Neurocência e aprendizagem

Assim como a atenção, a memória é parte importante dos processos de aprendizagem e não pode ser utilizada como sinônimo de decorar

Postado dia 13/01/2016 às 00:09 por Katia Seifert

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Segundo Carla Tieppo, neurocientista e doutora em Ciências pela USP, o cérebro desenvolveu a capacidade de desempenhar de maneira única funções como linguagem, emoções e consciência. A Psicopedagogia se aproxima dos conhecimentos neurocientíficos para ampliar o entendimento acerca dos problemas de aprendizagem. A neurociência contribui para as práticas pedagógicas de maneira assertiva ao relacionar a atividade do cérebro do indivíduo contemporâneo com a teoria da informação, a semiótica, a linguística, a aquisição do conhecimento. entre outras.

No início do seu desenvolvimento, o bebê precisa da sensação de segurança e continência provocada pelo suporte adequado proporcionado por pais e cuidadores. Assim, o córtex cerebral atingirá um desenvolvimento satisfatório quando questões relativas à sobrevivência não estiverem presentes. De acordo com recentes estudos realizados na Universidade de Oregon, a atenção é desenvolvida após o bebê adquirir três capacidades cerebrais: a orientação e manutenção da atenção e o equilíbrio destes dois processos. Aqui evocada, a atenção constitui um dos mais importantes assuntos nas discussões psicopedagógicas.

Assim como a atenção, a memória é parte importante dos processos de aprendizagem e não pode ser utilizada como sinônimo de decorar. O aprender difere do decorar devido ao tempo que se mantém a informação acessível, ativada, pronta para ser utilizada nos diferentes cenários. Quando a criança utiliza uma informação arquivada há algum tempo está fazendo uso de sua memória de longo prazo. A neurociência avançou ao relacionar o sono com a memória de longo prazo, pois é durante o repouso que o hipocampo trabalha com o córtex para armazenar informações por mais tempo. A novidade é que isso não acontece para qualquer conteúdo, mas para aqueles que tiveram alguma relação de emoção ou de repetição (tentativa de memorização). A explicação para o fato das crianças precisarem de mais horas de sono pode estar aí: neurologicamente estão sendo fortalecidas conexões para as futuras aprendizagens. Estudos recentes apontam a siesta como um costume saudável e de grande valor na compreensão dos conteúdos.

Os próximos artigos irão explorar com mais detalhes as importantes relações entre a neurociência, a aprendizagem e a forma com que a Psicopedagogia se apropria destes saberes para se tornar relevante, na prática, auxiliando aqueles que possuem alguma aprendizagem diferenciada.

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Sobre o Autor

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Katia Seifert

Quimica e Psicopedagoga, sou uma Educadora apaixonada pelo ensinar e pelo aprender.

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