O que fazer para ter um filho mais inteligente

Seria lícito afirmar que metade da inteligência dos nossos filhos é fruto da genética e a outra metade depende de uma série de fatores, entre os quais a música?

Postado dia 09/12/2015 às 00:00 por Leila Cabral

Afastar o tablet da criança e dar-lhe uma guitarra, por exemplo, poderia ser a sugestão, já que as aulas de música potenciam a inteligência, enquanto a tecnologia fomenta determinadas capacidades. A investigação do neuropsicólogo Álvaro Bilbao, autor do livro “El cerebro del niño explicado a los padres”, ressalta que cerca de 50% da inteligência das crianças determina-se pelos genes. Sua relação com o meio, ao longo da vida, determinará o resto. O estudioso salienta que, sem a presença dos pais, o potencial intelectual da criança não se desenvolve e os primeiros seis anos de vida são especialmente importantes para que o cérebro crie ligações neurais relevantes.

Para se ter um filho inteligente, o principal é dar-lhe amor, partilhar com ele sua vida, reforçando condutas positivas, apoio e brincadeiras, permitindo que cometam enganos, se socializem, discorram acerca de seus problemas. O jornal espanhol El País, em referência a vários estudos acerca do assunto, sugere maneiras eficazes de estimular e desenvolver a inteligência da criança, tais como: inscrevê-la em atividades artísticas, a exemplo da música e do teatro; não permitir que a criança veja televisão até os dois anos de idade; promover o entretenimento cerebral a fim de melhorar a memória em curto prazo, estimulando o uso de jogos de memória, puzzles ou atividades criativas; não deixar que a criança mexa em dispositivos tecnológicos até os três anos de idade. Sugere, ainda, que assistam a filmes em inglês, ou em outra língua estrangeira, acompanhadas dos pais, para que se familiarizem com um novo idioma. Promover a leitura de uma história com a criança antes de ela dormir, à noite, também é importante e facilitará melhorar suas capacidades e estratégias de aprendizagem, além da criatividade.

Contudo, seria relevante lembrar que, segundo estudo intitulado “Crianças, múltiplas linguagens e tecnologias móveis na Educação Infantil”, elaborado por Juliana Costa Muller e Monia Fantin, compreender aspectos da infância na contemporaneidade requer, dentre várias coisas, a percepção das relações que as crianças estabelecem em diferentes contextos sociais, mediados pela família, escola, cultura em geral e pelos artefatos tecnológicos em particular. Ao empregar tecnologias móveis, crianças pequenas podem antecipar vivências, embora corram o risco de queimar etapas e substituam linguagens e formas de expressão que não teriam construído sem instrumentos tecnológicos. Desde cedo, parte significativa de crianças já possui acesso à cultura digital; daí a necessidade de problematizar tal utilização, uma vez que muitas escolas parecem distantes dessa realidade. Várias pesquisas vêm sendo desenvolvidas no espaço infantil, com abordagem qualitativa, buscando-se principalmente uma aproximação com um grupo de crianças entre 5 e 6 anos, em uma instituição pública federal. Uma das propostas inovadoras a incluir-se aqui é a de Cícero Lucena, de João Pessoa, que diz acreditar que a adoção do tablets por professores e alunos da rede municipal de ensino, por exemplo, trará inúmeros benefícios para a educação das crianças e jovens. Vantagens que, certamente, tornarão as aulas mais atraentes, educativas e produtivas aos alunos, além de proporcionar igualdade de condições com os alunos da rede particular de ensino. Haja fôlego para os pais, educadores e crianças. Medidas cabíveis ou utópicas?

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Sobre o Autor

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Leila Cabral

Especialista em língua portuguesa, é também doutora em literatura e história pela Universidade de SP.

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