O Quarteto Fantástico – nada fantástico

Quarteto Fantástico 2015 deve entrar para o hall de filmes de super-heróis que não deram certo, junto com Lanterna Verde, Batman e Robin, Mulher Gato, The Spirit, Electra, Demolidor, entre outros.

Postado dia 20/10/2015 às 17:20 por Caio Bezerra

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Esqueça tudo o quê você aprendeu ou sabe sobre as origens clássicas do Quarteto Fantástico nos quadrinhos. Este reboot da franquia nos cinemas, dirigido por Josh Trank e distribuído pela 20th Century Fox, conta uma história completamente diferente dos heróis da Marvel Comics, com uma equipe de jovens que sofrem com alguns mimos e problemas de adaptação com o mundo. Nos quadrinhos, o Quarteto Fantástico é uma equipe de super-heróis criados durante a década de 60 pelos lendários Stan Lee e Jack Kirby.

Quarteto Fantástico (Fantastic Four 2015) foi anunciado em 2012 e lançado oficialmente no dia 06 de agosto de 2015. Durante o conturbado período de produção, os roteiristas Simon Kinberg, Jeremy Slater e Josh Trank já haviam anunciado que essa nova adaptação do quarteto nos cinemas seria diferente, ainda mais tendo em vista que o estúdio queria apagar completamente a marca deixada pelos esquecíveis e péssimos filmes, Quarteto Fantástico (2005) e Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007).

Na trama, o jovem Reed Richards / Senhor Fantástico (Miles Teller), com a ajuda de seu amigo Ben Grimm / Coisa (Jamie Bell), criam um dispositivo capaz de transportar matéria para uma dimensão alternativa (inspirado nas HQ’s Ultimate Fantastic Four). Após demonstrar o experimento em uma feira de ciências, Richards é convidado pelo cientista Dr. Franklin Storm (Reg E. Cathey) a desenvolver o seu projeto e estudos em um centro de operações científicas que busca investigar a dimensão paralela. No Instituto Baxter, Richards passa a trabalhar com o também gênio, Victor von Doom / Dr. Destino (Toby Kebbell) e os irmãos Sue Storm / Mulher Invisível (Kate Mara) e Johnny Storm (Michael B. Jordan). Operando juntos, eles desvendam os segredos do tecido do espaço e conseguem estabelecer uma porta dimensional para outra realidade. Após uma bebedeira coletiva, os jovens resolvem utilizar pessoalmente o dispositivo de viagem interdimensional, mas os planos falham, e ao retornar a Terra eles sofrem sérias alterações corporais e acabam virando cobaias do governo americano.

O filme em si é a definição de desastre, pois os personagens desta nova adaptação apesar de talentosos não possuem o menor carisma e seus personagens são simplesmente jogados na história sem sentido nenhum. O longa em si possui um roteiro completamente defeituoso e uma dinâmica com poucas cenas de ação (quase nulas), combates e até mesmo mistério, uma vez que o espectador não tem um minuto sequer de pausa para assimilar os acontecimentos da trama, pois eles são “cuspidos”, explicados e justificados a todo momento, como se a história em si fosse voltada para um público de pré-adolescentes que ainda estão cursando a sexta-série do colégio. A cena do confronto final, por exemplo, deixa muito a desejar, pois além de breve, não transmite ao espectador nenhuma profundidade e emoção quanto deveria, fazendo do filme uma experiência chata e tediosa de quase duas horas perdidas, pois 90% do tempo é gasto dando explicações de como os poderes dos personagens funcionam.

A computação gráfica também é outro ponto importante a se analisar em Quarteto Fantástico 2015, pois parece que ela foi feita por amadores, chegando a ser até tosco. A preguiça dos roteiristas e produtores é evidente neste filme, por exemplo, em uma cena onde aparece um macaco. Parece que simplesmente deram copiar e colar no layout do Caesar do filme Planeta dos Macacos a Origem (também da Fox), mas só que muito, mas muito piorado, com um visual gráfico horrível.

Mais uma vez o Dr. Destino, o principal vilão do filme (ou que era pra ser pelo menos) acabou sendo a principal vítima dos fiascos, e sofreu com a falta de capricho dos produtores, sendo mostrado de forma genérica, ficando em segundo plano e aparecendo mal explorado, sem profundidade alguma, principalmente em suas motivações que chegam a ser até pífias ou piegas. O final deixa uma sensação de vazio tanto nos corações quanto no bolso dos espectadores que gastaram seu precioso tempo e dinheiro indo ao cinema ver essa catástrofe, um verdadeiro insulto às obras e histórias criadas pelos lendários Stan Lee e Jack Kirby na década de 60.

Quarteto Fantástico 2015 deve entrar para o hall de filmes de super-heróis que não deram certo, junto com Lanterna Verde, Batman e Robin, Mulher Gato, The Spirit, Electra, Demolidor, entre outros. E, pior ainda, a computação gráfica empregada nessa nova adaptação do Quarteto chega a ser pior do que a de todos esses filmes listados.

 

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Sobre o Autor

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Caio Bezerra

Jornalista graduado pela Universidade Mogi das Cruzes (UMC). Atua há sete anos na área de imprensa, tendo trabalhado em diversos segmentos

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