O que está se passando por essa cabeça?

O resultado do ENEM saiu um dia antes de eu escrever esse texto e confesso que não fiquei surpresa

Postado dia 20/01/2017 às 08:30 por Kelly Carrijo

enem

Foto: Reprodução

Inicialmente, vamos ter um panorama da importância da prova do ENEM em termos de processo seletivo, pois bem, ela é válida para todas as universidades particulares no Brasil e algumas em Portugal. Também temos a adesão da maioria das universidades públicas (sejam federais ou estaduais) pelo processo seletivo. Em algumas dessas, ainda sendo a única forma de seleção e a outra parte disponibiliza um número parcial de vagas (normalmente, 50% destas)

Por outro lado, temos cursinhos preparatórios e colégios que a tomam como foco principal para a preparação do conteúdo da aula de Redação e, também, para a avaliação de provas (geralmente, os três últimos anos escolares no ensino regular), a dedicação e investimento dos colégios, editoriais e sistemas de ensino em fomentar e elaborar um material de alto nível é notório.

E, mesmo com todo esse contexto, vamos aos catastróficos resultados na redação do ENEM. Sentem-se em suas poltronas e afivelem seus sensos auto analíticos, prontos?

Bem, aqui estão os números referentes a candidatos que tiraram nota 1000:

2013: tivemos um percentual de 0,009%

2014: esse numeral foi de 0,004%

2015: foi de 0,002%

2016: tivemos o índice de 0,001%

 

Mas o que há?

educacaoO crivo dos nossos corretores estão cada vez mais agudos ou nossos alunos, por sua vez, não conseguem responder à altura do que é necessário na elaboração textual? Ou, será ainda que a questão é fruto de um processo osmótico no qual uma dificuldade (leitura, interpretação, argumentação de fatos e elaboração de sugestões) intrínseca e claramente, evidente a olhos nus, permeia-se e está se espalhando com certa rapidez e pressão em todos os setores da sociedade?

Então, com certeza, é esta última alternativa a que gabarita nossa questão crucial: O que que há? O que está se passando com essa cabeça?

Quando olhamos esses números, estamos (sim , reforço o uso da terceira pessoal do plural) olhando para um reflexo de nós mesmos como sociedade, vamos tomar a responsabilidade para cada um de nós (pais , Estado e indivíduo), afinal, o professor sozinho não teria tamanha influência negativa para ser o único personagem responsável por tal cenário; sabe quando seu amigo lhe pede alguma explicação ou argumentação de determinado assunto e você não sabe como responder com uma sequência lógica (apresentação ,argumentação e solução do problema)? Ou então, quando você precisa vender sua ideia no trabalho e mal consegue fazer as pessoas te ouvirem por um minuto e logo, alguém lhe interrompe?

É claro que não estamos sendo assertivos, coesos, coerentes e claros com as palavras; afinal, a redação do ENEM quer que o candidato seja cabeça pensante: exponha, argumente e proponha uma solução para a problemática apresentada.

Por fim, já vou responder sua pergunta: e o que resolve isso? É a leitura elevada à segunda ou à terceira potência, não há outro caminho. Como se almeja que um mestre em caratê vença um campeonato? Ele treina não somente o golpe mas sim o passo a passo do golpe, exaustivamente; então, se quer treinar a escrita, treine a leitura (um passo anterior).

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Sobre o Autor

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Kelly Carrijo

Formada em licenciatura, pós-graduada em Gestão de Negócios e MBA em Gerenciamento de Projetos

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