O livro mais fascinante

Nenhuma outra obra, de qualquer época e lugar, tem o impacto da Bíblia. Não é preciso ter lido o livro para sentir sua influência. E existem bons motivos para isso

Postado dia 14/09/2015 às 15:24 por Tiago Cordeiro

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Nossa espécie surgiu neste planeta há mais ou menos 200 mil anos. Antes mesmo disso, nossos antepassados primatas já enterravam seus mortos junto com ossos, armas, mantos, pedaços de pedra e madeira, conchas e chifres. Por que, num ambiente hostil e cheio de predadores, perder tempo cuidando de mortos? Cavar covas já parece um sinal de esperança em uma vida após a morte. Guardar os corpos junto com amuletos beira a certeza: aquela pessoa não desapareceu. Ela se transformou e precisa daqueles objetos para a próxima etapa. Daí para erguer pirâmides, catatumbas de até 50 mil metros quadrados que até hoje nos fascinam, é apenas um passo natural.

Tudo isso para dizer que a religiosidade acompanha a história dos seres humanos e é muito, mas muito mais antiga do que a Bíblia, com seu relato, bem estranho para a época, de um deus único, criador de tudo sozinho. O mundo conhecido da época era politeísta e todas as civilizações importantes dedicavam muito tempo de suas vidas a cultuar entidades que cuidavam do tempo, da saúde dos familiares, da fertilidade dos campos e das mulheres. E, principalmente, que zelavam pela existência em outros planos.

Esses deuses e suas trajetórias tinham muito em comum. Mas o Javé dos hebreus era diferente, quase incoerente em sua capacidade de unir características que, para os outros povos, seriam distribuídas para entidades diferentes. Os hebreus também inovaram ao centralizar todo o conhecimento religioso em uma enciclopédia de livros, escrita, reescrita, editada e compilada ao longo de vários séculos, resultado do trabalho de dezenas de pessoas que, de alguma maneira quase milagrosa, alcançou um grau impressionante de complexidade.

Minha trajetória espiritual foi um tanto tumultuada. Católico na infância, kadercista por alguns meses na adolescência, ateu por uma década (durante a qual frequentei candomblés de Salvador), praticante de ayahuasca em períodos eventuais mas decisivos e agora juremeiro convicto, sou apenas mais uma pessoa insatisfeita com as limitações do nosso plano. Mas nunca, nem mesmo em meu período de ateísmo, abandonei a curiosidade pela Bíblia. E não estou sozinho: com a possível exceção de uma ou outra tribo isolada, é praticamente impossível imaginar um ser humano nascido ou morando no Ocidente que não seja impactado, todos os dias, pela coleção de livros que abarca a fé de judeus, cristãos e muçulmanos. Nem é preciso ter lido suas histórias ou as regras de conduta descritas ali. Nossas lendas, nossos julgamentos morais, tudo está centrado nesta obra.

E é por isso que, ao ser convidado para participar deste projeto tão bacana, não tive a menor dúvida sobre o tema de minha coluna. Quinzenalmente, vamos discutir a Bíblia, suas origens, seus relatos e seus personagens. Começando pela própria história da obra em si. Até lá!

 

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Sobre o Autor

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Tiago Cordeiro

Pós graduado em Literatura Brasileira. Trabalhou pelas revistas Veja, Época, Galileu, apaixonado pela área de tecnologia e religião.

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