O Misticismo da Ceia de Endoenças

Anualmente, em nossos Templos  Maçônicos, são realizados uma profunda cerimônia mística, que transcende a ritualística, com características de cunho puramente espiritual, filosófica e meditativa.

Postado dia 18/10/2016 às 09:00 por Antonio Carlos

Foto: Reprodução/Internet

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Trata-se da Cerimônia de Endoenças, a qual é compartilhada com os irmãos integrantes dos graus filosóficos maçônicos da uma Loja Rosacruz (grau 18).

A Quinta-feira Santa, ou Quinta-feira de dores e temores (daí o nome de Endoenças), é a quinta-feira imediatamente anterior à Sexta-feira da Paixão da Semana Santa.

Essa data marca o fim da Quaresma e início do Tríduo Pascal (festa com 03 dias consecutivos religiosos) de, na celebração, que busca resgatar do nosso Inconsciente Coletivo (arquivos akashicos), a última Ceia Mística do Senhor Jesus, o Cristo, com os seus 12 (doze) Apóstolos.

ceia2Dentro dos ofícios do dia, adquire-se uma importância especial, simbólica e mística, o famoso “lava-pés”, realizado pelo sacerdote, no qual nos faz refletir a importância do gesto realizado pelo Senhor Jesus.

A “chamada última ceia” de Jesus, com os seus “shaberim” (em hebraico, os membros escolhidos para a sua ceia), foi um “kidush” (da raiz kodesh = santo, sagrado), que também é a origem da eucaristia.

kidush era realizado na véspera de uma festa religiosa, ou na véspera do shabbat (sábado, o dia santificado), para realçar a santificação do dia, que precedeu a “Pessach” Passagem, Páscoa, lembrando a saída do Egito — todavia, como a sexta-feira era dia de preparar os alimentos que seriam consumidos no sêder (jantar da Páscoa) e de queimar hametz (alimentos impuros, proibidos durante a Páscoa), o kidush era recuado para a quinta-feira.

Como a maçonaria é baseada nos princípios fundamentalmente hebraicos, e para aqueles que desejarem saber mais detalhes sobre os usos e costumes hebraicos, tais como a cobertura da cabeça desde a brit-milá (circuncisão), o chapéu negro ou kipá, também conhecido como solidéu (do latim soli Deo = só a Deus) que é obrigatório nas cerimônias litúrgicas, os maçons também utilizam chapéus (a partir do grau de mestre maçom), sendo o Presidente de Loja deve obrigatoriamente utilizá-la em todas as sessões e graus ministrados, recomendo a leitura de um excelente livro “A Maçonaria e sua Herança Hebraica” – Editora A Trolha – José Castellani – 1.993.

A Maçonaria, geralmente, assim como no judaísmo, a cobertura da cabeça, além de mostrar que, acima da cabeça do Homem, existe algo mais transcendental, Onisciente, Onividente e Onipresente, que é Deus, assim também chamado e conhecido na Arte Real, como Grande Arquiteto do Universo, pois nos faz enveredar na pequenez humana e a prostração do Homem perante Deus, pois sendo a cabeça, a sede da mente e do conhecimento, estando ela assim coberta, demonstra a incapacidade humana de ousar entender a divindade, o que é, praticamente, uma afirmação agnóstica.

ceia1Em última análise, a prova da submissão do Homem à Deus!

Os referidos ofícios da Semana Santa chegam à sua máxima relevância litúrgica na Quinta-feira de Endoenças (do latim: indulgentias), quando começa o chamado tríduo pascal, culminante na vigília que celebra, na Noite de Sábado de Aleluia, a ressurreição de Jesus Cristo no Domingo.

Na Missa dos Óleos (Santos Óleos) ou Missa do Crisma, a Igreja celebra a instituição do Sacramento da Ordem e a benção dos santos óleos usados nos sacramentos do Batismo, do Crisma e da Unção dos Enfermos, onde os sacerdotes renovam as suas promessas!

Assim como no paganismo, e também em outras  culturas deistas e teístas, era necessário para aplacar a “ira” dos deuses, oferecer animais e mulheres vestais (virgens) para sacrificar através da oferenda do fogo, e em outras religiões, aos elementos do ar e a água e a terra (com os seus Seres Elementais Salamandra – Fogo; Ondinas – Água, Elfos – Ar e Gnomos  – Terra) a purificar e pedir o perdão pelos pecados dos seus povos, na Antiguidade.

Acredito ser oportuno lembrar e relembrar para alguns, porque a Igreja Católica em suas homilias e cerimônias litúrgicas afirma que Cristo é o “Cordeiro de Deus” e que veio à Terra para “tirar os pecados do mundo (humanidade)”.

Na Quinta-feira de Endoenças, Cristo ceou com os seus apóstolos, seguindo a tradição judaica do “Sêder de Pessach” (conforme anteriormente explicado) já que segundo esta deveria cear-se um cordeiro puro; com seu sangue, deveria ser marcada a porta em sinal de purificação; caso contrário, o anjo exterminador entraria na casa e mataria o primogênito dessa família (décima praga), segundo o relato que consta no livro de Êxodo.

maconariaNesse livro, pode-se ler que não houve uma única família de egípcios na qual não tenha morrido o primogênito, pelo que o faraó permitiu que os judeus abandonassem o Egito, e eles correram o mais rápido possível à sua liberdade; o faraó rapidamente, arrependeu-se de tê-los deixado sair, e mandou o seu exército persegui-los, mas Deus não permitiu e, depois que os judeus tinham passado o Mar Vermelho, fechou o canal que tinha criado, afogando as tropas egípcias.

Para a religião católica, o cordeiro pascoal, a partir dessa história, passou a ser o próprio Jesus, o Cristo, ser referência imaculada dessa oferenda, que entregue em sacrifício pelos pecados da humanidade, e dado como “alimento espiritual”, através da hóstia banhada em seu sangue (vinho) possa redimir os pecados de toda a Humanidade…

Na Maçonaria, a cerimônia celebrada na Quinta-Feira Santa, possui entre os muitos significados esotéricos, a mística cerimonial da encenação, tal como Jesus, o Cristo, compartilha seu corpo e sangue com seus apóstolos, o Presidente da Sessão Maçônica, também compartilha o pão no vinho consagrado, comungando com seu Eu Interior, seu Sanctus Santorum, com todos os IIr.’. presentes, divulgando na sua fala: “aprendei e ensinai…” distribuindo a “nutrição”, que simboliza o sangue e corpo de todos os Cavaleiros presentes, para que as “forças” da  Vida sejam aumentadas; a inteligência seja sã e sincera entre todos, e que a Verdade possa ser encontrada no âmago de cada irmão, para que as aspirações individuais possam ressoar em uníssono energético com o nosso Grande Arquiteto do Universo!

 

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Sobre o Autor

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Antonio Carlos

Antonio Carlos é mestre em economia e palestrante. Além de ser autor de vários livros voltados para ciências e espiritualidade.

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