Nunca vi nada igual

Em nome de interesses pessoais, e nada republicanos, o mau-caratismo exala seu fétido odor e surge até da boca de personagens tidos como legalistas e aparentemente idôneos, fazendo coro com outros sabidamente mal intencionados que só visam o estabelecimento do caos.

Postado dia 19/12/2016 às 09:00 por José Iwabe

Foto: Reprodução/Internet

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Fernando Henrique Cardoso, esteio moral do PSDB, supostamente da base aliada de Temer, além de haver reduzido, de maneira deselegante, o mandato do governo à simples categoria de pinguela (uma ponte frágil e provisória), afirma-se favorável a eleições diretas no eventual impedimento do titular (dando a entender, pois, que torce por sua condenação no TSE).

Ronaldo Caiado, até a bem pouco tempo, um leão a rugir contra o PT, agitando sua juba em defesa da democracia e perorando ferozmente contra os desmandos da esquerda radical (MST, CUT e seus assemelhados), repentinamente passa a aconselhar Temer a ser mais sensível aos sentimentos do povo e instá-lo a renunciar, ao mesmo tempo em que argumenta a favor de uma PEC que autorize eleições diretas em 2017, para suprir possível vacância no Executivo.

Rogério Rosso, do PSD, também da base aliada, une-se a Miro Teixeira, da Rede de Marina Silva, para propor um absurdo: a criação de uma Assembleia Constituinte de curta duração, com os atuais parlamentares, a fim de aprovar  alterações na Constituição que permita eleições diretas para presidente no ano que vem.

Todos os citados, Fernando Henrique, Ronaldo Caiado e Marina Silva não escondem a intenção de serem candidatos nessa eleição que possa ser viabilizada pela renúncia (ou cassação) de Temer e simultânea aprovação da PEC pretendida. Assim, é inegável que o empenho deles é pela concretização de suas agendas pessoais, não o interesse do País.

A DATAFOLHA deu-se ao trabalho de fazer uma pesquisa recentemente para avaliar e destacar a queda da popularidade de Temer, assim como qual a preferência dos eleitores num próximo escrutínio presidencial e ficaram felizes em antecipar que Marina e Lula iriam para um segundo turno.

Contribuindo para por mais lenha na fogueira o impressionante Marco Aurélio Mello (já conhecido por alguns como Porraloca), concedeu liminar – após meses- para que a Câmara dos Deputados crie urgentemente uma comissão para iniciar um processo de impeachment contra Temer, sob a acusação de haver cometido pedaladas fiscais enquanto substituía Dilma em suas viagens, sem dar a mínima para os fatos.

Há um verdadeiro esforço conjunto para desestabilizar o quanto possível o governo Temer, justamente no momento em que ele consegue aprovar a PEC do limite de gastos e tenta viabilizar uma reforma na Previdência, um verdadeiro sorvedouro dos recursos (no ano que vem rombo de 180 bilhões previstos), ao mesmo tempo em que estuda medidas para reaquecer a economia e pensa em baixar a taxa de juros.

Tem-se a impressão de que até mesmo na Lava jato existam pessoas interessadas em quebrar as pernas do governo, pois vazamentos seletivos das delações da Odebrecht citam preferencialmente nomes de políticos que compõem o alto escalão do Executivo, além de explicitamente nomear Temer. Essas delações,. Por enquanto, são apenas delações, sem apresentação de material comprobatório e, sobretudo, sem nenhum valor legal, pois não foram ainda homologadas. Entretanto a sua metódica e intensa divulgação por todos os grandes órgãos de imprensa provocam abalos profundos na credibilidade do governo. Ainda, quem expõe delações que deveriam ser sigilosas ameaça a própria operação, pois corre o risco de, mais adiante, algum advogado pedir nulidade de todo o processo com base nessas irregularidades.

Avolumam-se os atos de irracionalidade, principalmente tendo origem no Legislativo e no Judiciário, sempre tendo como alvo o Executivo  e, para mais exacerbá-lo, Luís Fux, ministro do STF, em ação impetrada por Eduardo Bolsonaro (PSC), concedeu liminar tornando sem efeito a votação da Câmara dos Deputados sobre o PL das Dez Medidas contra a Corrupção. Além de fundar suas alegações em dispositivo legal (MP) que nada tem a ver com PL, serviu-se de um arrazoado sem pé nem cabeça e monocraticamente invadiu desaforadamente a seara do legislativo, acirrando ainda mais a guerra aberta em que está se tornando a relação entre os Três Poderes.

Francamente, em todos os meus anos em que tenho acompanhado os rumos do Nação, eu garanto, nunca vi nada igual! Enquanto a nau Brasil faz água por todos os lados, em meio a furiosa tempestade,  lutam para desalojar o capitão para ocupar lhe o lugar, pouco se importando com o barco  naufragando.

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José Iwabe

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