Mindfulness aplicado a vendas e atendimento

Mindfulness e exercícios de expressão e desinibição podem ser o caminho deste difícil diagnóstico.

Postado dia 21/03/2016 às 00:00 por Claudio Bergamo

mindfulness

Foto: Divulgação/Internet

Quantas vezes já nos deparamos com aquele vendedor X no atendimento Y, num grande magazine, num balcão de atendimento, numa casa de material de construção ou numa loja de grife no shopping, naquele atendimento padrão, desses que todos falam a mesma coisa, “olá… em que posso ajudar”, parecendo linha de produção. Será que funciona?

Expressões ou gestos mal usados podem comprometer a venda, e comprometem com certeza; pessoas carregadas de mau humor e má vontade sabotam sutil e inconscientemente as metas de venda do setor, como um vírus emocional que ataca sem que percebamos de bate-pronto.

Será que paramos para pensar que os velhos padrões de treinamento caminham para o fim? Sabe aquele entusiasmo daquela primeira palestra de treinamento onde todos dizem, “É agora!”? Assimilamos os conteúdos e vamos aplicar. Quanto tempo isto dura? Como manter o astral e a motivação elevados, as metas de venda estabelecidas em alta? Ninguém sabe… Só sabemos quando algum sintoma indica que as coisas não vão bem!

E o padrão de treinamento, o que aconteceu? Voltamos ao raciocínio anterior. Como manter as pessoas altamente motivadas? Bem-humoradas, alegres, com capacidade de manter seus impulsos negativos afastados? Que lugar é esse?

É o lugar da emoção e da reeducação emocional.

Por vezes e sistematicamente, quando a empresa treina seus colaboradores, repetindo modelos viciados, condicionantes e condicionados, os funcionários tendem a subir num patamar muito elevado de ação, que por se originar de ações externas, tende a perder rapidamente sua efetividade, exigindo novas cargas de “otimismo”. A questão é: como manter na prática os objetivos e resultados neste patamar elevado, quando tais modelos vão perdendo a força e as vendas caindo ou oscilando?

Passamos a culpar tudo, a crise, os planos de marketing, o gerente, os colegas, o trânsito, os horários, a família etc. Todos são culpados, menos eu, sofrido e abnegado e mal-humorado funcionário. E no final vêm os cortes.

Sabe meu amigo, tudo começa e termina no departamento financeiro, afinal, ele manda na empresa, o restante obedece, suas alegações são sempre claras, baseadas em evidências, os números são sempre perfeitos, as pessoas imperfeitas! Correto? Então vamos apostar novamente nas campanhas do marketing, pois afinal precisamos vender.

Uma empresa é movida por pessoas, e em momentos de retomada dos negócios passamos a contratar novamente. A partir da retomada e já com novos quadros de funcionários e aqueles mantidos em suas funções, devemos olhar para frente, investir em pessoas e compreender que as velhas frentes de treinamento de vendas e atendimento já não trazem mais os resultados esperados.

Treinar pessoas repetidas vezes não basta, é preciso transformar pessoas, educar, instruir, esclarecer e acalmar a todos, como se fossem alunos ansiosos para o vestibular, no caso, aqueles que agem impulsivamente, que não diferenciam a prática do trabalho, o autoconhecimento e a vida pessoal. Estamos na verdade falando de dois tipos de funcionários: Os ansiosos, aqueles cuja ansiedade prejudica seu desempenho e os que se saem bem melhor a partir e apesar da tensão. Sabemos que emoções negativas e a ansiedade provocam a dispersão, desviam a atenção ao mesmo tempo em que precisamos de tensão com atenção.

É urgente que identifiquemos estes conflitos investindo fortemente na saúde preventiva-mental e física de nossos colaboradores.

Não podemos contrariar a natureza humana, sabemos que boa parte dos acidentes aéreos acontece por falha humana em sequências de eventos ligados diretamente às pessoas; as malfadadas falhas técnicas depois de um inventário pormenorizado constatam e comprovam a questão; quando estamos num avião em viagem parece que tudo está sob controle e de fato esperamos que sim, e torcemos por isso… O que não desejamos é que o nosso avião que está em solo com as múltiplas complexidades que vão do planejamento à prevenção ainda no hangar, depois no taxeamento e na decolagem caia, mas que após estes procedimentos obedeça às ordens da cabine de controle, possa ganhar velocidade e planar, e em pleno voo suportar as turbulências e chegar a seu destino com segurança.

Mau humor e as síndromes emocionais podem estar pegando alguém na sua empresa. Inúmeras situações podem ser representadas como turbulências leve, média e pesada sem que as identifiquemos, sem que estejamos abertos para enfrentá-las. Suas consequências não podem mais ser ignoradas.

Mindfulness e exercícios de expressão e desinibição podem ser o caminho deste difícil diagnóstico.

Precisamos injetar otimismo e esperança nas pessoas através dos métodos Mindfulness de treinamento com uma forte expectativa neste trabalho, acreditando que a pessoa humana é viável na sua tarefa e apesar das frustrações durante seu voo; basta uma dose de confiança e otimismo para que ela e seu grupo de trabalho retomem seu caminho na medida em que identifiquem passo a passo seu verdadeiro potencial.

Pensamento do dia:

“O desenvolvimento de qualquer aptidão fortalece o senso de autoeficácia, tornando a pessoa mais disposta a assumir riscos e a buscar maiores desafios.”

Daniel Goleman

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Sobre o Autor

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Claudio Bergamo

Consultor Corporativo, Coach, Psicólogo, Psicoterapeuta, Professor e palestrante e diretor cultural.

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