O artista e o ego

Fazer arte sem dinheiro é pra poucos. É assumir o que faz mesmo sem ter um real em caixa

Postado dia 14/07/2016 às 08:30 por Tuane Vieira

ego

Foto: Reprodução/Internet

Houve um tempo em que eu acreditei na arte como libertação. Achava que todo mundo que era artista já tinha se libertado do ego, das amarras materiais desse mundo, do choro amargo dos que vivem de raiva e rancor. Artista, pra mim, vivia só de amor.

É claro que eu estava errada.

Após recuperado meu choque ao perceber que eu estava completamente equivocada (e acreditem: demorei a levantar do baque), hoje eu não acredito em quase nada. Aliás, o que eu vejo na realidade é justamente o inverso: um monte de gente que faz arte, reclamando da vida de barriga cheia, desejando o pouco que o outro tem, tramando pra ter mais.

Imaginem vocês que ontem li um texto de um artista, um dos poucos na região a ter incentivo governamental anual, reclamar num artigo “o total abandono dos poderes municipais para a arte”, numa publicação que contém logo de patrocínio. Aconselho aos amigos fazerem uma breve pesquisa de mercado para descobrirem o preço de uma publicação artística numa gráfica qualquer.

Estão reclamando por ter dinheiro, gente!

Fazer arte sem dinheiro é pra poucos, pessoal. É assumir o que faz mesmo sem ter um real em caixa e ir lá, fazer. Abrir espaço todo santo dia. Receber público com água rateada pelos integrantes. Não publicar uma revista bem diagramada pra chorar suas pitangas por aí.

Ninguém quer saber mais do sofrimento do artista. Já estamos cansados de saber que teatro não dá dinheiro. E também sabemos que tem uma parte privilegiada da nossa classe que não sofre esse problema.

Está na hora de usar outra desculpa pra própria mediocridade.

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Tuane Vieira

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