Mulheres reais têm curvas!

Cada corpo é perfeito na medida que serve de instrumento para o nosso dia-a-dia. Mas o Ser vai muito além dessa massa corpórea

Postado dia 23/11/2016 às 09:00 por Karla Hack

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Foto: Divulgação

Algo que aprendi após muitos anos de luta com relação a minha aparência, Ana (personagem interpretada pela linda da America Ferrera no Real Women Have Curves) sabia por instinto: a beleza da mulher independe do seu tamanho. Afinal, mulheres reais possuem curvas.

Parece estranhamente óbvio isto se pensar que mulheres possuem seios, cintura, bunda, tornozelos, voltas e mais voltas em si mesmas, por si mesmas.

Nada de errado com estas curvas, fazem parte do retrato instável e delicioso de mulher longe da idealização. Repito: Idealização, não perfeição. Afinal, cada corpo é perfeito na medida que serve de instrumento para o nosso dia-a-dia, ele funciona de meio. O Ser vai muito além desta massa corpórea, compõe-se de posturas, gostos, leveza, pensamentos… justamente aí reside o belo: na consciência de Ser.

Quando era criança costumava ouvir que era feia, não pelo meu peso, e sim pelo meu rosto – olhos puxados, pele clara demais, dentes tortos, óculos. Entrei na faculdade e as pessoas se referiam ao meu rosto como bonito, mas a flutuação de meu peso ganhou outra força.

Passei de feia, para gorda. Após diversos problemas pessoais, perdas irreparáveis, dietas malucas, remédios sem prescrição, decepções amorosas, correrias, falta de organização, substituições emocionais por comida, cheguei ao meu limite: a garota que entrou na faculdade com cerca de 60kg, dois anos após formada estava com 95 kg.

Contudo, a menina insegura dos anos atrás via-se obesa e linda! Foi preciso este trajeto todo para eu enxergar além dos julgamentos inevitáveis e adorar-me pelo que sou por inteiro.

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Tradução: “Como alguém se atreve a me dizer o que eu deveria parecer…”

As divinas mulheres desta cena do filme Real Women Have Curves são exemplos perfeitos de autoestima: link do vídeo aqui!

Neste caminho por “bem-querer-me”, percebi o quão distante do saudável era a minha relação com a comida. De alguma forma impus certo poder ao alimento que não lhe cabe, fiz dele o meu substituto para um real bem-estar – seja no estresse, na frustração, no tédio ou na raiva. Isto não me faz bem e quero melhorar, tornar-me esta versão saudável da bela que já sou.

Caminhei até a obesidade para me descobrir linda e fiz o trajeto contrário, emagrecendo e tornando-me uma pessoa mais consciente do meu corpo, para então encontrar toda uma nova trajetória de vida. Mudei de emprego, desisti de algo que não estava me satisfazendo, enfrentei medos, corri maratona, descobri alguns novos talentos, desafiei-me!

? Confronta-te!

Já parou na frente do espelho perguntando-se: como me transformei em quem sou? Gosto disto? Por mais que as circunstâncias do ontem sejam bagagens pesadas e assustadoras, uma hora temos que enfrentar o que está escondido nas reentrâncias caladas do passado. Encarar, selecionar e deixar para trás.

Somente abrindo espaço é que o novo pode aninhar-se. Quer uma perspectiva nova em sua vida? Que tal começar dando um novo passo, tomando um novo rumo, redescobrindo-se?

Quanto a celulite, as estrias, as gordurinhas localizadas, vou continuar a tê-las em maior ou menor intensidade conforme os anos. Não é algo que me impeça de colocar um biquíni e curtir o calor.

E, nas palavras de Anäis Nin: “Nego-me a viver em um mundo ordinário como uma mulher ordinária, a estabelecer relações ordinárias. Necessito o êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Adapto-me a mim mesma.”

E os incomodados que se retirem!

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Karla Hack

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