Noite dos Mascarados

O grupo NUTI (Núcleo de Teatro do Ipê) resolveu apostar em uma montagem mais performática e que privilegiasse o corpo e suas ações

Postado dia 07/12/2015 às 00:00 por Leonardo Carrasco

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Em meio a um contexto de peças teatrais que seguem um molde parecido de dramaturgia e roteiro, sem grandes novidades, ou mesmo desafios, uma peça que está em cartaz no Ipê Clube – localizado no bairro do Ibirapuera – chamada “Noite dos Mascarados”, mostra que se pode fazer trabalhos cheios de referências distintas que fiquem coesas e que fujam do lugar comum.

O grupo NUTI (Núcleo de Teatro do Ipê) resolveu apostar em uma montagem mais performática e que privilegiasse o corpo e suas ações, deixando o discurso das palavras em menor destaque, porém tendo sua força quando colocado em cena.

A peça começa com um trecho do texto do autor russo Anton Tchekhov “Canto do Cisne” e já se mistura com outro texto chamado “A Vida É Sonho” de Calderón de La Barca, passando pelo filme “O Fiel Camareiro” do dramaturgo Ronald Harwood e culminando no genial Jean Genet e o texto “O Balcão”, que mostram a atmosfera da velhice de um ator e toda sua angústia dentro do teatro que se confunde com sua vida.

Após isso, o grupo se baseia no roteiro do argentino Carlos Mathus “Huija La Muerte” e nos apresenta as batalhas da vida que o ser humano enfrenta no decorrer de sua existência com Deus, a Família, a Identidade, a Solidão, o Dinheiro e a Morte. Durante esses quadros, uma variedade de influências é utilizada pra demonstrá-las como o argentino Quino, William Shakespeare, José Triana, Luigi Pirandello, Clarice Lispector, a coreógrafa/dançarina Pina Bausch, Plínio Marcos, entre outros nomes.

Uma coisa muito interessante que o diretor Paulo Fabiano colocou entre as cenas pra dar uma bela quebrada na tensão que cada uma passava ao público, foi encaixar ‘bufões’ pra cortar o clima totalmente, entrando de maneira grotesca pra execrar os personagens e dando um choque nas pessoas, assim sempre deixando claro que tudo aquilo não passa de encenação. Linguagem que o grupo gosta de usar, tirando aquele estigma que o espectador precisa encarar aquilo tudo com uma veracidade típica, por exemplo, do cinema.

Outro super destaque é a sonoplastia escolhida para o espetáculo: em alguns momentos, com músicas que ambientavam as cenas, outros onde elas conversavam diretamente com o personagem, caso da ópera “La Mamma Morta” interpretada por Maria Callas, além de intervenções com teclado que abusavam de timbres pra aumentar a intenção das ideias apresentadas.

O nome foi tirado da canção homônima de Chico Buarque, lançada em 1966 e creio que tenha sido uma escolha que caiu como uma luva, já que a discussão sobre as máscaras sociais é totalmente pertinente nos dias de hoje e o NUTI segue sua trilha em busca de sua própria estética, fazendo teatro pra quem gosta de teatro.

A peça estará em cartaz no NUTI  – Núcleo de Teatro do Ipê, a entrada é franca. As datas para as próximas apresentações serão no dia 12 e 19 de dezembro, as 18 horas.

O endereço é: Ipê Clube, Rua Ipê, 103, Ibirapuera São Paulo

 Salve o Ator!
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Sobre o Autor

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Leonardo Carrasco

Formado em marketing e publicidade, músico, ator profissional, dublador e locutor. Atualmente trabalha como diretor de marketing.

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