O Plano Físico e Espiritual

Os corpos vital e mental interagem com o físico intermediados pela consciência.

Postado dia 30/05/2016 às 08:00 por Antonio Carlos

 

espiritual

Foto: Reprodução/Internet

Quando o discípulo estiver

preparado,o Mestre aparece!

(Provérbio Oriental)

 

No mundo em que vivemos, observamos que a física, como ciência exata, sempre foi considerada a principal força conceitual em que se baseavam as demais ciências.

Desde o século XVIII, a física clássica dominou com seus conceitos, definidos por Newton, Bacon e Descartes, os quais defendiam a matéria como a base de tudo que existe em suas relações de causa e efeito;

ou seja, a matéria era homogênea composta de partículas sólidas, que obedeciam às leis imutáveis de forças em movimento.

Com base nisso, o Universo tinha uma visão mecanicista, ou seja, tudo na natureza seguia as leis exatas e mecânicas, onde havia uma perfeita organização entre o movimento do todo e suas partes.

As partes se juntavam para formar o todo, e da mesma forma, teriam de ser investigadas isoladamente, para serem compreendidas as suas interações. Os seres humanos eram considerados da mesma forma, onde nada era possível influenciar nos movimentos do Universo. O livre-arbítrio não existia, todas as coisas seguiam a um movimento pré-determinado e previsível.

No final do século XIX, cientistas como Clerk Maxwell (conceitos de eletrodinâmica) e Darwin (teoria da evolução), começaram a abalar as estruturas divulgadas até aquele momento.

A partir daí, o desmoronamento da física clássica ruiu de vez, com as descobertas no início do nosso século (investigação dos fenômenos atômicos e da teoria da relatividade de Einstein), bem como cientistas renomados como Amit Goswami (Ph.D., em física e professor na Universidade de Oregon), cujo jornal Folha de São Paulo do mês de Novembro/96, comentou suas explanações em sua obra de 04 volumes Quantum Mechanics, o qual aborda aspectos de uma nova medicina e biologia integradas, como ressonância mórfica, integração das medicinas orientais e ocidentais, como forma de compreender o fenômeno de kundalini e uma teoria de sobrevivência e reencarnação. Ele acredita que essa nova ciência, possui todo o potencial de abranger toda a cadeia do ser, com o paralelismo biopsicofísico.

Esse novo paradigma da ciência pode explicar racionalmente, a psicologia transpessoal e outros campos do conhecimento que estão surgindo atualmente, tais como; explicar o papel da consciência, o qual é importante entender  os conceitos de mecânica quântica. Segundo ela, se dividirmos um objeto em pedaços cada vez menores, chega-se às unidades subatômicas (elétrons, prótons, etc…), descobrindo-se que elas não são sólidas e não mantém mais suas características anteriores.

Descobre-se ainda, que essas unidades não tem dimensão e podem manifestar-se tanto em forma de partícula como em forma de onda, dependendo da situação, embora não sejam nem uma nem outra.

Essas manifestações eram chamadas de quanta (plural de quantum = partícula de onda, de onde veio a expressão quântico), e podem constituir-se matéria-prima de todo o Universo.

A natureza “mutante” da matéria (também comum para a luz, os raios gama, raio X e ondas de rádio), forçou os cientistas a redimensionar as teorias sobre a realidade da matéria.

Eles dizem que não podem afirmar com certeza, a realidade da matéria, mas que ela “tende a existir” e que os eventos atômicos não ocorrem no tempo e do modo esperados, mas possuem “tendências a ocorrer”, o qual a física chama de probabilidades.

Para Goswami, “as coisas não são coisas, e sim meras probabilidades, a despeito da dificuldade que se possam ter para crer nisso”. Ou seja, a sabedoria milenar já afirmava esses conceitos, pois na alegoria da caverna de Platão, há uma noção similar, pois o que existe na realidade são formas arquetípas e o mundo é um reflexo, sombras dessas formas.

O mesmo se dá na cultura hindú, a qual afirma que o nome aparece antes da coisa (uma vez que existe a idéia da coisa a que se dá o nome).

As culturas místicas muçulmanas e cristãs referem-se a esse fenômeno como “objetos do Paraíso”, primeiro surgindo de uma forma mais abstrata, para depois se materializar.

E como essa “materialização acontece?

Segundo ele, é aí que entra a consciência: os objetos são possibilidades de existência enquanto nós não estamos observando.

Só quando se passa a observar o objeto é que ele se torna uma entidade tangível e concreta., pois segundo a física, quando você está testemunhando algum objeto, suas partículas têm uma posição fixa e definida; quando a sua atenção se desvia, essas mesmas partículas podem estar em lugares e situações diferentes.

Para entender o que ele diz, vejamos o desenho ao lado, o qual apresenta duas imagens diferentes (dependendo do ângulo que se observa), podemos ver o desenho de uma moça ou de uma anciã. O objeto pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo porque ele também tem uma natureza de onda. Quando você observa, a onda entra em “colapso”, ou seja, ela se transforma em uma partícula. A materialização dessas ondas acontece instantaneamente, sem intervalo de tempo e sem local definido. Ou seja, a consciência por natureza já possui a característica de materializar implícita nela mesma.

Quando vemos uma ou outra, estamos reconhecendo aquela versão, não estamos atuando sobre o desenho. Essa é uma demonstração de como a consciência opta por um tipo de colapso em termos de materialização de um determinado evento. Isso só é possível se encararmos a consciência como a base de tudo.

A matéria é uma das diversas probabilidades de manifestação da consciência.

Em suma; a consciência tem as seguintes características:

– a sua natureza é transcendente;

– está além do espaço-tempo;

– não é de natureza dualística;

– não é só de uma possibilidade (ela converte a possibilidade em evento através do reconhecimento e de escolha; e a mais importante; nós somos essa consciência).

Segundo Goswami, nós somos ligados ao divino, como nas tradições místicas e espirituais, mas que ainda não acordamos para isso. “Não estamos separados do Universo, mas envolvidos por ele, e cada parcela do Universo contém o todo.

A física quântica apoia esses conceitos espirituais e os da psicologia transpessoal, na medida em que eles tentam descerrar o véu da consciência a níveis mais elevados.

A meditação e a maioria das tecnologias do sagrado, apresentam a mesma finalidade.

As tradições esotéricas sugerem que a consciência não tem só a possibilidade relacionada à parte material, mas possui outras alternativas inerentes. Isso pode-se observar nos Upanishades hindús e na cabala judaica, o qual afirmam que a consciência é uma superposição de níveis de cinco corpos (o físico, vital, e o mental são corpos de natureza densa, de substância, e os corpos causal e cósmico).

Um exemplo disso é que ela também pode “colapsar” partículas simultaneamente, mesmo em dois cérebros diferentes e transferir a informação (o que constitui a explicação para a telepatia, que utiliza também o corpo metal). O mental e o vital unem-se ao corpo físico e dão-lhe significado.

Da mesma forma que o corpo físico tem vida, há mapas de vida no corpo vital, o vital e o mental são corpos quânticos, a mente não tem divisão micro e macro, e diferem do físico porque obedecem ao princípio da incerteza no que tange à sua posição e velocidade. Isso se traduz no fato de não detectarmos a energia vital de alguém e o pensamento, felizmente, não ser compartilhado com outras pessoas, pois ocorre instantaneamente.

O cientista inglês Rupert Sheldrake desenvolveu a teoria do campo morfogenético, que seria a matriz de toda a forma e evolução constantes nos programas do corpo vital e que são mapeados no físico através do fenômeno de ressonância mórfica. A física quântica desenvolveu o conceito de que é pela ressonância mórfica que a consciência escolhe a atualidade proposital dentre todas as possibilidades que a mutação  pode criar. Essa abordagem nos permite agora entender, que a cura corpo-mente não deve ser esquecido o papel da energia vital.

O corpo físico mapeia o corpo vital, mas esse mapeamento pode ficar desconexo, na medida em que se tem acesso ao corpo vital, pois o registro inicial está lá, e com esse acesso poderemos fazer mapas mais criativos.

Os chacras são pontos onde o corpo físico e o vital se encontram e nos dão uma idéia de como a energia vital (prana) mantém seu fluxo. Como exemplo poderia-se citar, que os românticos sabem o que é sentir “a dor no peito”, e os nervosos, uma sensação desagradável na altura do estômago, onde esses sintomas são movimentos condicionados do prana.

No kundalini, o que se procura buscar, é mudar esses movimentos novos do prana. Elevar o kundalini, significa acessar com maior freqüência, o corpo vital e fazer novos mapas.

Existem aqueles que acreditam e afirmam, com base nesses conceitos, que o vital e o mental sobrevive ao corpo físico, e as experiências da reencarnação são provas diretas disso. Com base no conceito “memória quântica”, criou-se um modelo que toma para si mesmo os padrões do carma de um corpo encarnado para outro que encarnará no futuro.

Alguns aspectos da consciência são imperecíveis e a consciência precisa existir, pois sem ela a natureza quântica simplesmente não seria o que é.

“Estamos enfim desenvolvendo uma física da alma. Chegou a hora”, explica Goswami.

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Sobre o Autor

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Antonio Carlos

Antonio Carlos é mestre em economia e palestrante. Além de ser autor de vários livros voltados para ciências e espiritualidade.

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