O que é ser mulher em 2016?

Neste momento, vem uma reflexão: quais são as pautas na mulher de hoje?

Postado dia 09/03/2016 às 07:53 por Priscila Nicoliche

mulher

Foto: Divulgação/Internet

Neste momento vem uma reflexão: quais são as pautas na mulher de hoje?

Resposta difícil.

Seria lutar para ter direitos que quando conquistados, parecem tão óbvios como salários igualitários para as mesmas funções exercidas?

Seria lutar pelo direito ao corpo, mexendo em questões que pertencem a um imaginário de dogmas que acompanham a civilização há mais de 2.000 anos?

Isto merece um parágrafo a mais no texto, porque que é algo muito complexo e demostra de modo exemplar quão louco é mundo em que vivemos: as vezes as mulheres lutam pelo direto a ter celulite.

Pois é.

Algo que 99,99% das mulheres tem.

Mas de alguma maneira é proibido ter. Quando a moça funkeira mostra que os furinhos estão lá no vasto bumbum é quase o início da 3ª guerra mundial!

Seria então ter o direito de ser gordinha? De ter o cabelo crespo? Liso? Black power total? Seria o direito de não ser perfeita segundo a ditadura de alguém?

Seria ter o direito de ser mãe em público e amamentar ‘sem o lencinho’? Este ‘desconforto’ das pessoas com o assunto é tão absurdo que parece uma daquelas regras das sociedades previstas nos livros de George Orwell, onde o controle do indivíduo passa por uma assepsia representada pela vergonha com relação ao corpo e tudo aquilo que vem dele.

Ou seria ainda o direito de usar shortinhos muuuito curtos nas sala de aula com direito a aparição na TV em horário nobre para defender a causa?

Neste momento, vem uma reflexão: quais são as pautas na mulher de hoje?

Acima listei alguns assuntos que com exceção da questão da amamentação e do aborto são, de certo modo, mais fáceis de contornar ou resolver. Porque  com um pouco de auto estima sempre poderemos dizer: F***** o cabelo é meu, o corpo é meu, a gordura é minha, a celulite é minha e eu vivo como quiser!

Mas tem outras coisas que não podem ser ignoradas. Dias destes eu esperava o ônibus em dos terminais em Mogi e vi uma senhora pequena, menor que eu, que tenho 1,59m, vendendo doces e balas junto com o filho, um rapaz que deveria medir 1,70m mais ou menos, demostrando alguma deficiência mental. O rapaz seguia a mãe parecendo um cabide: com os sacos de doces e produtos pendurados nos braços, nas mãos, no pescoço.

Fiquei olhando um longo tempo para ação dos dois.

Para aquela mulher não existem pautas feministas. Ela não pensa se está acima ou abaixo dos padrões de beleza.  Ela interpreta um papel que para outros seria insuportável, e o faz com toda a dignidade que é possível ter nesta situação.

Talvez por ser mulher.

Feliz dia para todas nós.

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Sobre o Autor

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Priscila Nicoliche

Priscila Nicoliche é atriz, diretora de teatro, produtora cultural por necessidade, estudiosa livre e fundadora do grupo Quântica Teatro Laboratório.

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