O assédio contra as mulheres no carnaval

As denúncias vêm crescendo graças à mudança de atitude por parte das mulheres, que estão tendo coragem de denunciar

Postado dia 17/03/2017 às 08:30 por Mônica Quiquinato

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Enquanto não enxergarmos o amor dentro das mulheres, elas serão tratadas como máquinas. Somos induzidos a acreditar nisso por meio de informações fragmentadas pelo poder. Isso nos dá a sensação de controle e de termos todas as informações necessárias livre de qualquer maquiagem. As notícias e a publicidade nos distraem o tempo todo para não pensarmos. São mastigadas, bem digeridas e regurgitadas nas nossas cabeças, tudo pronto. Afinal, você chega em casa cansado e ninguém precisa pensar.

Começo a falar da mídia por conta de uma campanha publicitária ter gerado polêmica sobre assédio no carnaval porque dava a entender que as mulheres deveriam ficar caladas ao serem assediadas. Comparo isso ao estupro em cena no filme O Último Tango em Paris contra a atriz Maria Schneider, revelado pelo diretor e realizado pelo ator Marlon Brando. Nada aconteceu, parece que são comportamentos considerados ‘normais’ pela sociedade, levando-nos à alienação.

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Tenho depoimentos de mulheres agredidas fisicamente nos blocos de carnaval de rua enquanto o agressor gritava, simulando num tom de ironia, que estava sendo agredido por ela. Em outra situação, o agressor foi beijar à força uma jovem e, ao ser negado, a menina levou um soco.

Fora os casos de estupros apurados pelo Dique 180, em que o número triplicou de denúncias. A meu ver, o número vem crescendo pela mudança de atitude por parte das mulheres, que estão tendo coragem de denunciar. Por outro lado, há de se elogiar que esse ano houve uma campanha especial no carnaval sobre a violência contra a mulher e isso influenciou as pessoas a registrar esses casos.

Vou usar aqui uma citação de Nana Queiroz, diretora da Azmina, que ficou conhecida pela campanha #EuNãoMereçoSerEstuprada: “A gente constrói uma noção da mulher como objeto sexual em que a própria noção de elogio está distorcida. O carnaval é uma grande oportunidade para a gente repensar padrões sexuais da cultura brasileira”.

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Sobre o Autor

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Mônica Quiquinato

É jornalista e atriz. Pós-graduada em Comunicação Jornalística pela Cásper Líbero. Atualmente é cerimonialista na Prefeitura de São Paulo e colunista

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