O Brasil não conhece o Brasil

No contato com uma escola de educação indígena, entre olhares curiosos e surpresos brotaram sorrisos tímidos e a vontade de interagir com o outro, o diferente

Postado dia 18/07/2016 às 08:30 por Julliana Santos

indígena

Foto: Reprodução/Internet

Julho é mês de férias para todas as escolas. Neste período, há um movimento promovido pelas escolas públicas chamado “Recreio nas Férias”. O recreio é um tempo institucional dedicado ao lanche, mas também à livre brincadeira, às interações, etc.

Então, o recreio nas férias proporciona momentos de brincadeiras em diferentes lugares institucionais. Por exemplo, as diversas unidades do Sesc acolhem essas escolas e promovem atividades lúdicas e esportivas.

Na semana passada, recebemos a visita de uma escola indígena do pico do Jaraguá. Entre olhares curiosos e surpresos brotaram sorrisos tímidos e a vontade de interagir com o outro, o diferente. A língua é o guarani, com pouca fluência no idioma português.

A princípio, uma tentativa de vivência de modalidades de jogos olímpicos indígenas, mas ora, que contradição um branco ensinar jogos indígenas para índios! Logo descartamos essa ideia e quebramos a sistematização.

A brincadeira se fez livre na quadra, com cordas no chão e crianças no alto, pulando em grupos mistos, onde crianças de 3 ou de 13 brincam igualmente, com respeito e alegria. Sem brigas, nem gritarias, o sorriso é a resposta de que precisamos para saber que está tudo correndo bem. Os diálogos que pude trocar com algumas crianças mais familiarizadas com o nosso idioma foram ricos em aprendizagem.

Falamos sobre as brincadeiras na floresta, as árvores, os pássaros… Cheiro de fogueira e pés vermelhos de terra. Na hora do lanche, silêncio, sorrisos, respeito e organização.

Para não dizer que foram só flores, vimos pessoas fotografando como se estivessem visitando um museu, e outras que não foram capazes de reconhecê-los como brasileiros, justo eles que estão aqui muito antes dos portugueses.

Parece piada, mas é o retrato da ignorância: o Brasil, realmente, não conhece o Brasil.

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Sobre o Autor

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Julliana Santos

Educadora em formação pela Universidade Federal de São Paulo.

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