O empreendedor precisa de dinheiro para abrir um negócio…

Por menor que seja esse capital social para iniciar o negócio, ele é necessário

Postado dia 13/04/2016 às 08:00 por Liszeila Martingo

 

empreendedor

Foto: Reprodução/Internet

Afinal de contas, boas ideias são validadas pelo mercado… E, se são comprovadamente inovadoras, têm garantido seu espaço para consumo e terão o dinheiro que precisam para se desenvolver. Dessa forma é provável que consigam aportes de dinheiro das diversas formas disponíveis.

Mas que formas de captação de recursos existem para os empreendedores das empresas iniciantes, principalmente nas áreas de alta-tecnologia? Ou mesmo das pequenas empresas que desejam alçar voos maiores?

Por incrível que pareça, há muitas possibilidades de acesso a recursos financeiros, conforme pode-se verificar a seguir:

LOVE MONEY – Família e amigos acreditam na proposta do familiar e bancam a história toda. “Paitrocínio” – Os pais bancam o negócio!

Economias Pessoais (Bootstrapping):  Recursos próprios, ou seja, usa seus próprios meios, sem pedir ajuda.

Anjos (angels investors) –  São investidores pessoa-física, com posses, muitas vezes empreendedores de sucesso, que decidiram investir os ativos acumulados em venture capital. Além de adquirir participação nos empreendimentos, esses investidores tendem a participar dos conselhos das empresas e aconselhar seus gestores. Ajudam com seu network (redes de relacionamento). São muito importantes, à medida em que ajudam a empresa a se habilitar, geralmente em estágios mais avançados dos empreendimentos, para obter recursos de investidores formais. Ex. Anjos do Brasil.

Aceleradoras – A figura da aceleradora surge como um agente fortemente orientado ao mercado, geralmente de origem privada e com capacidade de investimento financeiro, que tem a função de direcionar e potencializar o desenvolvimento das startups. O Start-Up Brasil, Programa Nacional de Aceleração de Startups, é uma iniciativa do governo federal, criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com gestão da Softex, em parceria com aceleradoras, para apoiar as empresas nascentes de base tecnológica, as startups. O Start-Up Brasil integra o TI Maior, Programa Estratégico de Software e Serviços de TI, que por sua vez é uma das ações da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI), que elege as TICs entre os programas prioritários para impulsionar a economia brasileira. Ex. Aceleratech, 21212, etc.

Capital de Risco –  (venture capital) Consiste em recursos direcionados para empresas nascentes, com perspectivas de crescimento rápido e potencial para consolidar no mercado. O VC é uma importante fonte de capital para StartUps. O funding das empresas de capital de risco é levantado em fundos de pensão, grandes corporações, investidores privados, universidades e investidores estrangeiros.

Crowdfunding – Palavra inglesa que define Financiamento Coletivo – Várias pessoas e empresas contribuem com pequenas quantias em dinheiro para realizar uma ideia. O capital é obtido por meio de sites que fazem a intermediação entre o dono do projeto e os interessados em financiá-lo. Sem usar bancos ou procurar investidores. Ex: CATARSE, STARTANDO, KICKSTARTER, ETC

Equity Crowdfunding – É um tipo de financiamento coletivo, derivado do Crowdfunding. Quem ajuda a financiar um projeto de empresa recebe em troca participação acionária. O negócio pode conseguir centenas de sócios apoiadores (A CVM, órgão que fiscaliza o mercado de capitais, tem um regime simplificado restrito a ofertas que captam até 2,4 milhões de reais por ano para negócios que se enquadram na lei como micro e pequenas empresas).

Governo e Entidades

Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital – A Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital é uma entidade sem fins lucrativos em atividade desde o ano 2000, que visa o desenvolvimento da atividade de investimento de longo prazo no País, nas modalidades abrangidas pelos conceitos de private equity, venture e seed capital. Como entidade representativa da indústria de capital empreendedor, a ABVCAP defende os interesses dos integrantes da indústria junto a instituições públicas e privadas, nacionais e estrangeiras, em busca de políticas públicas cada vez mais favoráveis ao fomento desses investimentos no País.

Associação Brasileira de Startups – Acesso a capital, mercado, mentorias e inúmeros descontos em produtos e serviços para startups.

BNDES – Fundado em 1952, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social é um dos maiores bancos de desenvolvimento do mundo e, hoje, o principal instrumento do Governo Federal para o financiamento de longo prazo e investimento em todos os segmentos da economia brasileira. Para isso, apoia empreendedores de todos os portes, inclusive pessoas físicas, na realização de seus planos de modernização, de expansão e na concretização de novos negócios, tendo sempre em vista o potencial de geração de empregos, renda e de inclusão social para o País.  Por ser uma empresa pública e não um banco comercial, o BNDES avalia a concessão do apoio com foco no impacto socioambiental e econômico no Brasil. Incentivar a inovação, o desenvolvimento regional e o desenvolvimento socioambiental são prioridades para a instituição. Os instrumentos de apoio financeiro incluem o financiamento; a concessão de recursos não reembolsáveis a projetos de caráter social, cultural e tecnológico; e instrumentos de renda variável. Saiba mais sobre os produtos e linhas de apoio financeiro. O BNDES oferece condições especiais para micro, pequenas e médias empresas, assim como linhas de investimentos sociais, direcionadas para educação e saúde, agricultura familiar, saneamento básico e transporte urbano.

Endeavor Brasil – Existe para multiplicar o número de empreendedores de alto crescimento e criar um ambiente de negócios melhor para o Brasil. Por isso, selecionam e apoiam os melhores empreendedores, compartilham suas histórias e aprendizados, e promovem estudos para entender e direcionar o ecossistema empreendedor no país.

FINEP – Concede financiamentos reembolsáveis e não reembolsáveis a instituições de pesquisa e empresas brasileiras. O apoio da Finep abrange todas as etapas e dimensões do ciclo de desenvolvimento científico e tecnológico: pesquisa básica, pesquisa aplicada, inovações e desenvolvimento de produtos, serviços e processos. A Finep apoia, ainda, a incubação de empresas de base tecnológica, a implantação de parques tecnológicos, a estruturação e consolidação dos processos de pesquisa, o desenvolvimento e a inovação em empresas já estabelecidas, e o desenvolvimento de mercados. Além disso, a partir de 2012 a Finep também passou a oferecer apoio para a implementação de uma primeira unidade industrial e também incorporações, fusões e joint ventures. Os financiamentos reembolsáveis são realizados com recursos próprios ou provenientes de repasses de outras fontes. As empresas e outras organizações interessadas em obter crédito podem apresentar seus Planos Estratégicos de Inovação à Finep a qualquer tempo. Desde 3 de setembro de 2013, elas devem acessar o hotsite Finep 30 dias, onde estão todas as informações necessárias para a obtenção de financiamento para investimento em inovação sob a forma de crédito, assim como o acesso ao Portal Empresa, destinado ao cadastro da empresa e de seu Plano Estratégico de Inovação para análise da Finep. Os financiamentos não reembolsáveis são feitos com recursos do FNDCT, atualmente formado preponderantemente pelos Fundos Setoriais de C,T&I. Eles são destinados a instituições sem fins lucrativos, em programas e áreas determinadas pelos comitês gestores dos Fundos. As propostas de financiamento devem ser apresentadas em resposta a chamadas públicas ou encomendas especiais. A Finep também oferece apoio financeiro para a realização de encontros, seminários e congressos de C,T&I e feiras tecnológicas, mas hoje o CNPq é o responsável pela seleção, avaliação e contratação das operações. A Finep também atua de forma cada vez mais intensa no apoio a empresas de base tecnológica. Desde 2000 desenvolve o Projeto Inovar, que envolve amplo, estruturado e transparente conjunto de ações de estímulo a novas empresas, por meio de um leque de instrumentos, incluindo o aporte de capital de risco, indiretamente via fundos de capital de risco.

SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena Empresa – O objetivo do Fampe é facilitar o acesso de pequenos negócios a financiamentos, por intermédio de garantias complementares em operações de crédito junto a instituições financeiras conveniadas. O Fampe tem a função exclusiva de complementar garantias exigidas por instituições financeiras conveniadas ao Sebrae. Ou seja, o Fampe não substitui totalmente a necessidade de garantias da própria empresa, nem pode ser utilizado quando o cliente já possui todas as garantias exigidas para o acesso a um financiamento. Desta forma o banco conveniado ao Sebrae somente pode exigir garantias para a parcela do financiamento não coberta pelo Fampe. Com a disponibilização do Fampe o Sebrae contribui para diminuir as dificuldades que os pequenos negócios enfrentam ao atender aos pré requisitos adotados por instituições financeiras no momento da concessão de um financiamento, uma vez que a falta de garantias reais é uma das principais barreiras para o acesso de pequenos negócios ao crédito produtivo. O Sebrae atua especificamente como avalista, sendo o Fampe um serviço destinado a disponibilizar garantias complementares exclusivamente a pequenos negócios, cabendo à instituição financeira conveniada realizar todo o processo de concessão de financiamento. O Fampe é um fundo de aval, não um seguro de crédito. O Fampe pode garantir de forma complementar até 80% de um financiamento junto a uma instituição financeira conveniada, dependendo do porte empresarial e da modalidade de financiamento, cujas faixas de garantia (aval) variam de R$ 10 mil a R$ 700 mil.

Start-Up Brasil – é um Programa Nacional de Aceleração de Startups, uma iniciativa do governo federal, criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com gestão da Softex, em parceria com aceleradoras, para apoiar as empresas nascentes de base tecnológica, as startups. As startups cumprem com a função de continuamente revitalizar o mercado, mas precisam de um ambiente propício para que se desenvolvam e tenham sucesso. A figura da aceleradora surge nesse contexto como um agente fortemente orientado ao mercado, geralmente de origem privada e com capacidade de investimento financeiro, que tem a função de direcionar e potencializar o desenvolvimento das startups. O Start-Up Brasil integra o TI Maior, Programa Estratégico de Software e Serviços de TI, que por sua vez é uma das ações da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI), que elege as TICs entre os programas prioritários para impulsionar a economia brasileira. PRIMEIRA FASE – HABILITAÇÃO DE ACELERADORAS: Nesta fase são qualificadas, por meio de edital específico, as aceleradoras de empresas que serão parceiras do programa e  responsáveis pelo processo de aceleração das startups. A aceleração de startups é um processo rápido que busca o desenvolvimento de um produto/serviço direcionado ao mercado, com o suporte de mentores, investidores e profissionais de negócios e tecnologia. SEGUNDA FASE – SELEÇÃO DE STARTUPS: Após a habilitação das aceleradoras, ocorre a seleção das startups nacionais e internacionais (até 25% dos projetos aprovados) que serão apoiadas pelo programa. Esta fase ocorre duas vezes por ano, uma a cada semestre. TERCEIRA FASE – ACELERAÇÃO: Nesta fase, inicia-se o processo de aceleração. Num período de até 12 meses, as startups têm acesso a até R$ 200 mil em bolsas de pesquisa e desenvolvimento para os seus profissionais, além de participar de uma série de eventos e atividades promovidas pelo programa para capacitação e aproximação de clientes e investidores e do Hub Internacional no Vale do Silício/EUA. Adicionalmente, as startups recebem investimentos financeiros das aceleradoras e têm acesso a serviços como infraestrutura, mentorias e capacitações em troca de um percentual de participação acionária. Além das aceleradoras, as empresas também são acompanhadas pelos gestores do programa.

Outros:

DESENVOLVE SP – Agência de Desenvolvimento Paulista – Instituição financeira de fomento do Governo do Estado que oferece linhas de financiamento com juros baixos e longos prazos para projetos de inovação de Startups, de pequenas e de médias empresas, além de crédito para aquisição de máquinas e equipamentos e investimento de modo geral. Foco em: Indústria, agronegócio, comércio e serviços. Também repassa linhas de crédito da FINEP e do BNDES.

FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo: Apoia a pesquisa e financia a investigação científica, o intercâmbio e a divulgação da ciência e da tecnologia. Orçamento de 1% do total da receita tributária do Estado de SP. Começou com programas de parcerias para Inovação Tecnológica (Pite) e, com o programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe). Ainda apoia com programas de Políticas Públicas, Biota, Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids).

FUNCET – Fundo Estadual de Desenvolvimento Científico e Tecnológico: Mantido pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia e Inovação. Oferece recursos para inovação tecnológica de produtos e processos em micro e pequenas empresas em SP. Seleciona propostas para financiamento com valor até R$200.000,00 por empresa. Prazo de carência máximo de 24 meses e amortização de até 36 meses, com taxas de juros de 6% a.a.

CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, desenvolve atividades centradas em 5 grandes linhas de ação: avaliação da pós-graduação stricto sensu, acesso e divulgação da produção científica, investimentos na formação de recursos de alto nível no País e exterior, promoção da cooperação científica internacional, e indução e fomento da formação inicial e continuada de professores para a educação básica. Ligada ao MEC.

CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – Promove pesquisa científica e tecnológica e formação de recursos humanos para a pesquisa no País. Oferece bolsas dirigidas a alunos do ensino médio, graduação, pós-graduação, recém-doutores e pesquisadores já experientes, podendo ser individuais ou por quota. Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

SENAI-SP – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, Fornece soluções em inovação para a indústria. Através do Edital SENAI SESI de Inovação – Parceria com o Innovate UK, Agencia de Inovação Britânica – que valoriza essa prática e promove o desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços inovadores. O Edital oferece recursos não reembolsáveis para indústrias brasileiras, startups e empresas de base tecnológica que querem desenvolver novos produtos, processos e serviços. Os recursos são destinados para duas categorias de projetos de inovação tecnológica do SENAI e uma categoria de projetos do SESI que promove a qualidade de vida e segurança do trabalhador.

Em todas essas formas de captação de recursos, há que se demonstrar um projeto de negócio consistente, validado e de operacionalização viável. O que tem sido o calcanhar de Aquiles para se conseguir acesso ao capital.

Daí a necessidade de que os empreendedores desenhem modelos de negócio que utilizem ferramentas como CANVAS, DESIGN THINKING e MVP, para que os projetos possam ser coerentes e atingirem os objetivos determinados em cada uma dessas possibilidades de acesso ao capital.

Pode-se ver que existe dinheiro disponível, tanto no governo federal como estadual, mas somente com propostas que respeitem os requisitos exigidos de forma coerente é que o empreendedor terá acesso a ele.

 

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Liszeila Martingo

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