O primeiro discurso do Presidente Michel Temer

Hoje, dia 12 de maio, em uma data histórica para a nação, Michel Temer fez seu primeiro discurso como presidente do Brasil

Postado dia 12/05/2016 às 19:31 por Pedro Henrique

temer

Foto: Reprodução/Internet

Sobre o discurso de Temer: Um discurso extremamente conciliatório, com certeza busca a atenção dos dispersos e indecisos. Além, é claro, de tentar angariar alguma confiança das forças populares e sindicais contrários a ele, e do grande empresariado espantado por ações estatais malucas da antiga “presidentA”. Claramente não pretende, pelo menos, não agora, mexer nas feridas mais escondidas do Brasil, como os gastos enormes com benefícios sociais extremamente caros e viciantes, como o bolsa família, por exemplo, um sistema de compensação social que possui apenas porta de entrada. Foi ponderado e extremamente sensato quando tratou da classe do empresariado e do agronegócio. Serão eles os grandes apoiadores deste governo, afinal, a economia privada está em queda livre e precisa de apoio estatal para ganhar impulso de crescimento; num dado momento deu entender que abrirá largamente o espaço econômico interno para investidores estrangeiros, deixou claro isto ao citar que criaria condições de investimento internacional.

Com religiosidade pessoal já conhecida, ele invoca a Deus para buscar apoio da bancada evangélica e conservadora, extremamente forte no momento atual brasileiro, principalmente na câmara dos deputados. Poucos dias atrás apareceu em um vídeo com Marco Feliciano, deputado federal (PSC). Mostra claramente sua tendência de centro, não podemos chamá-lo de socialista no termo puro, tanto que, desde a sua escolha para ser vice de Dilma eu me espantei, ele nunca teve este viés mais estreito com o socialismo. Talvez a intenção da “ex-presidentA” era ganhar confiança do empresariado e da classe jurídica. Todavia, não podemos chamá-lo de liberal. Ele é centro, tendência natural do PMDB. O PMDB sempre se mostrou ser um partido pragmático (conciliador) e seguidor dos caminhos por onde os ventos atuais soprarem. Esperemos que quando a situação pedir firmeza, ele rompa com este vício omisso de seu partido.

Por fim, foi um bom discurso, porém em demasia morno, sem procurar se comprometer com pontos cruciais e de latente separação entre o novo e antigo governo. O que deixou claro isto foi seu cumprimento a Dilma, ato extremamente pacificador e desnecessário neste momento. Não adianta, agora, tentar uma aproximação respeitosa a uma presidente que está louca para tirá-lo de lá. Seu respeito a ela deve se mostrar pela continuação das boas políticas feitas pelo governo anterior. O que ele mencionou ser o carro chefe de seu governo, manter os benefícios sociais. Cito também a boa oratória, o bom português e a coerência discursal, algo que nem sabíamos mais que existia num discurso presidencial. Esperemos os seus próximos passos para definir quem é o Presidente Temer.

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Pedro Henrique

Pedro Henrique, filósofo, ensaísta, crítico social, estudioso de política e palestrante

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