O Lado Oculto dos Sons…

A ciência esotérica nos ensina que alguns dos atributos que formam o Universo são formados por cores e sons

Postado dia 18/05/2016 às 08:00 por Antonio Carlos

 

sons

Foto: Reprodução/Internet

Quando nos referimos ao Universo, a sua representação possui um conceito tão abrangente que costuma-se falar apenas em consciência divina… E é por essa consciência global que se encontram todos os predicativos dessas possibilidades, que se transformam em coisas viventes, com nome e forma do universo que nos cerca e nos envolve. Esses germes, essas possibilidades, manifestam-se por meio do Som!

Essa Consciência Divina, essa Consciência Suprema, que pela falta de uma explicação maior, nós humanos costumamos expressar nominalmente por Deus, que se manifesta por meio de vibrações sonoras…

Segundo a Sabedoria das Tradições, também conhecida por Gupta Vidya,  nos ensina que os sons sagrados, os sons que construíram algo, esse algo que vem de cima para baixo (conforme nos ensinou Hermes Trimegisto, na sua Tábua de Esmeralda), e vai se formando nos diversos “planos” da Natureza, dos mais sutis (Plano Mental Abstrato) aos mais grosseiros (Plano Físico).

A Sabedoria Iniciática das Idades nos ensina  o mantra “OM” como sendo o Som Sagrado.

Esse mantra, segundo a tradição hindu, os Universos construídos (com seus mundos paralelos…) são produzidos pelo OM, a palavra sagrada formada de três letras sânscritas a saber; AH, OH, e MA, ou melhor dizendo, AUM, que segundo o Mundakya Upanishad (escrituras hinduístas – Vedanta), é o nome mais precioso do Espírito Eterno, Onipresente, Onisciente e Universal…

Dessa forma, tudo que existe no Universo é proveniente das vibrações sonoras produzidas por intermédio desse som sagrado (OM).

Para entendermos melhor a profundidade desse poderoso mantra, precisamos compreender como funciona esse Processo Iniciático, ou melhor dizendo; a Ciência dos Sons.

Para isso, precisamos mergulhar no cadinho do processo alquímico do nosso Eu Interior, como numa verdadeira Iniciação, para pronunciar corretamente o som, de tal forma que ele possa criar algo!

Para obter o mundo das formas, o Mundo Arquétipo, a Consciência Divina, ou se quiser Deus,  potencializa-se nos sete sons que conhecemos, ou seja, Dó, Ré, Mí, Fá, Sol, Lá, e Sí. Tais sons se potencializam, de tal forma, que o seu resultado final é a natureza que nos envolve…

Para entendermos melhor seu funcionamento, em que “O Verbo (Som) se fez carne”, precisamos compreender a respeito dos mantrans (plural de mantra), com todos os seus atributos evolucionais.

Os mantrans, quando corretamente pronunciados, tornam-se ferramentas poderosas para o “despertar” em todas as possibilidades inatas e ocultas em nós e ao nosso redor, relativos a todos os planos do universo que encobrem o nosso princípio espiritual. O poder dos mantrans é capaz de fazer vibrar e ativar as diferentes matérias e formas nos diferentes planos existentes do Universo, produzindo, consequentemente, fenômenos de várias ordens.

Diz a Tradição que um mantra não deve ser tocado ou cantado unicamente. Ele (mantra) precisa ser acompanhado pelo poder do pensamento (Plano Mental Abstrato – Concreto), de acordo com a combinação de sons produzidos.

Todo mantra proferido precisa ser absorvido, compreendido e vivido!

Dessa forma, o Universo foi concebido pelo Som, que sintetiza a Matéria e a Energia Cósmica que atualmente conhecemos, interpenetradas pelo Plano Atma (segundo Helena P. Blavatsky nos ensinou), que é a centelha divina que está imanada e magnetizada em tudo e em todos, produziu o mundo da forma, dos nomes e dos seres viventes…

Como sabemos, a Matéria ou Akasha (arquivos de “tudo” que ocorreu, ocorre ou ocorrerá no Universo), possui todas as características capazes de produzir som.

Por isso, o termo Akasha também é conhecido como a “Raiz  Psíquica do Som”, pois ela pode ser considerada como toda a matéria que constitui todos os Planos de Manifestação do Criador.

Conforme nos ensinou Pitágoras, através de sua teoria “Música das Esferas”, todo ser que se materializa neste mundo, possui uma “corda conectada com o Éter”, onde através de suas ações, omissões e pensamentos, vibram em um determinado diapasão, produzindo sons (karma). Por isso somos todos personagens que se manifestam por meio do som (per – sona) no mesmo palco da vida…

A constituição setenária da Consciência Divina, que é o centro de irradiação de Consciências e Energias, é um dos caminhos para compreendermos um pouco, a Sabedoria Divina, que estão irradiadas nas diversas doutrinas místicas de todos os povos.

Essa constituição setenária, que as várias correntes místicas, teosóficas e ocultistas, chamam de Sete Forças Auto Envolventes da Força Única e Sem Causa. Cada uma dessas Sete Forças, Sete Energias, é a expressão dinâmica da Consciência Cósmica.

Uma dessas Sete Forças, ou também chamadas de Sete Energias, tem seu nome em sânscrito conhecido por Mantrikashakti (força da palavra como verbo, ela age no mundo humano como som da criação).

Ela representa a força mística do som, ou verbo, traduzindo a harmonia cósmica, na beleza e na arte.

É importante assinalar que mais de um Grande Iluminado, Membro da Excelsa Fraternidade Branca, alcançou as culminâncias da espiritualidade pelo caminho das Artes. Podemos citar no Ocidente, dentre outros, Dante, Leonardo da Vinci, Wagner e Beethoven.

Esse Verbo manifesta-se como Ritmo, Melodia e Harmonia.

Acentuemos que os mantrans sagrados baseiam-se no perfeito entendimento dessa ciência, a qual durante milénios pertenceu às Escolas Iniciáticas Secretas.

Daí a criação dos bailados, que visavam perpetuar o conhecimento de certas leis ocultas relacionadas com as invocações às Potestades ou Deuses da Natureza.

Mais tarde, à dança exclusivamente rítmica acrescentou-se uma expressão de doçura graças a certos gestos, especialmente das mãos, que ensinavam a melodia dos cânticos evocadores das Potestades adoradas.

Conforme diz nosso irmão Carlos Coimbra, em seu artigo “Música no Processo Evolucional”, a Mantrikashakti “é a força mística do som ou verbo, expressando a harmonia cósmica e, portanto, em sentido lato, inclui tudo que diz respeito ao aspecto da beleza e da arte. O caminho das Artes representa, possivelmente, para o homem desse planeta, o caminho mais simples para a libertação”.

O caminho escolhido por aqueles que tiveram a sensibilidade de seguir essa trilha (Artes), conseguiram aproximar-se com a energia pura que está impregnada no Cosmos…

Segundo a Tradição, um bom exemplo dessa observação, são algumas das melodias clássicas produzidas pelos Grandes Mestres da Música (Mozart, Bach, Beethoven, etc.), que se aproximam sonoridade musical celestial, entrando dessa maneira, no mesmo “Diapasão Universal”, propiciando para aqueles que a ouvirem com o coração e sentimento, o contato direto com as forças que rodeiam o nosso Universo.

Exemplo disso são as melodias que ficam perenizadas (séculos e séculos), sem que as mesmas caiam no esquecimento popular, em contradição como as outras, dito populares, que fazem enorme sucesso apenas por um curto espaço de tempo.

Para aqueles de desejarem se aprofundar sobre o assunto (música), recomendo a leitura do livro “As Energias Curativas da Música”, de Hal A. Lingerman, o qual é recomendado e/ou sugerido músicas específicas para energizar o corpo físico, dissipar a raiva, hiperatividade, relaxamento e devaneios, etc.

Como verificamos, o Verbo (Som) é considerado pelas tradições antigas, como causa e efeito da manifestação do mundo, pelo Ser Infinito e Inominável, pelo qual chamamos de Deus. Tal verbo se manifesta como Ritmo, Melodia e Harmonia, sendo que  para cada manifestação do Verbo, existe uma ciência, com o devido apoio do Ritmo e Harmonia, para introduzirmos   no mundo da Harmonia o entendimento espiritual.

Convém lembrar que essas três manifestações da Força, ou Poder Místico dos Sons, se relacionam com os três centros de atividade em nosso interior, ou seja; o Físico, o Anímico e o Espiritual.

O Físico está ligado ao Ritmo;

O Anímico está conectado a Melodia, e

O Espírito está relacionado com a Harmonia.

O Verbo (Som) ou a música perfeita será direcionada a equilibrar os três elementos da suprema manifestação!

Os Iniciados, conhecendo a Ciência dos Sons, que pela sua profundidade esotérica, são capazes de realizar seus intentos e objetivos, pois tal conhecimento permite equilibrar esses três princípios fundamentais do Verbo em Ação.

Da mesma forma, a pessoa Iniciada poderá utilizar tais princípios herméticos dos sons, para produzir maior ou menor predominância sobre os outros (Físico, o Anímico ou ainda, o Espírito).

Vale ressaltar que tais mantrans se baseiam no perfeito entendimento dessa ciência, que pertence há milênios às Escolas Iniciáticas e Secretas.

Nas primeiras etapas do ciclo da evolução humana, durante as Raças Primitivas, o Ritmo era considerado como princípio básico de toda a adoração religiosa ou sacrificial.

Dai, a criação dos bailados, como já foi mencionado anteriormente, que visavam perpetuar o conhecimento de certas Leis Ocultas, relacionadas com as invocações às Potestades ou Deuses da Natureza.

Como sabemos, a arte dos cânticos e a poética, fundidas numa só, são consideradas a manifestação mais perfeita do Verbo Criador.

Helena Pretrovna Blavatsky, em sua obra “Por Grutas e Selvas do Indostão” faz referências aos bailados e músicos tocados e dançados com extrema perfeição, e que, pelo conhecimento da música diferenciada e dos mantrans entoados, conseguiam perpetuar as vicissitudes de uma história atribulada, uma ciência não escrita em livros, mas transmitida veladamente, por meio oral, todos os conhecimentos adquiridos…

Para todos os povos antigos, o poeta era o eleito e o inspirado dos Deuses, pois segundo alguns, as qualidades proféticas desses cantores que chegavam a penetrar em Arcanos transcendentes, inacessíveis à ciência comum dos homens.

É bem possível que os Iniciados da antiga Grécia, tinham esses conhecimentos a respeito dos aspectos filosóficos e terapêuticos da música, dos egípcios, os quais consideravam Hermes, o fundador da Arte.

Segundo a lenda, esse deus construiu a primeira lira esticando cordas através da concavidade de uma casca de tartaruga. Ambos, Ísis e Osíris eram os patronos da música e da poesia.

Nos antigos mistérios, a lira era considerada como símbolo secreto da constituição humana, sendo o corpo do instrumento representando a forma física, as cordas, os nervos, e o músico, o espírito. Tocando sobre os nervos, o espírito assim criava as harmonias de um funcionamento normal o qual, tornava dissonante se a natureza do homem estivesse corrompida.

Concluindo, todo o Universo é produzido pelo Som, tudo é Verbo que se fez carne, e que estamos na Terra na busca incessante da Harmonia, (internamente conosco mesmo, ou  com os relacionamentos com os demais homens encarnados na face da Terra), como que parodiando nosso Mestre Pitágoras, em sua Teoria sobre a “Música das Esferas”, o perfeito equilíbrio harmônico com todos os seres do Universo…

 

Bibliografia Pesquisada
Boyer, Carl B. – História  da Matemática – Ed. Edgar Blucher
Instruções – Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento (SP)
Jinarajadasa, C. – Fundamentos de Teosofia – Ed. Teosófica
Lingerman, Hal  A. – As Energias Curativas da Música – Ed. Cultrix
Oliveira, Antenor S. de – Biografia de Cientistas – Ed. Edsol (SP)
Papus – Tratado de Ciências Ocultas – Vol. I e Vol. II – Ed. Três
Pires, J. Herculano – Os Filósofos (Coleção Vidas Ilustres) – Ed. Cultrix
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Sobre o Autor

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Antonio Carlos

Antonio Carlos é mestre em economia e palestrante. Além de ser autor de vários livros voltados para ciências e espiritualidade.

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