8 de março: é pela vida das mulheres

Não é dia de ganhar rosas, mas sim direitos.

Postado dia 08/03/2016 às 00:00 por Giovanna Belluomini

feminista

Foto: Divulgação/Internet

Dia 8 de março. Aquele lindo dia no qual homens presenteiam mulheres com rosas, mas não com direitos. Basta! O dia internacional das mulheres nunca foi criado para ganharmos rosas, foi criado para termos nossos direitos conquistados. Se nos dão flores, não é para comemorar sermos mulheres, é para nos distrair do que realmente importa. A final, o que importa o seu chefe te dar uma rosa, se pro seu colega que faz o mesmo trabalho que você, com a mesma experiência e capacitação, ele dá 30% a mais no holerite.

Por séculos, a literatura retratou a mulher como aquela pura, BRANCA, VIRGEM perfeita mulher; glorificando mulheres que (supostamente) seguiam esse padrão. Sabe o que isso gerou? Nada de bom para as mulheres, apenas mais e mais adestramento. Então por que deveríamos acreditar que, glorificar a mulher uma vez por ano, nos trará coisas boas?

Peguem essas rosas e transformem em respeito. Pois rosas murcham e morrem. Respeito nos dá coragem de viver. Quando sairmos às ruas suas rosas não nos protegerão. Agora, se as pessoas RESPEITAREM nossos direitos; entenderem que nossos corpos não são públicos, e não somos obrigadas a ouvir um “ei sua gostosa, quero te chupar todinha” e muito menos achar que isso é um elogio. As coisas podem começar a mudar.

E este foi o exemplo mais básico. Esta desumanização da mulher, essa objetificação, tanto como objeto sexual, quanto reprodutivo e serviçal, leva a uma violação gravíssima de nossos corpos. Como objetos sexuais não temos o direito de dizer “não, eu não quero transar com você” e por não termos esse direito, quando o fazemos, somos ignoradas e estupradas. Afinal estamos ali, como um objeto sexual, é justamente para satisfazer o todo poderoso homem.

Como objeto serviçal, devemos ser a dona de casa e mãe de família exemplar. Aquela que desenvolve transtorno obsessivo-compulsivo (só assim para conseguir) para manter tudo perfeito. A casa cheirando flores, e as crianças estudando matemática felizes (os meninos, as meninas devem nos ajudar para aprenderem como serem usadas como nós). Enquanto trabalhamos 12 horas por dia. Assim como o bonachão do marido, porém ele ganha, no mínimo, 30% a mais que você. E quando chega em casa está tão cansadinho que precisa urgente pegar sua “gelada” e ver o jogo de futebol “top”. E se não conseguirmos podemos entrar nas estatísticas, e sermos mais uma vítima de violência doméstica.

Como objeto reprodutivo, somos portadoras de fetos. Não temos o direito de dizer “eu não quero esse feto dentro de mim”. Somos obrigadas a continuar com ele dentro de nós. Mesmo se que quisermos fazer um aborto pelo bem da FUTURA criança, para que ela não sofra em um ambiente hostil, sem as mínimas condições, muitas vezes sem um pai. Mas pra que se preocupar com a FUTURA vida da criança né? Se podemos dizer o que uma mulher pode ou não fazer com o seu próprio corpo.

Essa divisão é puramente didática. Na vida real, a mulher sofre com as três opressões (sem contar outras tantas) ao mesmo tempo. Por exemplo, a mesma dona-de-casa que apanha do marido, também é estuprada por ele, e também é obrigada a levar a diante uma gestação que não quer.

O tempo de aceitarmos rosas e opressões caladas está chegando ao fim. Mais cedo ou mais tarde, faremos com que sejamos ouvidas, e assim teremos nossos direitos assegurados. Para isso lutaremos em todas as vias possíveis. Desde filtro da foto do facebook pela legalização do aborto; passando por protestos. E dentro das esferas do poder também. Como diz a música, se cuida seu machista, a América Latina será toda feminista.

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Giovanna Belluomini

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