O que era doce se acabou

Veja um resumo e saiba de fatos acarretados com a grande tragédia ambiental em Mariana/MG

Postado dia 29/12/2015 às 00:03 por Renato Faury

rio doce

Quase tudo já foi dito sobre a desgraça ambiental que ocorreu com o rompimento das barragens de contenção dos rejeitos da mineração de ferro que degradou o Rio Doce, assim como toda uma região dependente do Rio para sobreviver, a zona costeira onde deságua e a vida marinha.

No entanto vale a pena transcrever alguns itens que me parecem fundamentais para a compreensão do problema.

A lama do rejeito da mineração de ferro da barragem de Mariana/MG deve prejudicar os ecossistemas por anos. Esse resíduo é de material inorgânico, essa lama vai secando lentamente, criando uma capa impermeável por cima do solo, dificultando a penetração de água e o crescimento da vegetação.

Além da turbidez na água do Rio Doce, houve uma diminuição significativa na quantidade de oxigênio dissolvido na água, o que pode estar relacionado com a mortandade de peixes. A lama foi parar no Rio Doce, impedindo a captação de água das cidades ribeirinhas e danificando o ecossistema da região. Mortos e desaparecidos e muitos desabrigados pelo tsunami de lama.

A chegada da lama às praias de Linhares, no Espírito Santo, deve provocar uma baixa de visitantes nos balneários, afetando também o Turismo. A lama que cobriu a região não tem nutrientes que possibilitem o plantio. O material, quimicamente, é quase inerte. Não há condição nenhuma de crescer uma planta.

Foram detectados metais pesados nas amostras de água e lama coletadas do Rio Doce com índices elevados de arsênio, manganês, chumbo, alumínio e ferro. A alta concentração desses metais está associada a casos de mal de Parkinson, doenças na pele e câncer.

Houve falha de operação? Provavelmente. Descaso? Provavelmente.

A sócia estrangeira já teve problemas em outros países, o que demostra o pouco interesse além do lucro.

Nenhuma barragem pode ser considerada 100% segura. Mesmo com as manutenções e operações adequadas. O maior pecado é o descaso. O Sr. Imponderável, sempre à espreita não deve ser ignorado.

Quanto às ações e atuações dos órgãos públicos não é necessário tecer comentários. Todo mundo sabe como funciona.

Com o devido respeito aos mortos e aos que perderam tudo, até a esperança e a vontade de viver; depois de arrombado o portão (represa) é que se providenciam as trancas.

A Tranca deverá ser A SUSTENTABILIDADE, ou seja, o aproveitamento total dos resíduos. Não deve haver resíduos inaproveitáveis; descartados em qualquer atividade. Se não houver tecnologia para tal, que se pesquise. Por lucro se pesquisa. Falta na nossa legislação a obrigatoriedade de utilizar todos os resíduos de qualquer atividade, seja comercial, industrial, agrícola ou minerária.

Apesar do rompimento de barragens que deixou mortos e destruição em Mariana (MG) no último dia 5 de novembro, haverá continuidade da mineração no município, pois sem ela, não  haverá mais empregos e os serviços básicos serão paralisados; quatro mil pessoas desempregadas. A mineração representa 80% da arrecadação do município.

“Nós somos dependentes da mineração. Defender o fim da mineração é defender o fechamento da prefeitura; a cidade precisa continuar a seguir seu rumo. Querendo ou não, a vida vai seguir”. Disse o prefeito de Mariana.

Só há uma possibilidade da paralisação da atividade: deixar de ser economicamente viável. Existem tecnologias para recuperar áreas impactadas, mas a solução, como será a recuperação, terá que ser estudada. A princípio, é a vegetação com reflorestamento.

Definir um plano de recuperação da Bacia Hidrográfica do Rio Doce. Medidas de recuperação ambiental e social que contemplem a: Contenção de dano, Contenção da extensão do dano, Revitalização e restauração da bacia e indenização daqueles que foram prejudicados. Os valores de indenização devem ser definidos, após análise dos prejuízos.

Deverá haver uma estratégia, um plano de revitalização, que vai compreender revitalização, restauração da vegetação nativa e recuperação de nascentes;

Fazer intervenções para ajudar a natureza a acelerar o seu trabalho de recuperação. A região não será reconstruída como era antes. Mas há que criar as condições para que a natureza estabeleça novas condições ecológicas na bacia. Remediar determinadas áreas, monitoramento permanente.

Compartilhar:

Sobre o Autor

avatar

Renato Faury

Engenheiro civil pós graduado em Engenharia Ecológica, e Assessor do meio ambiente do LIONS Internacional Governadoria LC-5

Obs: As postagens do autor são de plena responsabilidade do mesmo, o portal se isenta de qualquer conteúdo que possa ser ofensivo.

Veja mais posts deste autor

Leia também

Assine a nossa newsletter