O drama de Eike Batista

Hospedado em Bangu, o ex-bilionário encontra-se em maus lençóis enquanto aguarda seu julgamento

Postado dia 01/02/2017 às 09:00 por Wilson ADM

Eike

Foto: Reprodução – Eike Batista, preso na Operação Lava JAto

Acusado pela Lava Jato de corrupção ativa e pagamento de propina para Sérgio Cabral, Eike Batista vem sendo defendido por muitas pessoas, como um inocente homem rico que foi obrigado a “entrar no jogo” para poder manter sua fortuna e império. Analisando isso de um modo frio e racional, a situação de Eike não gera comoção alguma, é como uma partida infantil de banco imobiliário. É sabido que desde a hora que começa o jogo, a cadeia é um risco para qualquer um que queria participar da “brincadeira”.

Claro que também é inocência demais acreditar que uma pessoa como Eike, para não expandir seus lucros em negócios bilionários, evitaria jogar o jogo, e iria ceder suas conquistas para empresas concorrentes para não entrar na politicagem suja e manter seu nome limpo, embora fosse uma opção, se quiser sentir comoção, fique à vontade para lembrar das pessoas que pagam seus impostos e contas com esforço e honestidade, e ainda assim, continuam vivendo em situações precárias.

Infelizmente, o Brasil é um país dominado pela corrupção. Veja quanta imundice humana a Lava Jato vem desenterrando e trazendo à tona, esfregando na cara das pessoas que o Brasil é um país comandado por uma grande maioria de homens e mulheres sem honra, princípios e limites.

É bom lembrar que o filho de Eike, Thor Batista, atropelou e matou um cidadão enquanto dirigia de forma imprudente em alta velocidade (135 km/h), foi absolvido por advogados pagos com o dinheiro de seu pai, deixando a população impressionada com tamanha manobra judicial, sendo que explicitamente, Thor Batista estava agindo de forma irresponsável, perigosa e violando leis de trânsito.

A polêmica da prisão de Eike também se dá sobre o tipo de cela que o empresário ficará enquanto aguarda julgamento, por não ter concluído sua faculdade de engenharia, ele não teve direito à cela especial. Lá vem Bangu de novo fazer história. Atualmente, Eike divide uma cela com outros 6 presidiários, todos eles presos pela operação Lava Jato. Lá dentro eles se entendem.

A preocupação dos advogados de Eike, é que ele possa cumprir prisão domiciliar até o dia de seu julgamento, alegando que devido sua fama e posição social ele possa ser vítima de violências diversas por parte de outros presos. É uma tremenda afronta ao sistema judiciário brasileiro, um tapa na cara mesmo, pois mesmo sendo um pedido absurdo, é bem possível que seja atendido, pois como diria o carrasco dos intelectuais oprimidos da atualidade, o músico e escritor Lobão: “Isso é Brasil, isso é Brasil, cuidado!”

Aliás, citando o cidadão, vale a pena lembrar que quando o Lobão foi preso nos anos 80, acusado de posse de entorpecentes, mesmo com sua fama e sucesso, foi para Bangu I, e lá ficou em uma cela com muitos detentos da pesada em um calor de 40 graus, presenciando cenas desumanas com frequência. Não eram presos de elite pegos pela Lava Jato, eram membros do comando vermelhos capturados pela polícia militar. Depois de um tempo o músico saiu ileso e fez até homenagem aos seus companheiros de cela na canção “Vida Bandida”. Boa praça esse Lobão né? A integridade de EIke em Bangu e em qualquer lugar dependerá do seu “poder de comunicação”.

É vergonhosa a forma que políticos e empresários andam se comportando perante a justiça. Examinem os tipos de pessoas que estamos confiando para mudarem o Brasil. Homens e mulheres com medo de enfrentarem as consequências de seus péssimos atos. Demonstrando nos momentos de pagar as contas, a real fraqueza e covardia que buscaram esconder quando pedem sua confiança e fazem picadinho dela.

Quem paga sem máscara mostra o tamanho do prejuízo estampado na testa, é a vergonha na cara, que tarda mas não falha.

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