O governo e sua fábrica de dinheiro

De todas as mercadorias o dinheiro é, sem dúvida, a mais desejada

Postado dia 13/02/2017 às 08:00 por Luiz Edmundo

dinheiro

Foto: Reprodução/Internet

Esse desejo preferencial pelo dinheiro deve-se à liquidez, ou seja, a capacidade do dinheiro em transformar-se em qualquer outro bem, pois no processo de troca, o dinheiro é a referência comum a todas as mercadorias e serviços. É em dinheiro que dizemos o preço das coisas.

Assim, podemos entender o poder que o fabricante do dinheiro detém. Fabricante esse, o governo, personificado na autoridade do Banco Central, a quem cabe a decisão de quanto fabricar e como distribuir o dinheiro fabricado.

Como toda mercadoria, o valor do dinheiro depende da quantidade que é posta em circulação no mercado: se houver em grande quantidade seu valor diminuirá e, por outro lado, reduzida sua quantidade no mercado e mantida sua preferência, seu valor irá aumentar. Percebemos isso pela taxa de juros, que podemos denominar como o preço do dinheiro. Juros altos, dinheiro raro e juros baixos, grande oferta de dinheiro.

Em uma democracia, dada sua natureza eleitoral, os gastos públicos são fator determinante da capacidade do governo em preservar-se no poder, o que o torna propenso a gastar mais do que arrecada. E, quando isso não é possível, a alterativa é a emissão de dinheiro, gerando a malfada inflação.

Em 2015, a taxa de inflação alcançou 10,67%, ultrapassando, assim, o limite superior de 6,5%, estabelecida pelo governo. Somente os preços administrados, ou seja, aqueles preços controlados pelo governo, como energia elétrica, combustíveis, aluguéis e outros se elevaram 18,07%.

O ano de 2015 é resultante do custo das eleições de 2014, quando para alcançar a vitória eleitoral os gastos públicos foram dobrados, a emissão de crédito e dinheiro aumentou, os preços administrados pelo governo foram represados e, assim que passou o período eleitoral, veio a dura queda na realidade.

A inflação é especialmente dura com os assalariados que, quando atingidos, não podem reagir à perda do poder aquisitivo de seus salários. Mesmo que socorram suas poupanças transferindo seu dinheiro para outros ativos como dólar, ações, títulos bancários, os seus ganhos salariais serão invariavelmente deprimidos.

O remédio não é menos amargo, a população quando convive com inflação elevada é obrigada a conviver também com os juros altos para combater a inflação.

Podemos ver assim a inflação como uma espécie de imposto que todos pagam, mas assalariados serão mais afetados, imposto esse causado pelos gastos excessivos do governo, acima do que ele já arrecada na forma de imposto, que no Brasil hoje é em torno de 40% da renda do indivíduo.

A democracia, como forma superior de organização social, capaz de prover justiça e liberdade aos indivíduos, depende de mecanismo que possa conter o descontrole governamental na produção de dinheiro, pois para satisfazer suas ambições exclusivas de preservar-se no poder, cria esse imposto chamado de inflação que reprime o poder aquisitivo das pessoas, confunde os planos dos indivíduos ou empresas gerando incertezas quanto a seus ganhos futuros.

O imediatismo dos políticos para se eleger encarna a irônica desfaçatez com o futuro, expressa na formosa frase de John Maynard Keynes, o economista preferido dos políticos: “No futuro todos estaremos mortos”.  Como sendo o futuro, o tapete para onde são varridos os lixos da história!

 

 

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Sobre o Autor

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Luiz Edmundo

Economista e doutor em engenharia da produção, dedicam-se ao ensino superior como professor.

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