Na encruzilhada em que estamos só nos resta lutar

Alguns personagens nefastos e sem moral que munidos de peripécias impensáveis tentam a qualquer custo chegar ou manter-se no poder

Postado dia 14/04/2016 às 08:00 por Priscila Nicoliche

poder

Foto: Reprodução/INternet

Tendo em vista o triste cenário atual, cheio de escombros, com personagens que ultrapassam todos os limites da ficção com a desenvoltura que só um artista habilmente canastrão, que não vê problemas em ser mentiroso em suas verdades é capaz de representar, nos encontramos todos em uma grande encruzilhada.

Na encruzilhada do pensamento. Da ação. Do temor pelo nos espera no futuro.

Não sei dizer se o que vivemos é uma tragédia grega, uma obra genial de Shakespeare ou se é um dramalhão mexicano, daqueles exibidos à tarde. Fico com a última opção, o que explicaria esta relação de amor e cegueira-útil que parece existir entre o público e alguns personagens nefastos e sem moral que munidos de peripécias impensáveis tentam a qualquer custo chegar ou manter-se no poder.

Outro dia um amigo me dizia que estas montagens atuais de Shakespeare eram quase desnecessárias pois já não lançavam luz alguma sobre a História, já que o jogo atual que vivemos é muito mais potente. Em nosso país a vida ultrapassou a arte.

As perdas sociais já estão anunciadas. O cinto vai apertar mais ainda para aquele que já está quase sem calças para segurar.

E nas Artes?

E para esta Deusa insana que ao mesmo tempo que traduz o humano ao Homem, coberta de louros,  é contraditoriamente a primeira a ser expulsa da festa?

Os ventos já vinham anunciando a tempestade. Nestes últimos anos tivemos poucos avanços. Debates e reformas tão necessárias sobre as Leis para a Cultura não saíram do plano das ideias, programas, como o Cultura Viva por exemplo, andam sempre em caravanas anunciando para o futuro seu retorno glorioso. Mas o futuro não chega nunca. Assim como Godot.

E mesmo assim é preciso defender o futuro.

Sair às ruas.

Dizer de que lado de estamos.

Defender a democracia, o direito de dizer aquilo que precisa ser dito.

E mais uma vez se preparar para torcer, sem quebrar.

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Sobre o Autor

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Priscila Nicoliche

Priscila Nicoliche é atriz, diretora de teatro, produtora cultural por necessidade, estudiosa livre e fundadora do grupo Quântica Teatro Laboratório.

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