Mulheres com deficiência

A maneira como a humanidade vem lidando com suas vidas na era da pressa, ninguém tem tempo para nada e todos se acham importantes por viver esbaforidos.

Postado dia 28/06/2017 às 09:00 por Mônica Quiquinato

Foto: Reprodução

A maneira como a humanidade vem lidando com suas vidas na era da pressa, ninguém tem tempo para nada e todos se acham importantes por viver esbaforidos. Parar um pouco que seja para dar atenção especial a alguém com qualquer tipo de deficiência é, no mínimo, um incômodo que as pessoas querem evitar.

Com isso, cometemos um dos maiores enganos ao criar uma barreira por desconhecer o assunto, um mundo diverso. O enriquecimento da troca de informações e experiências entre pessoas com qualquer tipo de deficiência que pode nos trazer é impressionante. Há um constrangimento ao se falar e se relacionar com o assunto “pessoas com deficiência”.

Hoje, com mais informação e novas tecnologias ao alcance de todos, que facilitam a inclusão dessas pessoas na sociedade, o quadro está ligeiramente melhor. Mas ainda há muito por fazer.

Resolvi falar do tema quando conheci uma pessoa que abriu novos horizontes e mostrou-me maneiras diferentes de agir diante das adversidades. Quando vi a Carol pela primeira vez, perguntei de cara se precisava de ajuda, pois a cena que a encontrei era manuseando a geladeira e não sabia que se virava bem. Fiquei apavorada, pois estava diante de uma pessoa sem as mãos que dispensou ajuda. Carol me surpreendeu com sua independência. Vou mais. Surpreendeu-nos com seu alto astral contagiado todas nós no departamento.

Dois dias depois vejo Carol de vestido e outra surpresa, ela não tinha os pés e usava próteses nelas. Fiquei admirada com sua confiança. Conversando com ela, contou-me um pouco sobre sua experiência de vida, algo me fez ter um olhar diferente de percepção: a inclusiva. Carolina Custodio Pereira dos Santos, tem 38 anos, nasceu sem os membros (pés e mãos) causado por uma deficiência congênita, é assistente social, foi a segunda vereadora mais votada em sua cidade natal, Paraguaçu Paulista, é maquiadora profissional, atleta paraolímpica de tênis de mesa e trabalhou como produtora de TV.

Tem mais. Carol dirige, cuida dos afazeres de casa, gosta de dançar, nadar, andar de bicicleta. Participou de projetos de inclusão social no mundo da moda, voluntária do Teleton e guia de deficientes visuais. Diante de todas essas atividades afirma que teve uma infância feliz. “Resolvi seguir em frente e garantir um futuro diferente daquilo que as pessoas pensavam quando me viam sem braços e pernas morando no interior”, disse determinada.

Atualmente trabalha na Secretaria Municipal das Pessoas com Deficiência e está empolgada com a nova oportunidade. No Brasil são mais de 45 milhões de pessoas nessas condições. É isso mesmo. São milhões de pessoas com características muito diferentes das nossas e que nos últimos anos, em consequência da lei de cotas, o número de pessoas com deficiência aumentou consideravelmente no mercado de trabalho.

Acredito que há não apenas a necessidade de um mergulho mais fundo no universo das pessoas com deficiência, mas também com uma urgência maior ainda em começar a pensarmos de maneira mais inclusiva.

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Sobre o Autor

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Mônica Quiquinato

É jornalista e atriz. Pós-graduada em Comunicação Jornalística pela Cásper Líbero. Atualmente é cerimonialista na Prefeitura de São Paulo e colunista

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