O governo e os mercados

Sempre há um governo protegendo os mercados de outros governos

Postado dia 21/12/2015 às 00:00 por Luiz Edmundo

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Proteger as riquezas que transitam pelos mercados é um direito disputado por partidos políticos quando concorrem ao poder, por governos nacionais quando disputam a influência sobre áreas territoriais ou países. Ou seja, quer queiramos ou não, sempre haverá governo, aquele poder que busca o monopólio da violência.

Proteger os mercados é garantir seu funcionamento para que esse gere impostos que, por sua vez, são a sustentação dos governos. Quando os mercados crescem, os impostos aumentam. O estímulo aos mercados são os lucros. Porém, há um antagonismo entre lucro e imposto; quando se aumenta os impostos se reduz os lucros e, consequentemente, ocorre um desestímulo à atividade econômica, o que reduz ainda mais a arrecadação tributária.

Até quanto o governo pode taxar os mercados sem correr o risco de enfraquecê-lo ao ponto no qual até a sua arrecadação tributária diminuiria? Considerando que quanto mais o governo se fortalece, mais ele pode se proteger de outros governos que, assim como ele, estão ávidos para proteger os mercados e receber seus impostos.

Nesse caso, até onde o governo pode aumentar os impostos de modo a atingir aquele limite máximo que se ultrapassado reduziria a atividade produtiva e sacrificaria até mesmo a arrecadação dos impostos? Pois, convenhamos, se os impostos atingirem 100% da renda, ou seja, se o governo recolher tudo que se produz, ninguém produziria nada, não haveria motivos para isso e, consequentemente, não haveria imposto! Portanto entre 0% e 100% de imposto há um ponto que os impostos em excesso fazem a receita governamental diminuir, pois se os impostos são pequenos as pessoas não se importam em pagá-los, mas se forem altos, não haverá razão para produzir, pois não compensaria os ganhos. Como decorrência haveria êxodo de empreendedores para outros países onde o governo tem uma carga tributária menor!

Em nosso país, o imposto recolhido pelo governo sobre a produção nacional gira em torno de 38%. Ou seja, de toda a riqueza gerada pelo trabalho das pessoas, 38% é pago ao governo na forma de imposto e o restante, 62% é para os indivíduos realizarem seus gastos e/ou poupança. Alguns estudos apontam como o ponto de inflexão da arrecadação tributária estaria em torno de 33%, cinco por cento abaixo da carga tributária brasileira. Nesse caso, diante de qualquer aumento tributário reduziria a atividade mercantil e, consequentemente, o próprio bolo tributário! Com menos impostos o governo se enfraquece, pois sobram menos recursos para seus programas, projetos, obras que dão sustentação a sua hegemonia politica, tornando-o vulnerável a investidas de rivais mais aptos a sucedê-lo.

O que leva o governo a uma elevação tributária que enfraquece sua própria fonte de recurso, ou seja, os mercados que lhe dão sustento? A avidez dos governos em perpetuar-se no poder lhes leva a uma armadilha onde os excessos tributos para fortalecê-lo, reprime as trocas, reduz sua arrecadação enfraquecendo assim seus laços de comando e sustentação, o que nos leva a concluir que os governos, assim como os peixes, morrem pela boca!

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Sobre o Autor

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Luiz Edmundo

Economista e doutor em engenharia da produção, dedicam-se ao ensino superior como professor.

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