O equilíbrio e a dinâmica das trocas

No longo prazo, entre erros e acertos, alcançaremos o nosso equilíbrio!

Postado dia 24/03/2016 às 00:00 por Wilson ADM

Foto: Reprodução/Internet

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Que me perdoem todos meus mestres da Ciência Econômica (que tive o privilégio de conhecer) pelo simplismo, mas todo seu arcabouço teórico foi criado basicamente para estudar o comportamento das trocas. “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Em outras palavras: tudo no universo funciona a base de trocas! Por um prisma macro e amplo, as equações vão acabar fechando. Exercitemos nossa fértil imaginação e, num esforço conjunto, imaginemos uma sociedade em que em alguma de suas engrenagens há certa falha gerando, dessa forma, desequilíbrio e injustiça. A própria engrenagem sofrerá em algum momento uma resposta desafiadora, pois cada ação no sentido de desequilibrar e trazer injustiça receberá EM TROCA uma reação (que não necessariamente se dará no sentido oposto com a mesma força e intensidade como na física clássica). Num prisma individual, a dinâmica das trocas se faz presente já na própria manutenção da vida, biológica mesmo. Respirando o ar, meus pulmões fazem belo trabalho de troca. Absorvem o oxigênio que será utilizado para a queima (troca) das glicoses e devolve ao mesmo ar o gás carbônico. Todo ser vivo que possui clorofila no planeta faz uso do gás carbônico pra num processo de síntese da luz (troca), produzir energia: resultada de muitas trocas. Há, portanto, infinitos ciclos de trocas retroalimentadas que constituem a beleza da dinâmica no universo.

O Judô, esporte de origem japonesa que busca fundamentar-se em princípios filosóficos, no qual segui por boa parte da minha vida, traz na palavra a união de duas outras: ju, suave e do, caminho. A letra JU quando solitária poderia ser traduzida também por flexibilidade, suavidade. Nesta arte de se equilibrar, a brincadeira consiste em desequilibrar o oponente e joga-lo ao chão. É uma dança em busca de trocar constantemente o centro de gravidade do corpo.

Tanto no judô, como na economia, o ponto de equilíbrio não é um ponto. É uma eterna troca constante entre forças diametralmente opostas, ou não, que vão conduzir ao equilíbrio propriamente dito. Equilíbrio, portanto, nunca é estático… Ele precisa intrinsicamente do movimento, da dança, das trocas mestras que vão ensinando o corpo instintivo e a razão pensante entre erros e acertos, erros e acertos, erros e acertos. Concluo, dessa forma, que não poderá haver equilíbrio sem haver o erro…

Desconfio, se bem que bem confiante, que há um mistério nessa coisa da troca. A planta que absorve a luz, não devolve a luz, mas devolve energia… Ela transforma a luz. Os pulmões que absorvem o oxigênio não eliminam oxigênio… O organismo transforma em queima e troca pelo gás carbônico liberado. Toda dinâmica de troca passa pelo mecanismo da transformação! O que há de mais belo no judô é que ele se propõe a TRANSFORMAR uma força agressiva de ataque, na arte da flexibilidade, neutralizando a agressividade e pulverizando em humildade, colocando tudo no chão, literalmente!

No sistema capitalista de produção, o trabalhador troca sua força de trabalho pela remuneração. Sua energia produtiva é transformada em valor e, em troca, ele recebe um símbolo que lhe permitirá com liberdade acessar aquilo que lhe convém. Há, no entanto, algumas engrenagens um tanto falhas que inevitavelmente deverão ser trocadas, pois a transformações pelas quais todas as trocas ocorrem acabam gerando inumeráveis desequilíbrios. Há uma frase famosa de Keynes que todos economistas conhecem. Ele dizia: “No longo prazo, todos estaremos mortos”. Que tal se trocássemos: No longo prazo, entre erros e acertos, alcançaremos o nosso equilíbrio!

Como andam as suas trocas? Saudáveis? Pulverizem os acúmulos e deixem a dança rolar…

victorVictor Yudji Nakaharada Kokubo, 31 anos, discipulo da renomada academia de judo vila sonia desde os 9 anos de idade, graduado em Ciencias Economicas pela PUC-SP
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