O poder da oração

Recentemente, em uma palestra numa Loja do Rito de York na Av. Paulista, foi-me perguntado sobre o poder e eficácia da oração

Postado dia 08/01/2016 às 00:00 por Antonio Carlos

oracao

Confesso que a resposta que dei (poder e a influência do pensamento) não foi suficiente e abrangente para demonstrar a potencialização (com fé) dos objetivos a serem alcançados, quando uma oração é realizada com fervor e adoração…

Ao ler descontraidamente uma entrevista do Dr. Michael Van Buren (Sociedade Teosófica da Inglaterra), a qual tratava sobre o tema “A VERDADEIRA ORAÇÃO”, percebi que suas respostas conceituais iam ao encontro de minhas crenças e convicções!

Como sabemos, o pensamento tem poder e não depende de uma deidade ou de uma pessoa; contudo, se você se unir mentalmente a uma pessoa, então estará conectado com ela.

Segundo ele, se essa pessoa corporifica ou corporificou qualidades divinas, você passa a vibrar na mesma frequência dela. Nos mundos sutis, centros de energia se constroem em torno de uma pessoa, ou de um local sagrado (exemplo: Santuário da Nossa Senhora de Aparecida), e essas energias podem ser acessadas.

Quando alguém ora a uma encarnação divina (exemplo Jesus, o Cristo), você fortalece essas qualidades, até o dia em que não haja diferença entre o seu Eu Superior e o Eu com Deus. Como digo, o seu Deus Interno e Externo se fundem; a oração se torna aquilo que somos, ou seja; buscar o “outro” mais elevado em AMOR, REVERÊNCIA e SERVIÇO!

No início do século XIX, existiu um místico russo, chamado de Theophan, que afirmou que o processo acima descrito se divide em três etapas:

  1. Oração Oral (“oração dos lábios”);
  2. Oração Focada (“mente focada no poder das palavras”) e finalmente,
  3. Oração do Coração (“oração não é mais algo que você faz, mas algo que você é”).

Segundo esse místico, as orações podem ser divididas em:

  • Orações Intercessoras – quando se intercede em benefício a outros.
  • Orações de Súplica – “Pede e receberás, bate e a porta se abrirá”. Interessante lembrar que esse é um dos significados que recebemos da Instrução no Grau de Aprendiz, ao batermos na porta do Templo Maçônico…
  • Orações de Adoração – agradecimento que torna a pessoa aberta a influências éticas (positivas) e reafirma o que é bom em sua vida…
  • Orações Centradas – uma palavra ou uma oração é escolhida como foco (exemplo do Padre Marcelo Rossi, quando pede com a ajuda do terço, uma palavra adjetivada focada insistentemente), como a oração “O Pai Nosso”, bem como os Mantras proferidos, pois a repetição é um meio de silenciar e focar a mente consciente e inconsciente.
  • Orações Meditativas – usa um texto ou pensamento para reflexão, unindo a audição e o silêncio.
  • Orações Meditativas – com suas três fases principais, ou seja; purificação, contemplação e iluminação, refletidas nos degraus da vida espiritual em que se encontra.
  • Orações de Purificação – reduz o “barulho” e tumulto mental e emocional em que vivemos, pois envolve uma vida altruísta, que minimiza a confusão e conflito das coisas materiais…

A oração de purificação permite concentrar nossa mente e contemplar uma qualidade ou um tema elevado, construindo-o em nosso caráter. Podemos usar a visualização, a imaginação e a afirmação de certas qualidades. Usar sempre a afirmação ética (positiva) na primeira pessoa do singular e no presente do indicativo, de forma que ela (oração) possa se manifestar em sua vida.

Como sempre afirmo, o Poder do Pensamento é uma ferramenta eficaz e indestrutível, pois você se torna aquilo que pensas e acredita (fé).

Você poderá remover as qualidades não éticas (negativas) do seu caráter sem combatê-las, apenas focando as virtudes opostas!

Alguém já disse certa vez:

“Vire-se para a LUZ, e a sombra ficará para trás”

Na medida em que a mente se aquieta, tocamos a profundidade do silêncio, e ouvimos GADU, ou nosso Eu Superior, a Voz do Silêncio, como já disse certa vez, H.P. Blavatsky!

Ficamos perceptivos, alertas, plenamente conscientes, e então surge a Iluminação e a União.

Essa é a meta da nossa atual evolução espiritual, como já disse Jesus,

“Eu e meu Pai somos Um”

A oração somente será útil quando praticada necessariamente com intenção, devoção e foco, pois a energia sempre segue o pensamento.

Portanto: orar em um horário regular, e num local especial para esse propósito (seu santuário), o ajudará, assim como sempre falo em minhas palestras, usar outras “bengalas” de apoio, como por exemplo, imagens, velas e incensos o ajudarão a concentrar suas energias a manter o foco, pois assim como as velas trazem as qualidades do fogo e seu Elemental (Salamandras), o incenso o afetará nos diferentes chacras do seu corpo físico, etéreo e mental, ao prolongar seu estado devocional.

Uma forma particular de oração é o ritual praticado. Ele poderá ser imensamente poderoso, ao combinar todos os elementos da oração, ou seja; intenção, significado, simbolismo, palavras de poder, silêncio, cor, incenso, música, tudo isso combinado numa ação lógica e rítmica.

O ritual é um dos métodos mais antigos e úteis usados pela humanidade para contatar o poder superior e para enviar bênçãos à pessoa direcionada e ao mundo

Por isso é que ele (ritual) é usado em todas as religiões, sejam elas monoteístas ou politeístas, bem como nas demais sociedades esotéricas…

Na Eucarística Cristã, nos tornamos Um com toda a evolução espiritual desse ciclo da descida da divindade à matéria (Jesus, o Cristo), e do seu gradual retorno, por meio da ascensão das iniciações da consciência, isto é; a comunhão, além do espaço ç===è tempo, quando retornamos ao Pai, ao início do ciclo, onde toda a vida passa a ser uma ÚNICA VIDA.

Toda essa metamorfose espiritual pode ser compreendida e resumida nas palavras do Mestre Jesus, quando lhe perguntaram o que era o primeiro mandamento: “O Senhor teu Deus é o único Senhor, e amarás o Senhor teu Deus com todo o seu coração e com toda a sua alma, e com toda tua mente e toda a sua força”

Para finalizar, a oração, enfim, é qualquer contato consciente com uma ideia espiritual.

Como sabemos, trabalhamos através das nossas emoções e mentes, da nossa psique espiritual, mas na medida em que aprendemos a “silenciar no barulho do silêncio” a nossa mente, passamos para um estágio diferente, ou seja; conseguimos transcender para o outro “degrau da Escada de Jacob” da nossa espiritualidade, onde deixamos de se Eu, para ser admitido no Plano Espiritual do GADU.

Na oração focamos o estado transpessoal, o outro, não a nossa personalidade, até o momento em que as nossas qualidades internas e externas passam a ser apenas uma, até que nos tornemos a oração propriamente dita, ou melhor dizendo; passamos a comungar junto com os Mestres da Sabedoria!

Acho que assim, dos argumentos acima descritos, creio que a pergunta no início do texto, está melhor sedimentada.

 

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Sobre o Autor

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Antonio Carlos

Antonio Carlos é mestre em economia e palestrante. Além de ser autor de vários livros voltados para ciências e espiritualidade.

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