O amor na construção da confiança

Bem no começo da vida, o amor nos faz acreditar que as outras pessoas não nos prejudicarão e a vida nos trará o que precisarmos: é o que nos ensina a confiar!

Postado dia 03/03/2017 às 09:00 por Leila Navarro

 

 

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Foto: Reprodução

Entender as raízes da confiança (e da falta dela) em nossa vida me levou a estudar textos de psicólogos do século XX que lançaram as bases para a compreensão do nosso comportamento. Entre as várias teorias e abordagens que existem, adotei a do psicólogo alemão Erik Erikson (1902-1994) para fazer um paralelo com minhas ideias e percepções. Ele identificou oito fases no processo de amadurecimento do ser humano, sendo as cinco primeiras essenciais para o desenvolvimento do senso de confiança no meu modo de ver.

Erikson chamou o período do nascimento até 18 meses de fase da confiança básica x desconfiança básica. Como somos incapazes de entender racionalmente o que se passa à nossa volta, apenas reagimos emocionalmente. Para nós, a realidade é polarizada: ou estamos no prazer ou na angústia, no aconchego ou no desconforto, na segurança ou no medo. Assim, se vivemos em um ambiente acolhedor, somos logo atendidos quando choramos, bem cuidados, amados e nutridos por nossa mãe, entenderemos instintivamente que podemos confiar nela e teremos nossas necessidades satisfeitas.

Recebemos dessa forma os primeiros estímulos para projetar confiança nas pessoas e no mundo. Por outro lado, na medida em que não recebemos a atenção, o carinho nem os cuidados desejados, desenvolvemos sentimentos de insegurança, rejeição e desmerecimento, descrença na vida e no futuro. Psicólogos dizem que em situações extremas de falta de confiança básica, as pessoas são levadas a cometer suicídio.

Na época de Erikson, a psicologia ainda não havia investigado muito as influências da vida intrauterina no comportamento humano. Se ele ainda estivesse vivo, talvez diria que a confiança básica começa a se desenvolver dentro do útero, pois hoje sabe-se que algumas experiências que temos nessa fase podem influir em nosso comportamento, como explica a psicóloga clínica Odila Weighand.

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“Se a mãe passa uma gravidez tranquila, o feto se sente ótimo; se ela passa por um stress, doença ou problema mais sério, ele sente esse mal-estar também. A química da mãe afeta o filho, gerando desconforto, e como ele não é capaz de compreender isso, registra o desconforto como perigo”.

O que chama atenção na maneira como Erikson descreve o desenvolvimento da confiança básica é a relação direta que ela tem com o amor. Afinal, atenção, cuidado, nutrição e aconchego nada mais são do que manifestações amorosas daqueles que nos cercam. Bem no começo da vida, o amor nos faz acreditar que as outras pessoas não nos prejudicarão e a vida nos trará o que precisarmos: é o que nos ensina a confiar!

Defendo a tese de que a confiança precisa ser resgatada, pois ela é fator decisivo para a performance dos profissionais e das organizações no mundo globalizado. Na dimensão individual, a confiança predispõe a sonhar com objetivos mais elevados, ousar, enfrentar desafios, assumir riscos, desenvolver-se, expandir-se.

Na dimensão organizacional, estimula as pessoas a relacionar-se de maneira mais aberta e franca, compartilhar experiências e conhecimentos, comprometer-se com os objetivos da empresa, engajar-se na solução de problemas e participar dos processos decisórios.

Para transformar o nosso meio, a sociedade e até o mundo precisamos, no plano individual, alinhar o alicerce da confiança em nossas vidas e isso naturalmente se refletirá ao nosso redor! Pense nisso!

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Sobre o Autor

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Leila Navarro

Com abordagens voltadas à felicidade e bem-estar, empreendedorismo, comportamento humano, mudança e atitude, assertividade e comprometimento

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