Meu primeiro pen drive: memórias de um velho professor

Pen Drive? Eu perco um por semana, vou eu lembrar o meu primeiro? Mas, as tecnologias desse milênio são maravilhosas para aqueles do século passado

Postado dia 02/05/2016 às 07:30 por Luiz Edmundo

 

pen drive

Foto: Reprodução/Internet

Eu sei que para muitos jovens falar sobre seu primeiro pen drive é pueril, banal, nada a ver mesmo; – Pen Drive? Eu perco um por semana, vou eu lembrar o meu primeiro? Mas, as tecnologias desse milênio são maravilhosas para aqueles do século passado. E a velocidade com que essas inovações têm-se apresentado, faz até aqueles mais recentes sentirem-se ultrapassados.

Já era professor há alguns anos quando fui lecionar em uma nova instituição. Sigo para o trabalho com a perspectiva de reproduzir a minha velha forma de apresentação do curso. GLS, como se diz: Giz, lousa e saliva!

Qual a minha surpresa que na sala de aula estava instalado um CPU, o projetor “Datashow” e a tela para a projeção. Notando minha surpresa os alunos me informaram que aquele equipamento não era eventual, estava instalado definitivamente nas salas, e que naquela instituição todas as salas eram equipadas com esse material. Na hora percebi a necessidade de atualizar meus métodos de ensino diante desses novos recursos. Foi um momento de entusiasmo, pois essa era uma situação que eu já vislumbrava e ansiava por esses novos recursos nos quais poderiam ser inseridos vídeos, músicas e textos.

-Poxa se eu soubesse eu teria trazido um disquete. Falei a classe.

-Disquete, professor, o senhor é do tempo do disquete?

– Hã não, disquete não, eu queria dizer CD… Eu poderia ter trazido um CD.

-Que CD professor? O negócio agora é pen drive.

– Hã é mesmo, Pen Drive? Mas é tão difícil comprar um desses… Note, eu estava em uma classe de ciência da computação, onde os alunos, do tipo “nerd”, são apaixonados por novas tecnologias. E, apesar de naqueles tempos o pen drive ser ainda uma novidade para os nãos iniciados, para pessoas como aqueles alunos, esse assunto fazia parte de seus maiores interesses.

O aluno oportunamente abre sua mochila puxa um pen drive; – Esse aqui professor tem dois gigabits, é a melhor marca do mercado e eu lhe vendo por vinte reais.

Foi assim que adquiri meu primeiro pen drive. E, não poderia esquecê-lo, pois através daquela pequenina forma as aulas adquiriram uma dinâmica com imagens, animações, sons, enfim, recursos inéditos que realmente trouxe novos ânimos e também novos desafios a nossa inventividade. Uma grande evolução para o nosso trabalho.

Porém, como tudo passa, dois gigas já não são mais suficientes, a peça fica velha, desgastada e o mercado sempre oferecendo novidades, o velho companheiro passa a ser esquecido quando finalmente ele é perdido. Tudo bem, todos os arquivos salvos no computador de casa, compro um novo pen drive, agora com dezesseis gigabytes e, curiosamente, a um preço apenas um pouco maior que o meu velho pen.

Mas eis que um belo dia, encontro meu velho pen drive na máquina de lavar roupa, limpinho. Guardo-o em uma estante como uma relíquia de um tempo nem tão remoto, mas um tempo que passa a uma velocidade que faz até aqueles mais recentes sentirem-se ultrapassados.

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Sobre o Autor

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Luiz Edmundo

Economista e doutor em engenharia da produção, dedicam-se ao ensino superior como professor.

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