O Básico do saneamento

Você sabia que apenas 48,3% da população nacional, somados todos os municípios, possui tratamento de esgoto?

Postado dia 24/03/2016 às 00:00 por Pedro Muniz

Saneamento

Foto: Reprodução/Internet

Não é difícil concluir que as questões ambientais ganharam espaços realmente valiosos nos últimos anos, em diversos segmentos, bem como as conquistas sociais que o país alcançou são inquestionáveis. Diversos canais hoje colaboram com a promoção de ideias e programas em prol da educação ambiental, o gerenciamento dos resíduos nas grandes cidades tem tido um apelo bastante interessante, inclusive com o apoio de multinacionais, a legislação ambiental refinada e com bagagem equiparada a nações de primeiro mundo. Porém, a trilha do saneamento básico hoje ainda possui muitas escadas tortuosas, espinhos, buracos e lamas a transpor.

Uma boa e concisa definição para saneamento básico é o conjunto de medidas adotadas em uma região/cidade, para melhorar a vida e a saúde dos habitantes impedindo que fatores físicos de efeitos nocivos possam prejudicar as pessoas no seu bem-estar físico, mental e social. Abastecimento de água potável, esgoto sanitário, limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos e drenagem das águas pluviais são os principais serviços que contemplam essa gestão.

No Brasil de hoje, segundo recente pesquisa do instituto Trata Brasil, apenas 48,3% da população nacional, somados todos os municípios, possui tratamento de esgoto. Na contramão deste cenário, possuímos uma meta estipulada da universalização das estruturas de saneamento básico em todo o país até o ano de 2033. Porém, se o intuito é contemplar 100% das localidades brasileiras em 20 anos, saibamos já que é uma meta comprometida. As cidades que hoje possuem o tratamento na totalidade do seu esgoto gerado são contabilizadas nos dedos das mãos, ou melhor, arrisco a dizer que em uma única!

O custo para a universalização dos serviços de água e esgoto já foi inclusive quantificado, algo em torno de 303 bilhões de reais, ou seja, aproximadamente 15 bi/ano. Para um país que, mesmo de forma relâmpago, ocupou a sexta maior economia do mundo – e ainda figura entre as dez maiores – não é um valor inatingível, pelo contrário, bastante aceitável tendo em vista números que sempre circulam na grande mídia como privatarias, petrolões, lava jatos e afins. Levantamento da OMS revela que a cada R$ 1,00 investido em saneamento gera-se economia de R$ 4,00 na saúde. Convenhamos, levando-se em conta a veracidade da informação (e acreditamos este ser um órgão que nos permite acreditar) esta é uma relação que não pode passar em vão. A falta de tratamento de esgoto é passível de relação direta com a saúde, a exemplo de doenças como diarreia e gastrointestinais. Isto posto é preciso reavaliar a metodologia de aplicação destes investimentos e repaginar o planejamento atual.

Algo bem comum na esfera governamental, desde os tempos do Brasil Colônia, é a falta de investimento direcionado. Uma das premissas para a gestão pública deveria ser a necessidade de se investir o proporcional ao que foi arrecadado. A maior parte das cidades investiu menos que 20% da arrecadação no saneamento. Percentuais estes que estão longe do aceitável, tão pouco ideal.

Inúmeras são as informações extremamente relevantes, relacionando a falta de saneamento com saúde (em primeiro lugar), mas também com preservação ambiental, turismo, trabalho, educação e cidadania. Assuntos de extrema relevância para o meio ambiente, uma sociedade mais sadia e por que não um progresso na economia. Refletindo e olhando para o todo, o que concluímos é que se o saneamento é básico, não estamos comprometidos nem com o básico do saneamento.

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Sobre o Autor

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Pedro Muniz

Engenheiro Ambiental formada pela UNESP, pós graduado em Gestão de Projetos, especializado em gestão e gerenciamento de resíduos sólidos.

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