O novo Brasil dos velhos brasileiros

O começo da era Michel Temer é marcado pela emergente consciência política anticorrupção da nova oposição de esquerda

Postado dia 16/05/2016 às 09:00 por Wilson ADM

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Foto: Reprodução/Internet

E foi votado que sim, que Dilma Rousseff deveria ser afastada da Presidência da República pelo período de seis meses. Houve uma comemoração tímida dos senadores de oposição, respeitosa até então, pois o Brasil vive um momento delicado nos âmbitos político, econômico e social.

Então como primeiro ato sendo o novo Presidente Interino do Brasil, Michel Temer já indica seus novos 23 ministros, reduzindo o número de ministérios que eram utilizados pelo governo da Dilma. Dentre as modificações efetuadas, as mais polêmicas foram: o ministério da Cultura, que voltou a ser de Educação e Cultura, e outros como o das Mulheres, Direitos Humanos, Igualdade Racial e Juventude, que passaram a ser responsabilidade do Ministério da Justiça.

Essa redução e junção de ministérios causou grande revolta por parte dos novos oposicionistas, que acusam o governo Temer de retrocesso social e político. As redes sociais desde então tornaram-se palco de troca de ofensas entre quem apoia o governo e agora quem faz oposição.

Mas não é possível que a centralização de diversos ministérios em apenas um desconfigure o Brasil. Crimes contra a mulher, racismo e abusos com crianças e adolescentes ainda serão tratados na justiça com as mesmas punições cabíveis do governo anterior. É preciso tomar cuidado para que isso não crie uma atmosfera de “vitimismo populista” que tome uma forma maior do que realmente é, pois o Brasil tem feito evoluções significativas em relação as políticas sociais, mas é claro que os militantes nunca estão satisfeitos. Esse discurso batido de que o Brasil voltará a ser com foi na década de 60 é para somente incentivar o pensamento de violência nas pessoas alienadas que se envolveram com política.

Além da redução de ministérios, corre a polêmica de sete ministros de Temer serem investigados na Lava Jato, quando na verdade, apenas três tiveram realmente os nomes citados, são eles: Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima e Romero Jucá. Embora os três tenham agora foro privilegiado, apenas o senador Romero Jucá é realmente investigado pela operação, mencionado em uma delação premiada pelo ex-diretor de abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que o indicou como um dos beneficiários dos desvios realizados em contratos da Petrobras. Os outros quatro ministros supostamente citados como investigados, apareceram na famosa lista do Odebrecht, mas essa indicação na lista é tudo que consta até o momento.

É engraçado que agora os petistas se importam e denunciam a corrupção e ministros investigados, mas tiveram mais de uma década para mostrar esse repúdio nas escolhas erradas que o governo de Lula e Dilma fizeram. Agora, emerge a “consciência política” e a intolerância ao corruptos, mesmo poucos meses depois de terem apoiado a entrada de Lula no ministério da casa civil, sendo esse réu da operação Lava Jato. Pouco tempo atrás, consideravam José Dirceu e José Genuíno como heróis do povo, dando a eles o “honroso” título de presos políticos, quando na verdade eram políticos presos.

A polarização é isso, girar a roda sempre em 180 graus, não deixando outras perspectivas sobre a política brasileira, sempre com cabresto e rédeas, o Brasil do 8 e do 80, novamente assistindo a população se defender dando cabeçadas. O Brasil continua dividido. A oposição está furiosa com a queda de Dilma e dá seu recado. Não haverá paz para os coxinhas.

Mas agora é tempo de analisar bem o Temer vigiando seus passos e atitudes, embora o Brasil esteja deficiente em diversas áreas, a mais importante no momento é a ressurreição da economia brasileira, que continua ruim e esse ano o país deve ter um PIB ainda menor que do ano passado. O Brasil vem sofrendo com queda na produção, queda na importação e queda no consumo. É preciso foco! É preciso que nesse momento o governo seja pragmático, e resolva de maneira lógica, reta e direta essa grande dificuldade que tira o sono, o dinheiro, a saúde e a paz dos brasileiros. É um processo simples, e não há mais espaço para drama no Brasil.

 

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