O que o metrô pode te ensinar sobre cidadania?

Se você mora em São Paulo e por algum motivo já pegou a linha amarela do metrô, aquela que liga a estação da Luz ao Butantã, deve saber do que estou falando

Postado dia 22/01/2016 às 00:00 por Priscilla Brandeker

metro

Todos os dias, diversas mensagens ecoam nos corredores e escadarias do metrô, transmitindo alguns avisos, seja para que as pessoas tenham cuidado com seus pertences, não joguem chicletes ao chão, esperem que as pessoas saiam do vagão antes de tentar entrar ou aos adultos para que tomem cuidado com as crianças nas escadas rolantes.

Você lembra da época da Copa do mundo, onde o metrô passou a também transmitir suas mensagens no idioma inglês? (e que era praticamente impossível não reproduzi-las mentalmente ou para um colega ao lado). Pois é, todas são ótimas, mas nenhuma me intrigou mais que um reforço ao final de alguma delas, dizendo para termos uma atitude cidadã. Por qual motivo o metrô precisa “avisar” as pessoas que digitar no celular e andar lentamente pode atrapalhar o fluxo das pessoas, ou por que precisa dizer que todos os bancos são de uso preferencial e que devemos ter consciência e acima de tudo, uma atitude cidadã ao ceder o lugar para pessoas que precisam mais que nós naquele momento?

Pois bem, o que significa ter uma atitude cidadã? A coluna pela qual escrevo aqui na revista, refere-se à Educação e Cidadania e me vejo na obrigação de refletir junto a vocês leitores. Por que precisamos ser avisados que a atitude x ou y é digna de cidadania? E por que essas atitudes não fazem parte da nossa esmera educação? Ah sim… Nossa educação. É dela que precisamos falar para chegar à tal da atitude cidadã.

O brasileiro tem aquela velha fama de ser esperto, de levar vantagem sobre tudo, mesmo que seja uma pequena vantagem, por vezes “imperceptível” aos olhos dos demais e parece que gosta disso, não é mesmo? Aquela cochiladinha no banco reservado, aquele jeitinho de entrar pelas laterais da porta (enquanto as outras pessoas estão esperando enfileiradas e organizadas há algum tempo), aquela bolsa enorme que está bem no meio do caminho….pois bem amigos brasileiros, deveríamos nos envergonhar disso tudo e o metrô (um dos melhores do mundo, acreditem), não precisaria perder tempo com mensagens de cidadania a um povo que estuda, trabalha e luta por condições melhores, sim, luta por condições melhores…quanto contraste.

Especialmente nós brasileiros (vide história política e sócio econômica do país) esperamos que as coisas aconteçam, culpamos a Deus e ao mundo pelas coisas que não gostamos (e assistimos de camarote) e cultivamos o pensamento muitas vezes inconsciente de que há sempre alguém devendo algo a nós ou que alguém irá resolver por nós. Queremos sempre levar vantagem, nos acostumamos a reclamar e ao mesmo tempo dar um jeitinho aqui e ali, pois assim é mais fácil e vamos levando, levando, levando. Preguiça? Falta de engajamento? Falta de comprometimento? Não sei dizer… Reflitamos.

O que posso dizer aqui, sobre minha própria reflexão pessoal, é que as melhores condições estão dentro de cada um de nós, de cada atitude dita cidadã, de cada gesto que se pratica no dia a dia, de cada papel de bala que não jogo no chão, de cada gentileza, generosidade e respeito com pessoas que não conheço, de cada patrimônio que eu não destruo, de um simples olhar de companheirismo ou empatia. Basta colocá-los em prática, basta o primeiro passo. Parece utopia? Pode ser. Mas sabe aquela velha e conhecida frase: “Gentileza gera gentileza? ”, não custa realmente nada tentar!

Um abraço a todos!

 

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Sobre o Autor

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Priscilla Brandeker

Priscila Brandeker é psicóloga especializada. Atende crianças, adolescentes, adultos e também pessoas da terceira idade. Priscilla T. Brandeker Psicóloga (CRP 06/123945)

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