicanos, nenhum nome mais representativo se apresentou às primárias e Trump passou sem dificuldades por Ted Cruz, John Kasich e Marco Rúbio. Hillary, por sua vez, venceu Bernie Sanders com o evidente suporte da grande mídia, a qual continua a servir-lhe como inestimável aliada, conforme denúncia de David Kupelian, escritor, jornalista e editor, que afirma haver uma cúmplice relação entre os jornalistas de esquerda dos maiores veículos de comunicação e o Partido Democrata, os quais alternam suas atividades entre cargos no governo democrata e funções na mídia, intermitentemente (entre outros, Jay Carney, Beverly Lumpen, Warren Bass, George Stephanopoulos, Peter Gosselin, Donna Brazile, etc.).

As declarações, posturas e atitudes de Trump, que já conseguiu perder o apoio da maioria dos políticos republicanos, deixa evidente que o objetivo é a vitória de Hillary Clinton, apesar de todas as suspeitas que pesam contra o casal e a Fundação Clinton.

O reducionismo americano, buscado incansavelmente por Obama durante seus oito anos, terá em sua sucessora complementação em ainda maior escala, redundando em ocupação natural do espaço vacante pela expansão da China, apresentada para o mundo como o mais exitoso modelo político e econômico a ser imitado pelas nações.

 

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José Iwabe

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