Ministério da Educação e Cultura? Não senhor!

Nossa luta e resistência nunca vão acabar. O que vai acabar é essa vergonha. Mais cedo ou mais tarde

Postado dia 27/04/2016 às 08:00 por Cidão Fernandes

luta

Foto: Reprodução/Internet

Essa onda modista de anti-petismo perdeu a graça faz tempo. Porque qualquer “anti”, independente do que for, é raso, pequeno e não avança pra lugar algum. Só que quando o assunto é futebol a vida das pessoas envolvidas não mudam. Talvez ganhe inimigos ou aquela zoeira clássica que acaba em cerveja.

Na política o buraco é mais embaixo.

Como aqui o tema é cultura, perceba mais um “anti” que vai desestruturar conquistas importantes na potência cultural que o Brasil possui:

Como já sabemos, na maior cara de pau do mundo – e denunciado pela mídia internacional já – Michel Temer está tratando do que ele chama de governo. Já está negociando cargos. E nessa junção pretende unificar vários ministérios e, dentre eles, os ministérios da Educação e Cultura. Você sabe, caro e generoso leitor, quando que esses ministérios foram separados porque entenderam suas especificidades? Em 1985, também conhecido como o fim oficial da ditadura militar no Brasil e o início da chamada redemocratização no país.

Como já sabemos que na política não existe coincidência, sabemos também o que significa esse retrocesso nas políticas públicas para cultura que, mesmo minguando e bem devagar, estavam caminhando para que todos os municípios brasileiros tivessem secretarias de cultura, conselhos e plano municipal de cultura para orientar gestores a cada 10 anos com novos encaminhamentos.

Vai acabar tudo. Isso não dá medo em você? Não te incomoda um tipo de pensamento voltar justamente num processo que está cada vez mais óbvio que levará o país para um abismo de mal humor, intolerância e confrontos desonestos? Se num ambiente desses a cultura for suprimida a uma meia dúzia de salas numa repartição pública, para onde caminharemos?

E vejo que a principal pergunta é: você tem certeza absoluta que terá mais acesso a cultura com um tipo de governo que pretende voltar as políticas implementadas na época da ditadura militar com um golpe institucional em pleno 2016 com o Brasil estando em 7ª ou 8ª na economia mundial?

É de conhecimento nacional que este país não é para amadores. O que os políticos não contam é que nós, artistas, já estamos habituados com amadorismos porque somos profissionais não somente nas nossas produções mas também nas nossas lutas.

Há um movimento liderado por uma gama de artistas do Alto Tietê que pretende tornar pública essa discussão, colocar outros pontos e, mais uma vez, denunciar e resistir a esse descalabro político e midiático que se tornou as opiniões das pessoas. Apesar da opção em ter o ódio e a intolerância como bandeiras daqueles que apoiam o golpe, nós artistas estaremos na linha de frente para lutar com todas as nossas forças para desmoralizar e enfraquecer qualquer tentativa de fazer esse país tão rico culturalmente ser transformado em  algumas portas de repartições educacionais.

Nossa luta e resistência nunca vão acabar. O que vai acabar é essa vergonha. Mais cedo ou mais tarde.

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Sobre o Autor

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Cidão Fernandes

Ator, diretor teatral e produtor artístico. Diretor Geral do Teatro da Neura, grupo com 11 anos de trabalhos sediado em Suzano. Militante cultural e curioso.

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