O famoso “100% do CDI”

O custo de oportunidade no mercado financeiro se resume ao famoso “100% do CDI”, ou seja, o que se pode ganhar no mercado financeiro sem volatilidade, com liquidez e de forma mais simples nos bancos.

Postado dia 01/03/2016 às 08:30 por Wndenberg Marques

cdi

Foto: Divulgação/Internet

Mesmo os investidores com perfis mais agressivos fazem comparações com os ganhos ou perdas realizadas em ações comparando sempre com os juros praticados pelo mercado financeiro naquela data.

O CDI (certificado de depósito interbancário) não pode ser vendido para investidores no mercado e sim para empréstimos entre bancos e instituições financeiras. Não há incidência de impostos nestas operações.

A Taxa DI é a média ponderada de todas as taxas de transações envolvendo CDI efetuadas na CETIP entre instituições financeiras de conglomerados diferentes. Os papeis são custodiados e liquidados na CETIP, quem também calcula as taxas e divulga no seu site https://www.cetip.com.br.

A divulgação da taxa é em formato anualizado, mas as transações são calculadas diariamente. Por exemplo, hoje, o DI ao ano está em 14,13% ao ano base 252 dias úteis. O DI over (taxa do último dia 26/02 foi de 0,052461% ao dia. O investidor precisa ganhar pelo menos mais que o DI para que seu negócio seja vantajoso, se isso não acontece é melhor deixar o dinheiro aplicado no banco.

Existe uma correlação positiva entre o DI e a SELIC meta, ou seja, se o COPOM (Comitê de Política Monetária) aumenta ou reduz a taxa de juros básica no Brasil o DI acompanha essa variação consequentemente. Os bancos usam como referência a SELIC para precificar suas operações de depósito interfinanceiro. Além disso significa a referência para custo de dinheiro para as instituições financeiras, ou seja, quanto maior a taxa de juros praticada pelo mercado mais caro fica o dinheiro das instituições financeiras emprestados para os cidadãos e empresas.

Por outro lado, o investidor da renda fixa também ganha com taxas de juros altas, tanto em aplicações pós fixadas como em aplicações pré-fixadas. Por isso o famoso 100% do DI é tão importante para o mercado em geral. O custo de oportunidade quando é alto, como no caso do Brasil hoje, fazem o mercado financeiro e os demais mercados sofrerem com recessão, o dinheiro fica mais caro, as empresas tem dificuldade de se capitalizar e produzir causando desemprego e paralisação na atividade econômica, o governo perde arrecadação com isso, logo tem que subir impostos para arrecadar mais, causando um dano ainda maior.

As bolsas de valores sofrem com juros muito altos também. O investidor não corre certos riscos se ele conseguir aumentar seu capital de forma significante com os juros da renda fixa, logo sai do mercado de bolsa e seus riscos para poupar seu capital em aplicações mais conservadoras.

Pequenos investidores terão dificuldade de encontrar taxas iguais ou acima do DI nas instituições financeiras, podem recorrer aos títulos do tesouro que permitem a qualquer brasileiro a partir de R$ 30,00 ao mês poder comprar papeis do governo federal ganhando rentabilidades que não conseguiriam em grandes bancos. O investidor tem que ter cadastro numa corretora de valores, pode ser a do próprio banco, e realizar a compra via site www.tesouro.fazenda.gov.br. Lembrando de fazer qualquer transação com a devida assessoria de um profissional da área.

Qualquer dúvida estou a disposição. Um abraço.

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Sobre o Autor

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Wndenberg Marques

Administrador, especializado em finanças corporativas e bancos de investimentos pela FIA (Fundação Instituto de Administração), certificado pelo IBCPF

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