O fundador do cristianismo

Paulo não conheceu Jesus pessoalmente. Era completamente diferente de qualquer um dos seus 12 apóstolos. Mesmo assim, com disposição e inteligência, foi decisivo para moldar a nova religião

Postado dia 10/08/2016 às 08:00 por Tiago Cordeiro

 

saulo

Foto: Reprodução/Internet

 

É só um pouco de exagero dizer que o cristianismo seria muitíssimo diferente se não fosse Saulo de Tarso. Por isso mesmo, dos 26 livros que fazem parte do Novo Testamento de acordo com o Vaticano, metade foi escrita por ele. Ninguém na Bíblia inteira escreveu tantas obras (e isso mesmo para quem acredita na versão oficial, improvável, de que Moisés escreveu o Pentateuco inteiro). Culto, viajado, dono de uma disposição infinita, o apóstolo comprou brigas com todos os discípulos mais antigos de Jesus. Teimoso, como se conhecesse Cristo melhor do que as pessoas que conviveram com o mestre, ele ajudou a fundar o cristianismo da maneira como o conhecemos hoje.

Saulo era judeu nascido no ano 5 da nossa era em Tarso, uma cidade da Ásia Menor, uma península que atualmente forma a parte asiática da Turquia e de forte influência grega. Culto, cresceu em Jerusalém e mantinha contato com familiares que viviam na capital do império, Roma. Segundo seu próprio relato, dedicou a vida a perseguir os cristãos, que considerava uma seita herética – a bem da verdade, Saulo ficou famoso por fazer com os seguidores de Jesus o que o próprio cristianismo realizaria muitos séculos depois com a Inquisição e as guerras santas. Até que, um belo dia, em algum momento da década de 30, Saulo caiu do cavalo na entrada de Damasco e viu Cristo envolto por uma luz. Ficou cego, mas estava convertido.

Curado por Ananias, um cristão, Saulo virou Paulo. Começou a percorrer o mundo romano para pregar em praças a boa nova de Jesus. Escrevia cartas para as comunidades que havia visitado. Debatia com os primeiros discípulos detalhes fundamentais, para os quais Jesus não havia deixado instruções – até porque os primeiros cristãos não se preocupavam em se organizar demais, tão confiantes estavam que a segunda (e definitiva) vinda do Messias era próxima. Chegou ao ponto de bater de frente com Pedro, que a tradição considera o primeiro papa.

Paulo ajudou a aproximar o cristianismo do mundo greco-romano. Assim, transformou a nova religião, de uma seita judaica polêmica, em uma potência capaz de dialogar com nobres, ricos e influentes de todos os cantos. De quebra, detalhou normas de conduta, incluindo a famosa “mulher, sê submissa a seu marido”. Ele explica, na carta aos Efésios: “Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja”.

Preso várias vezes, Paulo teria morrido no ano 67, decapitado em Roma, a mando do imperador Nero. Ninguém tem certeza desta informação. Na verdade, pouco importa: o legado do apóstolo é tão grande que já vale a leitura de todas as suas cartas.

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Sobre o Autor

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Tiago Cordeiro

Pós graduado em Literatura Brasileira. Trabalhou pelas revistas Veja, Época, Galileu, apaixonado pela área de tecnologia e religião.

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