O governo na caixa dos afogados

A crise no Brasil chegou a tal ponto que, o que vemos hoje diariamente, não passa de um governo desesperado para fugir da sua própria arca de burla

Postado dia 11/05/2016 às 09:00 por Pedro Henrique

 

gatos

Foto: Reprodução/Internet

Uma das minhas brincadeiras quando crianças consistia em pegar meus dois gatos, colocá-los numa caixa de papelão com a boca virada para baixo enquanto eu ia molhando a caixa por fora, até que a água penetrasse seu interior. Confesso que era uma brincadeira idiota e com certo teor de maldade infantil, porém, totalmente inocente, afinal não pretendia matar os gatos. Pretendia apenas ver seu desespero ao arrumar alguma maneira de sair daquela caixa, nada que a Discovery Channel não faça com humanos. Por isto, Green Peace, não me processem por um susto nuns gatos, vão procurar uma baleia para salvar ou uma árvore para abraçar.

Hoje nosso país vivência algo parecido com as minhas torpes diversões de outrora, mas com algumas diferenças pontuais. Hoje a caixa de papelão são as mentiras contadas por um partido, ou seja, esta Atlântida petista: o Brasil sem crise. Todo este picadeiro em forma de caixa aprisionadora foi criado pelos próprios gatos — o governo —, isto mesmo, ao contrário da minha infância, não foi uma criança sem vídeo-game que os prenderam numa caixa qualquer. O governo quem criou esta grande caixa, foram os gatos que de forma masoquista colocaram-se neste estojo de papelão jurando estarem protegidos de suas próprias marotagens. Talvez achando que ali seria seu abrigo seguro, seguro de todas as consequências de suas atitudes e escolhas imbecis, de suas larápias estórias e justificativas fatigantes e insustentáveis. Talvez não contavam com a água, ou melhor, a enxurrada de podridão corrupta que viria a invadir seu recinto seguro de retóricas e populismos, invadiram sim, pelas frestas deixadas pelo grande capital corrupto, pela alienação da confiança de seus eleitores, pelos tratos pervertidos com empreiteiras e empresários. Transformaram a caixa de areia onde depositavam seus excrementos em suas bases partidárias e trincheiras governamentais.

A crise no Brasil chegou a tal ponto que, o que vemos hoje diariamente, não passa de um governo desesperado para fugir da sua própria arca de burla, sem, entretanto, deixar o seu delicioso poder estatal. Assim como o autor que estudo, G. K. Chesterton, eu sou um admirador da sabedoria popular, e meu avô foi um destes sábios. Ele dizia a seus netos: “quem planta tomates não pode esperar colher cenouras”, e, de fato, aquele velho cientista da roça sabia ensinar seus netos. Ele mostrou-nos que quem planta mentira colherá frutos equivalentes a estas, quem planta discórdia entre classes colherá seus frutos, quem planta propina colherá tudo que a pilantragem dá. Hoje o governo é uma máquina política sufocada pela suas próprias incompetências e criminosas formas de agir.

Talvez a face mais patente deste gato que se chafurda em busca de uma saída plausível para o indefensável, sem que seja preciso deixar o poder, seja o Ministro Cardozo, o fiel escudeiro de Dilma. Cardozo é aquele gato inteligente o bastante para criar um Brasil distinto da realidade, inteligente o suficiente para ler a constituição e tirar dela as mais belas e mentirosas fantasias infames. Cardozo, muito mais romancista do que jurista. Dilma é a gata abobalhada que assiste a caixa encher-se de água enquanto passeia de bicicleta para convencer aos outros gatos que está tudo sob controle e, de vez em quando, dá-nos algum discurso estilo stand-up. Todos seus adoradores tentam encontrar alguma fresta pelos lados da caixa; entre anulações de votos em plenário democrático e alucinações de perseguições e traições, os gatos esquematizam um grito de golpe. Mas que golpe? Golpe dado por si próprios? Estes gatos patetas criam suas próprias arapucas, envolvem-se e chefiam o maior esquema de corrupção da história, desviam recursos que dariam para iniciar outro país do zero, criam um clima de guerra na nação, e, após isso, vem com rabos arrepiados e unhas armadas dizendo a população que ela é golpista por querer que eles deixem seus cargos por vias constitucionais.

O desespero é um estado de espírito muito interessante de se observar, mesmo que isto pareça sarcástico. Eles querem se manter neste poderio destruído, sem possuírem nenhuma governabilidade e capacidade de reconstrução. Querem deixar a caixa, mas não o poder, todavia, não percebem que só possuem poder dentro da caixa, pois, fora dela está o mundo real cheio de crises, desempregos e trabalhadores sendo sugados por esta caixa maquinal de poder vil, por este Estado inflado e sangrento.

Querem o poder por puro e simples fetiche de autoridade e gana pelo mandato. Falam de democracia, mas ignoram todos os aparatos constitucionais que lhe são impostos, escolhem aquilo da constituição que lhes apetecem. Hoje temos gatos apalermados correndo para todos os lados usando de todos os aparatos tolos e inúteis para manutenção do poder que já não possuem mais. Ou saem da caixa e do poder, ou morreram afogados em suas próprias velhacarias porcas.

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Sobre o Autor

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Pedro Henrique

Pedro Henrique, filósofo, ensaísta, crítico social, estudioso de política e palestrante

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