O que é sororidade?

Em pleno ano de 2016, ainda existem pessoas, e digo pessoas pois isso não está restrito a ser homem ou mulher, que pensam que toda mãe de recém-nascido só pode amamentar no conforto do seu lar

Postado dia 23/06/2016 às 08:00 por Fernando Muniz

 

sororidade

Foto: Reprodução/Internet

Não posso me furtar de trazer aqui nesse artigo a discussão emblemática a qual assisti essa semana hora como protagonista, hora como espectador, sobre o direito de todas as mães amamentarem os seus filhos onde quer que estejam. Pois é, parece algo óbvio não? Mas nem todos pensam assim!

Em pleno ano de 2016, ainda existem pessoas, e digo pessoas pois isso não está restrito a ser homem ou mulher, que pensam que toda mãe de recém-nascido só pode amamentar no conforto do seu lar, ou caso esteja na rua, shopping ou qualquer outro lugar é obrigada a se enclausurar em algum banheiro fétido ou a se apertar em um fraldário que dificilmente é encontrado.

Os argumentos para defesa de tal infundada teoria são os mais variados possíveis: falta de respeito com os demais, exposição do seio feminino, nojo, e pasmem até mesmo que o ato da amamentação guarda certa conotação sexual.

É bom pontuarmos que um recém-nascido em média mama a cada duas, no máximo três horas, e diante das obrigações de todas as mulheres invariavelmente ela não pode estar 24 horas ao lado de sua poltrona de amamentação, logo, quando seu filho tem fome ela lhe dá o alimento.

É impensável as pessoas trazerem esse tipo de discussão para o campo da conotação sexual, condenar a amamentação em público é mais uma faceta da lógica perversa de dominação e opressão a que as mulheres estão submetidas. Apesar da exploração intensa praticada pela mídia do corpo feminino, esse deve ser encarado com um templo: é capaz de gerar, abrigar e alimentar um ser!

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De fato o problema não está no ato de amamentar e sim na malícia dos olhos que condenam as mulheres em uma relação tão linda e singela como a relação mãe filho! Ah! Agora que me lembrei, ainda precisamos falar sobre sororidade!

Aqui peço licença para transcrever parte de um artigo publicado por uma amiga em seu grupo de magistradas “Nós por nós mesmas”, uma vez que eu seria incapaz de transmitir de forma tão genuína o significado do termo sororidade.

“Sororidade é uma aliança firmada entre mulheres, baseada na empatia, irmandade e companheirismo. A palavra não existe na língua portuguesa, oficialmente. No dicionário, a que mais se aproxima seria a palavra fraternidade, advinda do termo latino frater (irmãos), a qual, não por coincidência, significa tanto solidariedade de irmãos como harmonia entre os homens. Do termo latino sóror (irmãs), nenhuma palavra tradicionalmente se originou, como se desde a formação da língua portuguesa já houvesse a intenção de naturalizar o fato de que, supostamente, relações harmoniosas e solidárias acontecem apenas entre homens.

Assim, a sororidade, enquanto termo e enquanto sentimento, surge e se fortalece da necessidade das mulheres de compartilharem experiências subjetivas, a partir de relações positivas e saudáveis umas com as outras, formando e fomentando alianças pessoais, sociais e políticas, empoderando-se e criando elos importantes para combater e eliminar as diversas formas de opressão perpetuadas ao longo dos séculos pelo patriarcado”.

Essa é uma luta de todos nós, igualdade e liberdade já!

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Sobre o Autor

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Fernando Muniz

Atua como advogado, e é membro do Primeiro Conselho Municipal da Juventude de Mogi das Cruzes.

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